1ª) Custou CINCOENTA reais.
O certo é CINQUENTA (sem trema). Talvez por influência de cinco, há quem escreva cincoenta, mas isso não passa de invenção de comediante e de deputado.
O trema foi abolido pelo novo acordo ortográfico, mas a pronúncia continua a mesma, assim como frequente, consequência, tranquilo, bilingue, aguentar, pinguim, linguiça, sequestro, ambiguidade e sequência.
Cincoenta nunca teve registro no VOLP nem em nossos principais dicionários. É uma prática de segurança usada em cheques para evitar falsificação, assim como hum, treis, trêz, treiz, deiz, seicentos e seisentos.
E o correto é QUATORZE ou CATORZE?
Tanto faz como tanto fez, assim como QUOTA e COTA, QUOCIENTE e COCIENTE, QUOTIDIANO e COTIDIANO. As duas formas são aceitáveis. É bom lembrar que QUATORZE nunca se escreveu com trema (a vogal u é seguida de a e, além disso, o acento foi abolido pela nova reforma ortográfica).
2ª) Está fazendo zero GRAUS.
Pelo visto, o frio é tanto que congelou a concordância. ZERO é singular, portanto o correto é “zero GRAU, zero HORA e zero QUILÔMETRO”.
3ª) SÃO uma hora da tarde?
O verbo SER sempre concorda com as horas: "É uma hora da tarde"; "SÃO treze horas"; "SÃO duas horas"; "SÃO dez horas"; "É uma e dez da madrugada"; "É zero hora".
Assim sendo, "SÃO doze horas", mas "É meio-dia"; "SÃO doze horas e 30 minutos", mas "É meio-dia e meia". A mesma regra vale para distâncias: 'SÃO sete quilômetros', mas 'É um quilômetro', e datas: 'SÃO doze de outubro', mas 'É primeiro de outubro'.
4ª) ANEXO seguem os documentos.
A forma ANEXO corresponde a anexado e deve concordar com o substantivo a que se refere:
“ANEXOS seguem os documentos”
"ANEXA segue a nota fiscal"
"Os documentos solicitados estão ANEXOS"
A forma EM ANEXO é invariável, isto é, não vai para o feminino nem para o plural: “EM ANEXO, seguem os relatórios”; "Em anexo, segue a fatura'; "Em anexo, vão as oferendas".
5ª) Ele sempre QUIZ estudar.
O certo é ele QUIS.
O som "zê" na conjugação do verbo QUERER deve ser grafado sempre com "s": eu quis, tu quiseste, ele quis, nós quisemos, vós quisestes, eles quiseram, quando eu quiser, se eu quisesse, quisera... QUIZ existe, mas significa questionário, programa de perguntas e respostas. Se escrever 'Se Deus quizer', Deus não vai querer.
6ª) Ele REQUIS seus direitos.
O certo é ele REQUEREU.
O verbo REQUERER significa "pedir por meio de requerimento, reivindicar, solicitar". REQUERER, na sua conjugação, não segue o verbo "querer".
Nos tempos do pretérito, segue o modelo dos verbos regulares da 2ª conjugação: se ele VENDEU, BEBEU, COMEU, RECEBEU e APRENDEU, ele REQUEREU. REQUIS é invenção.
Eu QUERO > eu REQUEIRO > eu VENDO
Eu QUIS > eu REQUERI > eu VENDI
Eu QUISERA > eu REQUERERA > eu VENDERA
Se eu QUISESSE > se eu REQUERESSE > se eu VENDESSE
Quando eu QUISER > quando eu REQUERER > quando eu VENDER
7ª) Não estrupe a nossa língua.
O verbo é ESTUPRAR. ESTUPRADOR é quem comete ESTUPRO, no sentido de violência ou abuso sexual. ESTRUPO ou ESTRUPADA existem, mas não têm nada a ver com ESTUPRO ou ESTUPRADA. Significam tumulto, barulho.
8ª) Não depedre a sala de aula.
O verbo é DEPREDAR. Quem destrói comete DEPREDAÇÃO. Nada tem a ver com pedras. Jogar pedras é APEDREJAR. A palavra vem de PREDAÇÃO e PREDADOR.
9ª) Não seje infeliz.
Não seje, nem esteje, muito menos veje. Os verbos SER, ESTAR e VER, no presente do subjuntivo, são: SEJA, ESTEJA e VEJA (lembre-se da revista).
10ª) Houveram muitos problemas.
Pelo visto, mais problemas que se imaginava. O verbo HAVER, com o sentido de “existir ou acontecer”, é impessoal (sem sujeito), por isso só pode ser usado no singular. O certo é “HOUVE muitos problemas”.
11ª) Tivemos menas chances.
Pelo visto, MENOS chances do que se imaginava. A forma menas simplesmente é igual a Papai Noel: não existe.
