sábado, 1 de janeiro de 2022

Uso da crase - Aline Gasperi

 O que é crase?

Se engana quem acha que é simplesmente o caractere “à”. Os gramáticos chamam de crase a fusão de um ou mais sons em um único (BECHARA, 2009). Sendo assim, ocorre crase, por exemplo, quando, ao invés de “de a”, falamos “da” (fundindo o som do “e” e do “a” em “a”).


Costumamos associar o termo “crase” à vogal com acento grave “à” porque ela é o tipo mais conhecido de crase, embora as pessoas saibam muito pouco sobre como usá-la. Os gramáticos vão me fuzilar por isso, mas para facilitar, sempre que eu mencionar o termo “crase” aqui, vou estar me referindo à vogal com acento grave “à”.


Preposição, artigo e pronomes

A crase ocorre pela fusão sonora do “a” preposição e do “a” artigo feminino ou “a” de alguns pronomes. O fato de terem o mesmo som pode dificultar a identificação de cada um, o que resulta em equívocos no uso da crase. Tentarei defini-los de um jeito simples.


O “a” é preposição quando determina um sentido específico entre duas palavras, podendo ligar um verbo a um substantivo, um substantivo a um adjetivo ou um substantivo a outro. Normalmente indicam que houve um deslocamento ou caracterizam o modo ou condição em que algo foi feito.


Não se pode tirar a preposição do contexto, ou a frase fica incompleta. Em geral, pode ser substituido por “para”, “por”, “até” ou “pelo(a)”, entre outros. Exemplos:


“Dei minha juventude a você” / “Dei minha juventude para você”

“Seu segredo está guardado a sete chaves” / “Seu segredo está guardado por sete chaves”

“Ela queria que a notícia chegasse a você” / “Ela queria que a notícia chegasse até você”


O “a” é artigo quando simplesmente indica/rege/antecede um substantivo feminino. Em alguns casos, o artigo pode ser retirado da frase sem comprometer o seu sentido. Pode ser substituído por “uma” ou “esta”. Exemplos:


“Uso a chapinha” / “Uso uma chapinha” / “Uso chapinha”

“Lavei a calça essa semana” / “Lavei esta calça essa semana” / “Lavei calça essa semana”


Exemplo de exceção: “Paguei a construção da casa” / “Paguei pela construção da casa” (apesar de ser substituível por “para”, aqui a função do “a” foi de introduzir o objeto direto: o substantivo feminino “construção”).


Pronomes são termos que substituem outros em uma sentença. Eles evitam repetições excessivas e melhoram a estética e a coesão de um texto.


Alguns pronomes relativos, chamados assim porque são relacionados a um termo mencionado anteriormente em uma frase, estão sujeitos a levar acento grave. São eles: “a qual” e “as quais”.


Também há certos pronomes demonstrativos, que têm a função de apontar a localização de um objeto ou de uma palavra em um texto, sujeitos a levar acento grave. São eles: “tal”, “tais”, “mesma(s)” “aquele(s)”, “aquela(s)” e “aquilo”.


Quando ocorre a crase?

Nem sempre é tão óbvio identificar quais as ocasiões em que há o encontro da preposição com o artigo ou o pronome. Por isso, vou dar algumas dicas que podem ser úteis nessa identificação.


1. Quando o “a” preposição encontra o “a” artigo feminino

A regra mais básica é essa. Sempre que houver o encontro do “a” preposição com o “a” que antecede um substantivo feminino, as vogais se fundirão e levarão acento grave. Exemplos:


“Devido a a intervenção na piscina, não haverá natação amanhã” / “Devido à intervenção na piscina, não haverá natação amanhã”

“Eles foram a a farmácia” / “Eles foram à farmácia”


Normalmente não há dúvidas sobre um substantivo ser feminino ou masculino, mas as dúvidas mais comuns são sobre a presença ou não de artigo ou preposição em uma oração. Uma dica de Bezerra (2015) é substituir o substantivo feminino por um masculino correspondente.


Se o elemento que o anteceder for “o” ou “os”, quer dizer que não há preposição, por isso não vai acento grave. Se, ao contrário, o elemento regente for “ao” ou “aos”, quer dizer que há preposição, por isso a crase é necessária. Exemplos:


“Ele vai ao rio todos os dias” / “Ele vai à praia todos os dias”

“Sempre visito o local encantado” / “Sempre visito a cidade encantada”

“Nunca obedeci aos mandamentos dela” / “Nunca obedeci às ordens dela”


2. Antes de alguns pronomes relativos e demonstrativos

Sempre que houver preposição “a” antes de “tal”, “tais”, “mesma(s)“, “aquele(s)“, “aquela(s)“, “aquilo“, “a qual” ou “as quais“, vai haver crase. Exemplos:


“Me submeti a as mesmas provas que você” / “Me submeti às mesmas provas que você”

“Comunicaram a as tais moças sobre isso” / “Comunicaram às tais moças sobre isso”

“Entreguei umas moedas para aquele mendigo” / “Entreguei umas moedas a aquele mendigo” / “Entreguei umas moedas àquele mendigo”

“Morreu a policial para a qual fizemos a denúncia” / “Morreu a policial a a qual fizemos a denúncia” / “Morreu a policial à qual fizemos a denúncia”


Um jeito simples de descobrir se há preposição ou não antes desses pronomes é reescrevendo a sentença usando os demonstrativos “esta(s)”, “este(s) ou isto e verificar se a preposição “a” é exigida. Se for possível, substituir por “naquele” ou “naquela”, também é sinal de que a crase é necessária. Exemplos:


“Me submeti a estas mesmas provas” / “Me submeti às mesmas provas”

“Nunca iria a esta festa” / “Nunca iria naquela festa” / “Nunca iria àquela festa”

“Todos compraram estas frutas famintos” / “Todos compraram aquelas frutas famintos”


3. Quando forma uma locução adverbial de substantivo feminino

Quando uma preposição e um substantivo dão característica de tempo, modo, lugar ou quantidade a um verbo, faz parte de uma locução adverbial. Se o substantivo dessa locução for feminino, quando precedido da preposição “a”, use crase. Exemplos:


“Vovó está à beira da morte”

“Ele viajou às pressas”

“Às vezes, vou muito cedo ao escritório”

“Estou à toa essa semana”


Observação: as expressões “dormir a sesta” e “levar a breca” não contém crase.


Exceção: Bezerra (2015) defende que, nos adjuntos adverbiais de instrumento (à faca, à espada, à mão, à foice, etc.) só se deve usar a crase se sua ausência gerar ambiguidade. Outros aceitam seu uso em qualquer circunstância. Verifique exemplos na regra a seguir.


4. Quando se quer evitar ambiguidades

É consensual entre os gramáticos que a ausência da crase pode comprometer a clareza interpretativa em alguns casos, dando duplo sentido a uma sentença. Para estes casos, a maioria dos gramáticos permite usar a crase para estabelecer clareza, de acordo com o sentido que se quer estabelecer. Exemplos:


“Ele colocou a venda” [ele foi vendado]

“Ele colocou à venda” [ele colocou algo para ser vendido]


“Vou lavar a mão” [vai lavar as mãos]

“Vou lavar à mão” [vai lavar algo com as mãos]


“Fizeram um discurso a Fidel Castro” [Fidel Castro recebeu um discurso]

“Fizeram um discurso à Fidel Castro” [imitando Fidel Castro]


Observação: Alguns gramáticos, como Luft (2005) e Bezerra (2015), por exemplo, defendem que, para fins de evitar ambiguidades, se deve usar a crase na locução adverbial “à distância”. Não é consensual entre os linguistas, mas, se há autores consagrados que o defendem, há justificativa e fundamento (particularmente, prefiro usar). Exemplos:


“O policial observou a distância” [ele observou o espaço entre um objeto e outro]

“O policial observou à distância” [ele ficou observando de longe]


“Eu namoro a distância” [a pessoa tem um relacionamento com a distância]

“Eu namoro à distância” [a pessoa namora alguém que mora longe]


5. Quando se quer diferenciar um substantivo qualquer de um determinado

Normalmente, a função dos artigos e pronomes demonstrativos é de definir o substantivo. Quando se quer falar de um substantivo qualquer, genérico, abstrato, não use crase, mas quando se quer determiná-lo ou especificá-lo, a crase ajuda nessa interpretação. Exemplos:


“Ela é boa funcionária, mas nunca vai a reunião” [não vai a qualquer reunião]

“Ela é boa funcionária, mas nunca vai à reunião” [é uma reunião específica]


“Ele nunca foi a escola” [nunca foi a qualquer escola]

“Ele nunca foi à escola” [nunca foi a uma escola específica]


Observação: essa regra explica porque muitos gramáticos defendem que não se deve usar crase na expressão “a distância”, muito usada em “ensino a distância”, 'curso a distância' e 'graduação a distância', por exemplo. Eles alegam que a crase só deve ser usada quando essa distância for determinada, específica. Exemplo:


“Nossos corações estão à distância de um telefonema”

“Minha faculdade fica à distância de 500 metros daqui“


6. Quando for possível reger o substantivo com “da”, “na”, “pela”

Se estiver em dúvida se há artigo ou não em um topônimo, reescreva a frase de maneira que dê para regê-la com “da”, “na” ou “pela”. Se a regência for possível, quer dizer que o acento grave é obrigatório, mas se a regência só for possível com “de”, “em” e “por”, quer dizer que não há artigo nessa oração. Exemplo:


Fui à Gávea [Vim da Gávea / Moro na Gávea / Passei pela Gávea]

Fui a Copacabana [Vim de Copacabana / Moro em Copacabana / Passei por Copacabana]


Observação: concordando com a regra anterior, se o mesmo substantivo vier acrescido de algum adjetivo ou locução adjetiva, ou seja, se houver elementos com uma relação de dependência com função de especificar esse substantivo ou caracterizar o verbo da oração, a crase vai ocorrer. Exemplo:


Voltei à Copacabana de minha infância [Vim da Copacabana de minha infância / Moro na Copacabana de minha infância / Passei pela Copacabana de minha infância]


7. Antes de horas específicas

Em numerais que expressam horas exatas, deverá haver acento grave, pois nesse caso as horas assumem função de substantivo feminino. Exemplos:


“Combinamos de nos encontrar às 20h”

“A partida terá início às 21:15h“


Exceção: se a hora mencionada não for especificada, o que cabe aos casos em que o artigo não é exigido, não se usa o acento grave. Exemplos:


“Meu filho saiu após as 23h”

“Chegarei daqui a uma hora”

“São 2h a 3h de voo”


Observação: Se atente para os casos em que a crase pode determinar o sentido de uma oração. Exemplos:


“Partiremos daqui a uma hora” [a hora não está definida, apenas aproximada]

“Partiremos daqui à uma hora” [há hora definida para a partida]


8. Após verbos transitivos indiretos com preposição “a”

Os verbos transitivos indiretos são verbos que exigem um complemento para dar sentido a uma sentença. Esse complemento precisa ser regido/antecedido por preposição, o que caracteriza um objeto indireto. Se a preposição for “a” e o objeto indireto for um substantivo feminino, a regra é clara: use crase. Exemplos:


“Minha coordenadora compareceu à banca” (aqui, quem compareceu, compareceu a algum lugar, e não compareceu algum lugar. A preposição é necessária para não causar estranhamento, por isso é transitivo indireto)

“Entreguei minha dissertação à orientadora hoje” (aqui, quem entregou, entregou a alguém, e não simplesmente entregou alguém. A preposição é necessária para não causar comprometimento no sentido, por isso é transitivo indireto).


Observação: um mesmo verbo pode ser transitivo direto em uma frase, transitivo indireto em outra e intransitivo em outra. Em geral, os verbos não estão condenados a ser apenas de uma categoria, mas eles podem mudar de categoria dependendo da sua condição na sentença. Por exemplo, eu poderia dizer “Entregaram a orientadora para a polícia”, e no sentido de entregar alguém, o verbo “entregar” se torna transitivo direto, pois não pede preposição. Sendo assim, é necessário analisar cada caso.


Quando não ocorre a crase?

Também é comum colocar crase a rodo na frente de substantivos femininos, sem nem fazer o exercício de verificar se há preposição “a” + artigo feminino na oração, por isso trouxe algumas dicas de quando não usar a crase.


