sábado, 15 de agosto de 2020

Nossa Língua - Códigos, Linguagens e suas Tecnologias (5)

 Pronome - é a palavra que substitui, retoma ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do discurso, situando-o no espaço, no tempo ou no próprio texto.

Dependendo da relação que existe entre os seres e as pessoas do discurso, os pronomes se classificam em pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos, relativos, reflexivos e recíprocos.

São pessoais os pronomes que substituem os substantivos, indicando as pessoas do discurso. São de três tipos: do caso reto, do caso oblíquo e de tratamento. A divisão dos pronomes pessoais em retos e oblíquos é feita de acordo com a função que exercem nas orações.

1ª pessoa - aquela que fala (falante)

2ª pessoa - aquela com quem se fala (interlocutor)

3ª pessoa - aquela ou aquilo de quem ou de que se fala (referente)

São do caso reto os pronomes que funcionam como sujeito, predicativo do sujeito, aposto ou vocativo, esse último com tu e vós. São do caso oblíquo os pronomes que funcionam como objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial ou sujeito de infinitivo, com verbo causativo ou sensitivo.

Pronomes pessoais do caso reto:

1ª pessoa do singular - eu

2ª pessoa do singular - tu

3ª pessoa do singular - ele, ela

1ª pessoa do plural - nós

2ª pessoa do plural - vós

3ª pessoa do plural - eles, elas

Pronomes pessoais do caso oblíquo:

1ª pessoa do singular - me, mim, comigo

2ª pessoa do singular - te, ti, contigo

3ª pessoa do singular - se, si, consigo, o, a, lhe, ele, ela

1ª pessoa do plural - nos, nós, conosco

2ª pessoa do plural - vos, vós, convosco

3ª pessoa do plural - se, si, consigo, os, as, lhes, eles, elas

A divisão dos pronomes pessoais do caso oblíquo em átonos e tônicos é feita de acordo com a intensidade com que são pronunciados na frase. São átonos os pronunciados com menor intensidade, por isso são usados diretamente no verbo. São tônicos os pronunciados com maior intensidade, portanto são usados com preposição. 

Os pronomes pessoais oblíquos tônicos são sempre precedidos de preposição. Da preposição 'com' combinada com o pronome pessoal oblíquo que a segue, originam-se as formas comigo, contigo, consigo, conosco e convosco.

Os pronomes pessoais oblíquos átonos o, a, os, as, quando colocados antes do verbo (próclise), após o verbo (ênclise) ou no meio do verbo (mesóclise), podem assumir três formas:

o, a, os, as - se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral, ou se o pronome aparecer antes do verbo (próclise)

lo, la, los, las - se o verbo terminar em r, s ou z, após a supressão dessas terminações

no, na, nos, nas - se o verbo terminar em som nasal

O, a, os, as, quando artigos definidos, acompanham um substantivo, indicando se tratar de um ser específico da espécie. Quando pronomes pessoais, substituem um substantivo, indicando se tratar de um ser que representa a 3ª pessoa do discurso.

São de tratamento os pronomes que indicam o grau de formalidade existente entre as pessoas do discurso: o emissor se dirige ao receptor tratando-o por você (tratamento íntimo, familiar) ou por senhor, senhora ou senhorita (tratamento cerimonioso, respeitoso, esse último usado apenas para moças solteiras). Certas autoridades exigem tratamentos específicos.

Pronomes de tratamento mais usados:

Vossa Majestade (V. M.) - reis, imperadores

Vossa Alteza (V. A.) - príncipes, duques, arquiduques

Vossa Santidade (V. S.) - papa, Dalai Lama

Vossa Eminência (V. Ema.) - cardeais

Vossa Paternidade (V. P.) - abades, superiores dos conventos

Vossa Reverendíssima (V. Revma.) - sacerdotes e religiosos em geral

Vossa Magnificência (V. Maga.) - reitores de universidades e outras instituições de ensino superior

Vossa Excelência (V. Exa.) - altas autoridades do Governo e oficiais-generais das Forças Armadas

Vossa Senhoria (V. Sa.) - funcionários públicos graduados, oficiais até coronel, pessoas de cerimônia. Normalmente se usa em textos escritos, como cartas comerciais, ofícios, requerimentos etc.

Apesar de se referirem à 2ª pessoa do discurso, os pronomes de tratamento exigem o verbo e outros pronomes que se referirem a eles na 3ª pessoa. 

Na maior parte do Brasil, os pronomes de 2ª pessoa tu e vós foram substituídos, no tratamento familiar, pelos pronomes de tratamento você e vocês e, no tratamento respeitoso, por senhor e senhora. O pronome vós ainda subsiste em textos literários ou litúrgicos.

Os pronomes de tratamento iniciados por vossa têm essa forma alterada para 'sua' quando se referem à 3ª pessoa do discurso, isto é, à pessoa mencionada no ato comunicativo.

