sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Redação do Enem - perguntas e respostas e mandamentos da nota 1000

 A linha que separa a redação nota zero da redação nota mil é tênue. Quase sempre o fracasso na produção de texto não se deve ao desconhecimento do tema ou a tropeços na língua. Deve-se à desobediência às orientações. Bobear é proibido. Dar jeitinhos também. O caminho para não morrer na praia é um só: ler, entender e aplicar as ordens tim-tim por tim-tim. Vamos a elas?


1. O candidato pode fazer rascunho?


Pode e deve. Mas é proibido fazê-lo em qualquer lugar. Há uma folha destinada a ele. Use-a. Ali você escreve, reescreve, rabisca, corta, borra, rasura, escreve por cima. O espaço é todo seu. Ninguém tem nada a ver com ele.


 


2. Como deve ser apresentado o texto definitivo?


O texto definitivo é o que será avaliado pela banca examinadora. Com ele, todo o cuidado é pouco. Siga estas dicas:


1. escreva-o na folha própria.


2. escreva-o a tinta. Escolha uma caneta familiar, de que goste muito. Deixe em casa a caneta novinha, cujas manhas você ainda não conhece. Ela pode atrapalhar seu raciocínio e roubar minutos preciosos da revisão. Xô!


3. o texto deve ter até 30 linhas. Preste atenção ao “até”. Significa que perde pontos quem ultrapassar o tamanho determinado. Pode ser um pouco menos de 30 linhas. Mas nenhuma mais.


 


3. O candidato pode copiar trechos apresentados na prova ou nos textos motivadores?


Não. Nada de cópia. Ctrl + C e Ctrl + V é mega perigoso. Cada linha copiada será alvo de punição. Você perde pontos e, valha-nos, Deus, pode perder a prova. Você pode utilizar dados ou citar uma ou outra frase entre aspas.


 


4. O que leva à nota zero?


Guarde isto: nota zero é mais resultado de bobeira que de ignorância. As instruções apresentam cinco descuidos que anulam a obra que lhe deu tanto trabalho. Ei-los:


1. se a redação for “insuficiente”. O que é isso? Se o texto tiver menos de sete linhas. Vamos combinar? Sete linhas é muito pouco. Vá além, muito além. Chegue às 30. Ou bem próximo das 30. Lembre-se: você não só precisa se sair bem na prova. Precisa se sair melhor que os concorrentes. Lute para chegar na dianteira.


2. se a redação fugir ao tema. É lógico, não? Se o enunciado pede um assunto e o candidato apresenta outro, não dá outra. O examinador pensa que ele levou o texto decorado. Para não correr risco, leia o tema uma vez, duas vezes, três vezes, muitas vezes. Leia-o até entendê-lo. Antes de escrever, diga baixinho, com suas palavras, o que está sendo pedido. Imagine que esteja falando sobre o assunto com sua mãe, seu pai, seu amigo ou seu irmãozinho. Assim, você ganha intimidade com o tema. Mil ideias vêm à cabeça. Viva! Se o tema é 'Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil' (Enem 2016), não escreva sobre política, por exemplo.


3. se a redação “não atender ao tipo dissertativo-argumentativo”. Seu texto terá de defender uma tese. Dado um tema, você precisa tomar posição clara — de preferência, a favor ou contra. É importante justificar sua posição com argumentos. Prove, demonstre, convença. Não vale escrever um poema, muito menos um texto narrativo ou um depoimento pessoal.


4. se a redação “apresentar proposta de intervenção que desrespeita os direitos humanos, como mensagens de ódio, preconceito de qualquer tipo e racismo”. Direitos humanos se referem à dignidade da pessoa. (Dê uma olhadinha na coluna passada. Ali você encontra explicação legal.)


5. se a redação “apresentar parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto”. No texto, as palavras, as frases e os parágrafos conversam, batem papo pra lá de amigável. Se entra um estranho sem se anunciar, rompe-se a harmonia. Lembra-se do bobão que introduziu, no meio do texto, uma receita de Miojo? Vacilou. Quis bancar o esperto. Pagou caro.


 


5. Como deve ser o texto?


O texto deve ter três partes. Na introdução, diga o que você vai dizer. No desenvolvimento, diga o que você prometeu dizer. Na conclusão, diga o que você disse. Encerre a redação com charme.


 


O Blog da Dad postou ontem seis posts que lhe ensinam o passo a passo da redação nota 1000. Siga-os pela ordem (1, 2, 3, 4, 5, 6). No fim, você chegará à única conclusão possível: escrever não é nenhum bicho de sete cabeças. É fácil como andar pra frente.

A dissertação tem três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. 

1.1.        Introdução: apresenta a tese. Diz ao leitor o que você vai dizer.


1.2.        Desenvolvimento: sustenta a tese. Apresenta os argumentos para convencer os incrédulos de que você tem razão.


1.3.        Conclusão: confirma a tese e encerra o assunto. Apresenta a proposta de intervenção.


Divida o texto em parágrafos. Um para a introdução. Dois ou três para o desenvolvimento. Um para a conclusão.

Comece pelo começo. Escolha uma frase bem atraente. Pode ser uma declaração, uma citação, uma pergunta, um verso, a letra de uma música. Depois, desenvolva a tese. Cada ideia num parágrafo. Por fim, conclua. Com um fecho elegante.

4.Seja natural. Imagine que o leitor esteja à sua frente ou ao telefone conversando com você. Fique à vontade. Espaceje suas frases com pausas. Sempre que couber, introduza uma pergunta direta e prefira esta à indireta. Confira a seu texto um toque humano. Você está escrevendo para pessoas. Gente igual a você.


5.Use frases curtas. Com elas, você tropeça menos nas vírgulas, nos pontos ou nas reticências. “Uma frase longa”, ensinou Vinicius de Moraes, “não é nada mais que duas curtas.”

Vírgula? Ponto e vírgula? Dois-pontos? Na dúvida, use ponto.


6.Ponha as sentenças na forma positiva. Diga o que é, nunca o que não é. Em vez de escrever “ele não assiste regularmente às aulas”, escreva “ele falta com frequência às aulas”.


7.Prefira palavras curtas e simples. Os vocábulos longos e pomposos criam uma barreira entre leitor e autor. Fuja deles. Seja simples. Entre duas palavras, prefira a mais curta. Entre duas curtas, a mais expressiva. Fuja das literárias e científicas, reserve para quem adora erudição.

Proibido ou defeso? Proibido. Imposição ou injunção? Imposição. Reduzido ou mitigado? Reduzido. Extenso ou prolixo? Extenso. Empecilho ou óbice? Empecilho. Imitação ou simulacro? Imitação. Notável ou conspícuo? Notável. Suavizar ou atenuar? Suavizar. Breve ou lacônico? Breve. Concordância ou aquiescência? Concordância. Objetivo ou escopo? Objetivo. Fazer uso ou lançar mão? Fazer uso. Renomado ou reputado? Renomado. Concluir ou depreender? Concluir. Punir ou infligir? Punir. Desrespeitar ou infringir? Desrespeitar. Principal ou precípuo? Principal. Dispensar ou prescindir? Dispensar. Correto ou escorreito? Correto. Espúrio ou errado? Errado. Adstrito ou dependente? Dependente. Silencioso ou silente? Silencioso. Atinente ou referente? Referente. Ou então, pertinente.


8.Opte pela voz ativa. Ela deixa o texto esperto, vigoroso e conciso, livra-o do verbo ser. A passiva, ao contrário, deixa-o desmaiado, sem graça. Compare:


Voz ativa: Os candidatos leram as instruções da prova.

Voz passiva: As instruções da prova foram lidas pelos candidatos.

 Abuse de substantivos e verbos. Seja sovina com adjetivos, advérbios, pronomes, conjunções, aumentativos, diminutivos e superlativos. Eles são os inimigos do estilo enxuto.

Seja conciso. Respeite a paciência do leitor. A frase não deve ter palavras desnecessárias. Por quê? Pela mesma razão que o desenho não deve ter linhas desnecessárias ou a máquina peças desnecessárias.

Evite mesóclises, ponto de exclamação, reticências, regionalismos, gírias, internetês e siglas desconhecidas. Use estrangeirismos apenas se não houver correspondente em português, ou se este for pouco usado. Não escreva FIM, porque não é o último capítulo da novela. Evite coisa e algo, por serem palavras vagas. Prefira elemento, fator, tópico, índice, item etc. 

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