1. Antes de pronomes com sentido vago ou indefinido

Termos ou pronomes com sentido vago ou indefinido dispensam o uso de artigo feminino e, consequentemente, dispensam crase. Alguns deles são: “uma”, “nenhuma”, “certa”, “qualquer”, “cada”, “toda”. Exemplos:


“Eu não me dirijo a certas pessoas”

“Querem meu dinheiro a qualquer custo”


Exceções: Diante dos pronomes indefinidos “outra” ou “outras” pode haver crase se forem regidos por preposição “a”, como em “elas abraçaram umas às outras”.


Quando “uma” for um numeral escrito por extenso, está sujeito às mesmas regras do craseamento, sendo assim, há crase em “combinamos de nos ver à uma hora”, mas não há em “combinamos de nos ver daqui a vinte minutos”. Ver explicação na próxima regra.


2. Antes de numerais que antecedem um substantivo

Quando um numeral antecede um substantivo, mesmo um feminino, ele dispensa o uso do artigo, por isso não há crase, mesmo porque não ocorre a fusão de dois sons iguais. Exemplos:


“Seu segredo está guardado a sete chaves”

“Ele está a duas milhas da superfície”

“Daqui a dez quadras chegaremos ao destino”


3. Antes dos pronomes relativos “quem”, “cuja” e “que”

Quando a preposição “a” estiver antecedendo os pronomes relativos “quem”, “cuja” e “que”, não se usa artigo, por isso não há crase. Exemplos:


“O artista a cuja obra falaram mal, está mundialmente famoso”

“A imagem a que mencionamos foi premiada”

“A mulher a quem fizeram a denúncia foi morta”


Exceção: quando “a que” ou “as que” forem equivalentes a “aquela que” ou “aquelas que”, se vierem regidas pela preposição “a”, podem ser craseadas. Exemplos:


“Os prêmios foram entreguem somente a aquelas que discursaram” / “Os prêmios foram entregues somente às que discursaram”


4. Antes de verbos

É muito comum o uso da preposição “a” em verbos no infinitivo, que é o verbo que está no seu estado puro, sem sofrer qualquer tipo de flexão. Quando a preposição “a” anteceder verbos sem flexão, não ocorre a crase, pois não há artigo quando se trata de verbos, só de substantivos. Exemplos:


“Fiquei a ver navios”

“Ela compôs versos a chorar“


Também é possível encontrar “a” antes de verbos flexionados, mas nesse caso, não se trata de uma preposição, mas de um pronome oblíquo. Exemplos:


“Eles a sentenciaram ao celibato” [eles sentenciaram ela ao celibato]

“O chefe as demitiu por irresponsabilidade” [ele demitiu elas por irresponsabilidade]


5. Antes de pronomes pessoais e expressões de tratamento

Não se usa crase antes dos pronomes pessoais “eu”, “tu”, “ele”, “nós”, “vós”, “eles”, dos pronomes pessoais oblíquos “me”, “te”, “o”, “a”, “se”, “lhe”, “nos”, “vos”, “os”, “as”, “se”, “lhes” ou dos pronomes de tratamento “Vossa Excelência”, “Vossa Senhoria” ou simplesmente “você” (sim, lembra que é uma abreviação de “Vossa Mercê”? Mas também vale como substituto para “tu”). Exemplos:


“Não disseram toda verdade a ela”

“Me dirijo a Vossa Ex.ª com muita reverência”

“Eles demoraram a se explicar”


Exceção: as expressões “dona”, “senhora”, “senhorita” e “madame” não se aplicam a essa regra.


6. Após outras preposições

Não se usa duas preposições juntas e para a crase acontecer é necessário que a preposição que antecede o artigo seja “a”. Sendo assim, diante de preposições como “ante”, “após”, “com”, “conforme”, “contra”, “desde”, “durante”, “entre”, “mediante”, “para”, “perante”, “sob”, “sobre” e “segundo” não se usa crase, pois o “a” que aparece depois delas é apenas artigo. Exemplos:


“O juiz anulou a acusação mediante a apresentação de provas”

“O deputado é contra a legalização da maconha”

“Todos se calaram perante a manifestação daquela criança”


7. Em expressões com repetição em que há preposição “a”

Algumas expressões populares que fazem uso da repetição de substantivos usam a preposição “a” antes de substantivos femininos, mas a crase, nelas, é inexistente. Exemplos:


