sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Politicamente correto - 7 dicas

 Bolsonaro critica o politicamente correto. Que bicho é esse? É o contrário do politicamente incorreto — palavras e expressões que reforçam preconceitos. Negros, homossexuais, gordos, idosos, nordestinos figuram entre os alvos preferidos dos amantes das “brincadeirinhas”. Recomenda-se cuidado para não ofender nem agredir o outro. Mas muitos exageram. E como! Talvez o presidente tenha em mente os excessos que se praticam em nome da causa ao se opor a ela. Com razão. Cabeleireiro virou hair stylist. Costureira, estilista de moda (outra especialidade). Manicure, esteticista de unhas. Empregada doméstica, secretária do lar. Dona de casa, do lar ou especialista em prendas domésticas. Cego, mudo, surdo-mudo se tornaram pessoas com deficiência. Imprecisas, as novidades podem comprometer a precisão. Xô! Raça, cor, origem, etnia, religião, idade, peso, altura, orientação sexual, condição social e de pessoa idosa e deficiente são as principais vítimas das brincadeirinhas, piadas preconceituosas ou uso “sem intenção de ofender” . Como agir?



Dica 1


O radialista Airton Medeiros estava entrevistando ao vivo a presidente de uma associação de cegos em programa da Rádio Nacional. Tratava-a de cega o tempo inteiro até receber um papelzinho com a recomendação de que a tratasse como “deficiente visual”. Antes de obedecer à ordem, perguntou se deveria continuar tratando-a de cega ou de deficiente visual. Ela aproximou as mãos do rosto dele até tocar os óculos. Então afirmou: “Deficiente visual é sua gramática, que está desatualizada. Eu sou cega”.


Dica 2


Alto, baixo, gordo, magro, grande, pequeno são relativos. Alguém pode ser alto pra uns e baixo pra outros. Diga a altura, o peso, o tamanho: 1,95m, 50kg, 300km.


Dica 3


Negro é raça. Nessa acepção, use-o sem pensar duas vezes. Pelé é negro. Não é escurinho, crioulo, negrinho, moreno, negrão ou de cor.


Dica 4


Evite o adjetivo em expressões de conotação negativa. Em vez de nuvens negras, prefira nuvens pretas ou escuras. Em lugar de lista negra, fique com lista dos maus pagadores.


Dica 5


Apague denegrir (derivado de negro) de seu dicionário. Prefira comprometer. Elimine também judiar, da família de judeu. Substitua-o por maltratar.


Dica 6


Quer indicar cor? O preto está às ordens. Gordão? Nem pensar. Diga o peso. Paraíba e cabeça-chata? É preconceito. Identifique o estado de origem com precisão (maranhense, paraibano, pernambucano, cearense). Se quiser generalizar, use o adjetivo indicador da região: nordestino, nortista, sulista. Só use baiano se a pessoa nasceu na Bahia. Bicha, veado, baitola, boiola, sapatão? Xô! Ofensivo desde quando se escrevia farmácia com PH. Fique com homossexual, gay, lésbica. Respire, inspire, mas não pire!


Dica 7


Diga chinês, coreano, japonês (não: japa, china, amarelo); idoso (não: velho, decrépito, gagá, pé na cova, vovô, titio); lésbica (não: sapatão, pé 44); pobre, pessoa de baixa renda (não: pobretão, pé de chinelo, ralé, mulambento, raia miúda, povão, gentinha, gentalha, corja, povaréu, escória, populacho); pessoa com deficiência (não: portador de deficiência, pessoa com necessidades especiais, pessoa especial, deficiente, excepcional, retardado, aleijado, defeituoso, inválido, incapacitado); religioso (não: papa-hóstia, igrejeiro, carola, beato, barata de igreja);  travesti (não: traveco, boneca, bicha); candidato a concurso público / exame vestibular / Enem (não: concurseiro, vestibulando, Enemzeiro). Deixe senil para os médicos. Eles adoram erudição. Especial é usado apenas na expressão 'necessidades educacionais especiais'.

Nenhum comentário: