QUANDO O INFINITIVO DEVE FLEXIONAR?
Em poucas palavras, o verbo deve flexionar quando estiver se referindo a um sujeito específico, seja ele expresso, genérico ou oculto. Normalmente, as pessoas costumam flexionar o verbo de acordo com o sujeito e esquecem que há ocasiões em que ele não deve concordar, é onde mora a importância de saber quando a flexão deve ocorrer.
O infinitivo pessoal é conjugado da seguinte maneira:
1ª CONJUGAÇÃO
(SUFIXO–AR) 2ª CONJUGAÇÃO
(SUFIXO –ER) 3ª CONJUGAÇÃO
(SUFIXO –IR)
VERBO: CANTAR VERBO: FAZER VERBO: DORMIR
Eu cantar Eu fazer Eu dormir
Tu cantares Tu fazeres Tu dormires
Ele cantar Ele fazer Ele dormir
Nós cantarmos Nós fazermos Nós dormirmos
Vós cantardes Vós fazerdes Vós dormirdes
Eles cantarem Eles fazerem Eles dormirem
No entanto, o pronome “tu” no singular, assim como o “vós”, no plural, caíram em desuso no português brasileiro atual (exceto pelos gaúchos, que ainda usam o “tu”, mas eles também não conjugam da forma tradicional) e, apesar dos concursos e vestibulares ainda cobrarem essa conjugação, no cotidiano substituímos o “tu” por “você” e o “vós” por “vocês”, que são conjugados assim:
Você cantar Você fazer Você dormir
Vocês cantarem Vocês fazerem Vocês dormirem
Existem algumas convenções a respeito da concordância do verbo pessoal, eu listei pelo menos 8 dessas regras pra te auxiliar em um momento de dúvida. Confira:
1) Use o infinitivo pessoal quando o verbo for reflexivo
Quando o verbo tem ação reflexiva, como o próprio nome sugere, a ação reflete no sujeito da frase, sendo assim a ação recai sobre a pessoa que realizou a ação. O verbo reflexivo é marcado pelo uso do pronome oblíquo átono. Exemplos:
“Ele cortou-se enquanto fazia o jantar”.
“Os jurados arrependeram-se de sua decisão”.
“Os jurados se arrependeram de sua decisão”.
2) Use o infinitivo pessoal quando o verbo for recíproco
Quando o verbo tem ação recíproca, a ação sugere uma troca entre as pessoas da oração. Veja alguns exemplos:
“Observamos as moças se perguntarem sobre o anúncio”.
“Nos certificaremos de que o estatuto será cumprido”.
“Elas se culpam pela perda até hoje”.
Em relação à regra do verbo recíproco, pode haver ambiguidade na interpretação do enunciado, já que as pessoas do pronome são as mesmas. Na frase “Elas se culpam pela perda até hoje”, por exemplo, é difícil distinguir se elas carregam a mesma culpa pelo ocorrido ou se elas culpam uma à outra, que são coisas bem diferentes.
Nesses casos, aconselha-se que, ao invés de simplesmente flexionar o verbo, se incluam outros elementos na frase, reescrevendo-a de maneira que a ambiguidade não exista. Por exemplo:
“Elas culpam uma à outra pela perda até hoje”
“Elas culpam a si mesmas pela perda até hoje”.
“Elas se culpam entre si pela perda até hoje”.
“Elas se culpam mutuamente pela perda até hoje”.
3) Use o infinitivo pessoal quando a oração estiver na voz passiva
Já as orações na voz passiva são aquelas que sugerem que o sujeito sofreu, sofrerá ou está sofrendo uma ação sobre ele. Sempre que esse sujeito estiver no plural, o verbo deverá concordar com a pessoa desse sujeito. Como nas orações a seguir:
“Estes são os portifólios a serem analisados”.
“Vendem-se casas”.
“Os alunos foram denunciados por colarem na prova”.
É importante destacar que sempre quando, na voz passiva, é usado um verbo ligado ao pronome oblíquo “se” no modo sintético (precedido de hífen), o verbo deve ser flexionado de acordo com o sujeito, como nos seguintes casos:
“Alugam-se carros”.
“Estabeleceram-se as justificativas”.
“Concluíram-se as defesas”.
4) Use o infinitivo pessoal em orações reduzidas
As orações reduzidas são aquelas que possuem verbos na sua forma nominal, que podem ser reduzidas de infinitivo, de gerúndio ou de particípio. São chamadas assim pois são os respectivos modos verbais usados para suprimir conjunções e pronomes do texto, deixando a oração menor.