“Me encontrei cara a cara com meu ex”

“O médico contava gota a gota“


8. Após verbos transitivos diretos

Os verbos transitivos diretos são aqueles que exigem complemento para que a frase esteja completa, e esse complemento não é regido/antecedido por uma preposição (exceto em casos especiais, como o objeto direto preposicionado), o que caracteriza um objeto direto, e se não há preposição, não há crase. Se houver um “a” após esses verbos, ele é apenas artigo. Exemplos:


“Ontem, ela disse a palavra certa” (aqui, quem disse, disse algo, e não disse a algo. Foi direto para o substantivo, sem preposição, por isso é transitivo direto)

“Semana passada eu fiz a proposta” (aqui, quem fez, fez algo, e não fez a algo. Foi direto para o substantivo, sem preposição, por isso é transitivo direto)

“Quem me dera eu tivesse a garra dele” (aqui, quem tem, tem algo, e não tem a algo. Foi direto para o substantivo, sem preposição, por isso é transitivo direto)


Observação: Nada impede que um verbo intransitivo seja, em outra frase, transitivo, ou seja, apesar de “choveu” ter sentido completo, também posso dizer “choveu à meia-noite”, conferindo uma locução adverbial para caracterizar a chuva, e aí a crase é necessária. Resumindo, nenhum verbo está condenado a ser apenas transitivo ou apenas intransitivo, é necessario estudar sua condição em cada caso.


Quando o uso da crase é facultativo?

Em algumas ocasiões, usar ou não a crase não irá alterar ou comprometer o sentido da frase, por isso seu uso é facultativo. Na verdade, o que é facultativo é o uso do ARTIGO ou o uso da PREPOSIÇÃO. Na sequência, veja alguns desses casos.


1. Antes de pronomes possessivos que antecedem substantivos femininos precisos

Se o pronome possessivo servir para definir claramente a quem pertence o substantivo feminino, é facultativo usar a crase, pois nesse caso o emprego do artigo é uma questão apenas estética. Exemplo:


“Ela foi a minha casa” / “Ela foi à minha casa”

“Desistiu da viagem devido a sua doença” / “Desistiu da viagem devido à sua doença”

“Julia invejou a minha piscina” / “Julia invejou à minha piscina“


Exceções: se o pronome possessivo estiver no plural, significa obrigatóriamente que há artigo, por isso já não é facultativo o uso da crase, mas obrigatório ou proibido. Exemplo:


“Ninguém ofendeu a vossas irmãs” [não tem artigo]

“Ninguém ofendeu às vossas irmãs” [tem artigo]


Se o pronome possessivo estiver se referindo a um substantivo em elipse, é obrigatório o uso da crase. Exemplo:


“Ele não atendeu sua proposta, mas à minha” [à minha proposta]


2. Antes de nomes próprios femininos

Os nomes próprios femininos dispensam necessidade obrigatória de crase, deixando seu uso facultativo, sendo questão de preferência. Exemplos:


“Chamaram a Maria” / “Chamaram à Maria”

“Respondi a Ângela sobre a tarefa” / “Respondi à Ângela sobre a tarefa”


3. Após a preposição “até”

Apesar de não se usar duas preposições juntas, há uma flexibilidade quando se trata de “até a”, pois a expressão é uma locução prepositiva, ou seja, são dois elementos que têm função de uma única preposição.


“Andei devagar até a porta” / “Andei devagar até à porta”


Observação: Não se esqueça de verificar se a ausência ou uso da crase implicam em ambiguidade na frase. Exemplo:


“Fui até as autoridades me defender” [a pessoa se dirigiu para as autoridades]

“Fui até às autoridades me defender” [a pessoa recorreu inclusive às autoridades]


4. Após verbos que podem ser transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo

Alguns verbos têm a flexibilidade de serem transitivo direto e indireto ao mesmo tempo, ou seja, com ou sem a preposição, eles não comprometem o sentido. Nesses casos, o uso da crase é a critério do escritor. Exemplo:


“Minha dissertação obedece as normas da ABNT” (obedece algo)

“Minha dissertação obedece às normas da ABNT” (obedece a algo)

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