São também pronomes de tratamento as formas dom, dona e madame.

São possessivos os pronomes que indicam relações existentes entre as coisas possuídas e seus possuidores, que são as pessoas do discurso.

1ª pessoa do singular - meu, minha, meus, minhas

2ª pessoa do singular - teu, tua, teus, tuas

3ª pessoa do singular - seu, sua, seus, suas

1ª pessoa do plural - nosso, nossa, nossos, nossas

2ª pessoa do plural - vosso, vossa, vossos, vossas

3ª pessoa do plural - seu, sua, seus, suas

Os pronomes possessivos concordam em pessoa, com o possuidor e em gênero e número, com a coisa possuída.

São demonstrativos os pronomes que indicam relações de espaço entre os seres e as pessoas do discurso. Esse espaço pode ser relativo à função espacial, temporal, referencial e distributiva.

Função espacial: este - está próximo da 1ª pessoa do discurso / esse - está próximo da 2ª pessoa do discurso / aquele - está distante de ambas as pessoas do discurso

Função temporal: este - tempo em curso, presente / esse - tempo passado próximo ou futuro / aquele - tempo muito distante

Função referencial: este - indica catáfora, ou seja, anuncia próximos termos ou informação seguinte / esse - indica anáfora, ou seja, retoma termos ou informação já citada

Função distributiva: este - retoma o elemento próximo, dito por último / aquele - retoma o elemento distante, dito anteriormente

Se houver mais de dois termos a serem retomados, usam-se numerais: o primeiro, o segundo, o terceiro, etc.

1ª pessoa - este, esta, estes, estas, isto

2ª pessoa - esse, essa, esses, essas, isso

3ª pessoa - aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo

São também demonstrativos: mesmo e próprio, no sentido de idêntico ou em pessoa, tal, equivalendo a este, esse e aquele, semelhante, equivalendo a tal, o, a, os, as, equivalendo a isto, isso, aquilo e aquele (e flexões).

São indefinidos os pronomes que se referem de forma vaga, imprecisa ou genérica, ou com quantidades indeterminadas a seres da 3ª pessoa do discurso.

Variáveis: algum, alguma, alguns, algumas / nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas / todo, toda, todos, todas / muito, muita, muitos, muitas / pouco, pouca, poucos, poucas / vário, vária, vários, várias / tanto, tanta, tantos, tantas / quanto, quanta, quantos, quantas / outro, outra, outros, outras / certo, certa, certos, certas / bastante, bastantes / qualquer, quaisquer / um, uma, uns, umas = aproximadamente

Invariáveis: alguém, algo, ninguém, nada, tudo, cada, outrem, mais, menos, demais, fulano, sicrano, beltrano

Há pronomes indefinidos sistemáticos, ou seja, que se opõem pelo sentido. 

São locuções pronominais indefinidas duas ou mais palavras que equivalem a um pronome indefinido, como cada qual, quem quer que, qualquer um, todo aquele que, seja qual for, seja quem for, todo o mundo etc.

São interrogativos os pronomes indefinidos empregados na formulação de perguntas diretas ou indiretas. 

Variáveis - qual, quais, quanto, quanta, quantos, quantas

Invariáveis - que, quem

São relativos os pronomes que retomam um termo citado anteriormente, dando início a uma nova oração, chamada oração subordinada adjetiva (restritiva ou explicativa), evitando a repetição deste termo.

Variáveis - o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas

Invariáveis - que, quem, onde, como, quando

Observações:

1) O pronome relativo variável concorda com seu antecedente, com exceção de cujo, que concorda com o consequente.

2) Quanto, quanta, quantos e quantas são pronomes relativos quando empregados após os pronomes indefinidos tudo, tanto, tanta, tantos, tantas, todo, toda, todos e todas. 

3) O pronome relativo quem refere-se a pessoas e aparece sempre precedido de preposição. O pronome onde refere-se a lugares (reais ou virtuais). O pronome como aparece sempre precedido das palavras modo, maneira, forma e jeito. O pronome quando aparece sempre precedido de palavras que denotem ideia de tempo. O pronome o qual aparece precedido, na maioria das vezes, de preposições de mais de uma sílaba, locuções prepositivas e das preposições 'sem' e 'sob', e também quando o antecedente se encontra distante. O pronome que é usado com preposições monossilábicas.

4) O pronome relativo quem, quando empregado sem antecedente, costuma ser classificado como pronome relativo indefinido. O mesmo ocorre com o relativo onde e o quanto, esse último mais comum em documentos jurídicos.

Os pronomes que indicam que a ação reflete no próprio sujeito são denominados pronomes reflexivos e os que indicam que a ação é mútua entre os sujeitos, pronomes recíprocos. 

Os pronomes que retomam ou substituem os substantivos são denominados pronomes adjetivos e os que os acompanham, pronomes substantivos.

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