Em oposição às orações reduzidas estão as orações desenvolvidas, que possuem mais elementos e são mais complexas e às vezes podem conter mais detalhes, mas a mudança da forma desenvolvida para a forma reduzida não costuma causar alterações consideráveis no sentido.
Nesse caso, como estamos falando de infinitivo, irei mencionar apenas as orações reduzidas de infinitivo. Elas são chamadas assim porque o elemento usado para condensar a oração é um verbo no modo infinitivo.
Sempre que o sujeito de uma oração reduzida de infinitivo estiver no plural, ainda que o sujeito esteja localizado na oração principal e não na reduzida, o verbo irá concordar com ele. Observe os exemplos a seguir:
Desenvolvida: “É indispensável que eles compareçam no processo seletivo”.
Reduzida: “É indispensável comparecerem no processo seletivo”.
Desenvolvida: “Para que eles ganhem o prêmio, é necessário que eles mereçam“.
Reduzida: “Para ganharem o prêmio, é necessário merecerem“.
Desenvolvida: “Eu ainda tenho esperança de que conquistem a Copa de novo”.
Reduzida: “Eu ainda tenho esperança de conquistarem a Copa de novo”.
5) Use o infinitivo pessoal quando o sujeito estiver claramente expresso na oração
Essa regra é simples. Se, na oração, houver um sujeito, ainda que oculto, e esse sujeito não for genérico ou indeterminado, a concordância deve existir:
“Trouxeram o suicida para nós conversarmos com ele” (sujeito: nós).
“A embarcação foi ancorada para eles observarem os nativos de longe” (sujeito: eles).
“Vocês são muito calmos para serem bandidos” (sujeito: vocês).
Lembrando que é facultativo o uso da flexão do infinitivo quando o verbo estiver acompanhado das preposições “sem”, “de”, “a”, “para” ou “em”, isso caso não gere estranheza e/ou ambiguidades.
6) Use o infinitivo pessoal quando o verbo em questão for de ligação
Os verbos de ligação expressam estado e estão sempre acompanhados de características ligadas ao verbo, por isso são chamados dessa forma. Sempre que o verbo em questão for de ligação, ele deve ser flexionado de acordo com a pessoa do sujeito.
Os verbos de ligação são divididos entre permanente, transitório, mutatório, contínuo e aparente (mas esqueçam a classificação por enquanto). São eles: estar, ser, viver, andar, achar-se, encontrar-se, ficar, virar, tornar-se, fazer-se, continuar, permanecer e parecer. Exemplos:
“Minha namorada vive cantarolando aquela velha canção”.
“Sua filha está cada vez mais esperta“.
“Marcos insistiu muito para tornar-se campeão“.
“As decisões a serem tomadas pelo juíz são de importância imediata”.
7) Use o infinitivo pessoal quando quiser enfatizar o agente ao invés da ação
Existem casos em que é facultativo utilizar o infinitivo não flexionado, mas a não flexão produz um efeito de sentido que joga a ênfase para o verbo, para a ação, enquanto flexionar o verbo joga a ênfase para o sujeito que realiza a ação ou o agente. Exemplos:
“Há decisões complicadas para tomarmos“. (ênfase no sujeito: nós)
“Há decisões difíceis para serem tomadas”. (ênfase no sujeito: elas/decisões)
8) Use o infinitivo pessoal quando houver ambiguidade em relação ao sujeito
Quando uma oração tem dois sujeitos diferentes, a flexão do verbo evita que se confunda a quem a ação está se relacionando. Por isso, mesmo em casos em que o uso do infinitivo impessoal é permitido, é preferível utilizar o modo pessoal. Exemplos:
“A mãe liberou as filhas para subirem a escadaria”.
Ainda que seja permitido usar “subir” ao invés de “subirem”, quem vai subir a escadaria são as filhas, não a mãe. Por isso a flexão resolve o problema da ambiguidade. Se o verbo estivesse no infinitivo impessoal, poder-se-ia interpretar que a mãe ia subir a escadaria e não as filhas.
“O escultor negociou com os mercadores para venderem suas cerâmicas mais rápido”.
Se o verbo “vender” estivesse no infinitivo impessoal, ou seja, se não flexionasse no plural, a frase seria passível de confusão, pois tanto o escultor como os mercadores poderiam ser interpretados como responsáveis pela venda.
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