segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Nossa Língua - Códigos, Linguagens e suas Tecnologias (21)

 Concordância verbal - estuda as relações de número e pessoa que se estabelecem entre o verbo e o sujeito a ele relacionado. Nessas relações, dois fatores são levados em conta: o tipo de sujeito e sua posição em relação ao verbo.

Regras gerais:

Em qualquer posição que se encontre o sujeito simples, o verbo concorda com ele.

A concordância do verbo com o sujeito composto é diferente: depende de sua posição e formação.

Se os núcleos forem da 3ª pessoa gramatical e se o sujeito estiver antes do verbo, o verbo vai para o plural. Se o sujeito estiver depois do verbo, o pode ir para o plural ou pode concordar com o núcleo mais próximo.

Observação: Quando houver ideia de reciprocidade, o verbo obrigatoriamente toma a forma plural.

Se os núcleos forem de pessoas gramaticais diferentes, o verbo vai para o plural na pessoa que prevalece: a 1ª pessoa prevalece sobre as demais, a 2ª pessoa prevalece sobre a 3ª.

Observação: No caso de 2ª e 3ª pessoas, é correto o uso do verbo na 3ª pessoa do plural, devido ao desuso do pronome vós no Brasil.

Núcleo formado por substantivo coletivo - o verbo concorda com o núcleo. 

Observação: No caso de adjunto adnominal plural, admite-se também a concordância com o adjunto.

Núcleo formado por nome próprio plural - não precedido de artigo ou com o artigo no singular, o verbo fica no singular. Precedido de artigo, o verbo toma a forma plural.

Observação: No caso de título de obra que apresente artigo no plural, admite-se também o verbo no singular.

Núcleo formado por pronome de tratamento - embora se refira à 2ª pessoa, o verbo toma sempre a forma da 3ª pessoa.

Núcleo formado pelo pronome relativo que - o verbo concorda com o antecedente do pronome.

Núcleo formado pelo pronome relativo quem - o verbo pode ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar com o antecedente do pronome, quando se pretende fazer uma concordância enfática.

Núcleo formado por pronome interrogativo, demonstrativo ou indefinido plural, seguido de 'de nós' ou 'de vós' - o verbo pode ficar na 3ª pessoa do plural ou concordar com o pronome pessoal.

Observação: Se o interrogativo, demonstrativo ou indefinido estiver no singular, o verbo só pode ficar no singular.

Núcleo formado por numeral percentual, fracionário ou decimal - o verbo concorda com o numeral ou com o substantivo que o segue, quando houver.

Sujeito formado por expressões:

a maioria de, uma porção de, grande número de, a maior parte de etc., seguidas de substantivo plural - o verbo pode ir para o singular, destacando o conjunto (construção habitual), ou para o plural, destacando os elementos que o formam (construção literária).

mais de, menos de, cerca de, perto de, seguidas de numeral e substantivo - o verbo concorda com o substantivo.

Observação: Se a expressão 'mais de um' indicar reciprocidade ou vier repetida, o verbo vai para o plural.

um dos que, uma das que - o verbo pode ir tanto para o singular quanto para o plural.

Concordâncias especiais do sujeito composto:

Sujeito antes do verbo 

Admitem-se as duas concordâncias: com núcleos sinônimos ou dispostos em gradação

Mantém-se o verbo no singular - se os núcleos se referirem à mesma pessoa ou coisa ou se estes forem resumidos por um pronome indefinido. Neste caso, o verbo deixa de concordar com o sujeito para concordar com o aposto.

Núcleos unidos por ou e nem - com sentido de exclusão ou sinonímia, o verbo fica no singular. Com sentido de adição, o verbo vai para o plural. Com sentido de retificação, o verbo concorda com o núcleo mais próximo.

Núcleos unidos por com - o verbo toma a forma plural quando se pretende atribuir aos núcleos o mesmo grau de importância, quando o 'com' funciona como conjunção aditiva. Toma a forma singular quando se quer enfatizar o primeiro núcleo, quando o 'com' funciona como parte de um adjunto adverbial de companhia, transformando o sujeito composto em sujeito simples

Expressões um ou outro, nem um nem outro, um e outro - o verbo pode tomar a forma singular ou plural, no entanto:

Com um ou outro, nem um nem outro - a preferência é pelo singular (plural = ênfase)

Com um e outro - a preferência é pelo plural (singular = ênfase)

Observação: Quando essas expressões forem seguidas de substantivo, este deve ficar no singular.

Sujeito com as conjunções correlativas aditivas não só... mas também e comparativas tanto... quanto - o verbo pode tomar a forma singular ou plural, no entanto a preferência é pelo plural.

Sujeito com infinitivos - o verbo toma a forma singular, e toma a forma plural se os infinitivos estiverem determinados ou forem antônimos.

Sujeito oracional - o verbo que tem como sujeito uma oração subordinada substantiva subjetiva, toma sempre a forma singular, mesmo que a oração seja reduzida.

Concordância do verbo com o pronome se:

Pronome apassivador - o verbo (transitivo direto ou transitivo direto e indireto) concorda com o sujeito, que estará sempre presente.

Índice de indeterminação do sujeito - o verbo (transitivo indireto, intransitivo, de ligação ou transitivo direto, seguido de objeto direto preposicionado) toma a forma singular, ainda que o restante da frase esteja no plural.

Concordância específica de alguns verbos:

Verbos dar, bater e soar - concordam com o sujeito, que pode ser o número de horas ou as palavras relógio ou afins, como sino, por exemplo.

Verbos faltar, sobrar, bastar e restar - concordam com o sujeito, que normalmente vem depois deles.

Verbos haver e fazer:

São impessoais, devendo ficar na 3ª pessoa do singular quando indicam tempo transcorrido. Com o verbo fazer, ocorre impessoalidade também na indicação de fenômeno natural. O verbo haver também é impessoal quando usado no sentido de existir, acontecer ou realizar-se, conquanto o objeto direto esteja no plural.

Observação: Os verbos impessoais estendem sua impessoalidade para o verbo auxiliar da locução verbal.

Concordância especial do verbo ser:

O verbo ser nem sempre concorda com o sujeito. Em alguns casos, sua concordância depende do tipo de palavra que forma o sujeito e o predicativo.

Ligando sujeito e predicativo de números diferentes, o verbo ser toma, preferencialmente, a forma plural: se ambos os termos forem nomes de coisas, se o sujeito for o pronome interrogativo quem, o indefinido tudo ou os demonstrativos isto, isso ou aquilo, uma expressão de sentido coletivo ou partitivo.

Observação: É correto o uso do verbo ser no singular, concordando com o sujeito, e não com o predicativo.

Ligando sujeito e predicativo formados de substantivos, sendo um deles referente a coisa e o outro referente a pessoa, o verbo ser concorda com a pessoa.

Ligando sujeito e preicativo formados de pronome pessoal e substantivo, o verbo ser concorda com o pronome pessoal.

O verbo ser é impessoal na indicação de horas, datas e distâncias e, diferentemente dos outros verbos impessoais, ele varia para concordar com o numeral.

O verbo ser é invariável nas expressões que indicam quantidade (peso, medida, preço, tempo, valor), seguidas de pouco, muito, suficiente, bastante, mais de, menos de.

O verbo parecer, seguido de infinitivo, admite duas concordâncias: varia o verbo parecer e não varia o infinitivo ou não varia o verbo parecer e varia o infinitivo.

Observações: 

1) Em orações desenvolvidas, o verbo parecer permanece no singular.

2) Se ao verbo parecer seguir-se um infinitivo pronominal, somente variará o infinitivo.

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