12ª) Cuidado com os degrais.
Assim todos caem. O plural de degrau é DEGRAUS, assim como graus, saraus... A terminação “-ais” é para as palavras terminadas em “-al”: canais, animais, tribunais, aventais, manuais...
13ª) Ele não recebeu os troféis.
Troféis ninguém merece. O correto é TROFÉUS, assim como chapéus, réus, céus... A terminação “-éis” é para as palavras terminadas em “-el”: papéis, pastéis, quartéis, coronéis, tonéis...
14ª) Deixou tudo para mim fazer.
MIM não faz nada, você não é índio. Antes de verbo, na função de sujeito, devemos ter o pronome pessoal do caso reto: “...para EU fazer”. Mim é usado como objeto indireto, objeto direto preposicionado, complemento nominal, adjunto adverbial ou agente da passiva.
15ª) Terá de dividir entre eu e você.
Assim eu fico sem nada. Não há verbo após os pronomes, portanto não exercem a função de sujeito. Em razão disso, devemos usar o pronome pessoal oblíquo: “...entre MIM e você”.
16ª) Policiais não deteram os criminosos.
Deve ser por isso que os criminosos fogem. O verbo DETER é derivado de TER, assim como MANTER, CONTER, RETER, ENTRETER e OBTER, logo deve seguir sua conjugação. Se eles TIVERAM, o correto é DETIVERAM, RETIVERAM, MANTIVERAM, OBTIVERAM, CONTIVERAM e ENTRETIVERAM (e não ENTRETERAM nem ENTERTERAM).
17ª) Foram chamados os que ainda não deporam na CPI.
Assim ninguém vai depor. Os derivados do verbo PÔR, como DEPOR, PROPOR, IMPOR, COMPOR, EXPOR, REPOR, SUPOR, devem seguir sua conjugação. Se eles PUSERAM, o correto é DEPUSERAM, PROPUSERAM, IMPUSERAM, EXPUSERAM, COMPUSERAM, REPUSERAM, SUPUSERAM.
18ª) O juiz já interviu no caso.
Se “interviu”, foi mal. O verbo INTERVIR, assim como PROVIR, CONVIR, ADVIR, SOBREVIR e DESAVIR-SE (desentender-se) deve seguir a conjugação do verbo VIR. Se ele VEIO, “o juiz já INTERVEIO no caso”. Ele VEIO, então ele CONVEIO, ADVEIO, PROVEIO, SOBREVEIO e SE DESAVEIO (se desentendeu).
19ª) Ele não tinha intervido no caso.
Assim não dá. O particípio do verbo VIR é VINDO (igual ao gerúndio), o mesmo para os derivados, como PROVINDO, CONVINDO, ADVINDO, SOBREVINDO e DESAVINDO. O correto, portanto, é “Ele não tinha INTERVINDO no caso”.
20ª) Está prevista uma paralização para a próxima semana.
Será um fracasso. Se paralisia se escreve com “s”, as palavras derivadas devem ser grafas com “s”: paralisar e PARALISAÇÃO. Mesma regra para analisar e análise, pesquisar e pesquisa, improvisar e improviso, revisar e revisão, reprisar e reprise. Se não houver s no radical, usa-se IZAR: eterno e eternizar, útil e utilizar, símbolo e simbolizar. Existem cinco exceções: catequese e catequizar, síntese e sintetizar, hipnose e hipnotizar, batismo e batizar, ênfase e enfatizar.
21ª) Ele luta por sua ascenção profissional.
Assim fica difícil. Os substantivos derivados de verbos terminados em “-ender” (apreender, pretender, compreender, ascender, estender, ofender, defender, repreender, suspender, distender) devem ser escritos com “s”: apreensão, pretensão, compreensão, extensão, suspensão, repreensão, distensão, defesa, ofensa, ASCENSÃO.
22ª) Viajou a Tókio.
Não conheço essa cidade: com acento e “k”. Isso não é português nem inglês, que não tem acentos gráficos. A forma aportuguesada é TÓQUIO.
23ª) Era lutador de karatê.
A letra “k” não combina com acento gráfico. É mistura de inglês com português. A forma aportuguesada é CARATÊ.
24ª) Vire a esquerda.
Aprender crase em placa de trânsito é um perigo. Formas femininas que indicam “lugar, tempo, modo ou intensidade” recebem acento indicativo da crase: “Vire à esquerda”.
Tempo: às vezes, à tarde, à noite
Lugar: à direita, à esquerda
Modo: à vontade, às pressas, à francesa
Intensidade: à beça
25ª) Obras à cem metros.
Não disse que placa de trânsito é um perigo? Não põe o acento da crase quando deve, e põe quando não deve. Antes de palavras masculinas que não indicam ideia de moda ou maneira (redação à Jorge Amado), não há crase: “Obras a cem metros”.
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