segunda-feira, 13 de junho de 2022

Flávia Rita - regência do verbo visar

 Regência do verbo visar

O verbo visar, semanticamente, pode exprimir o sentido de “olhar para”, “mirar”, “pôr o visto em alguma coisa”. Além disso, pode ser empregado também com o sentido de “ter como fim ou objetivo” ou “objetivar”.


Em termos de transitividade verbal, ele poderá assumir uma forma transitiva direta, indireta ou mesmo intransitiva. Nesses casos, a regência verbal variará de acordo com o sentido que se pretenda expressar.


Visar como verbo transitivo direto

Quando empregado como verbo transitivo direto, “visar” terá os sentidos de “pôr visto em”, mirar ou olhar para. Nesses casos, não haverá preposição regente, dado se tratar de um complemento verbal direto. Observe os seguintes exemplos:


A autoridade pública visou o passaporte.


O bancário visou o cheque.


A menina visava-o com olhos de lince.


Visar como verbo transitivo indireto

Como verbo transitivo indireto, “visar” será regido pela preposição “a”. Veja os exemplos:


O plano do governo visa a solucionar diversos problemas da cidade.


O grupo visa a construir uma nova sede de atividades.


O atleta visa à medalha de ouro.


OBS: Tenha em mente que a regência do verbo “visar” pode oscilar conforme o sentido em que for empregado. Quando o verbo for utilizado como “ter em vista”, “querer” ou “ter como fim ou objetivo”, ele assumirá uma regência facultativa. Nesse caso, poderá ser transitivo direto ou indireto, sendo ou não acompanhado da preposição “a”. Veja os exemplos:


O trabalho sério do homem que visa ao futuro. (Alencar: Jucá)


O trabalho sério do homem que visa o futuro. (Alencar: Jucá)


Os fins a que os pesquisadores visavam eram nobres.


Os fins que os pesquisadores visavam eram nobres.


A nota emitida pela entidade visa a esclarecer a situação ocorrida ontem.


A nota emitida pela entidade visa esclarecer a situação ocorrida ontem.


Aquilo a que o governo visa é a justiça social.


Aquilo que o governo visa é a justiça social.


Nesses casos, embora a regência original seja na preposição “a”, sendo o verbo transitivo indireto, em razão do campo semântico equivalente aos verbos “buscar”, “procurar”, “pretender” etc., passou-se a aceitar também a transitividade direta. Nessa situação, portanto, dispensa-se a preposição “a”. Confira mais exemplos:


Todas essas considerações visam apenas glosar os debates. (Joaquim Ribeiro)


O ataque visava cortar a retaguarda da linha de frente. (Euclides da Cunha)


Aquilo não visava outro interesse. (Aluísio Azevedo).


Geralmente nós não visamos o mal, visamos o remédio. (Mário de Andrade)


[…] visando apenas os interesses do povo. (Érico Veríssimo).

Nenhum comentário: