quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Nossa Língua - Códigos, Linguagens e suas Tecnologias

 Estrutura e formação das palavras:

Morfemas ou elementos mórficos - unidades mínimas de significação que formam a palavra

Radical, lexema, semantema ou morfema lexical - morfema que contém o significado básico da palavra. A ele são adicionados os demais morfemas.

Observação: As várias palavras formadas de um mesmo radical são denominadas cognatas

Vogal temática - é a vogal que aparece imediatamente após o radical, preparando-o para receber os outros morfemas

Vogais temáticas nominais: A, E e O, quando em posição final e átona.

Vogais temáticas verbais: A, E e I, quando caracterizam as conjugações verbais: a (1ª conjugação), e (2ª conjugação) e i (3ª conjugação).

Observações:

1) Nomes terminados em vogal tônica ou em consoante são atemáticos, ou seja, não apresentam vogal temática e são formados apenas de radical.

2) I e U, mesmo átonos, fazem parte do radical.

3) A vogal temática do verbo pôr e seus derivados é o E, presente no seu infinitivo arcaico e literário poer, e em algumas de suas formas conjugadas (pões, põe), em suas formas derivadas, como poente (sol poente), poedeira (galinha poedeira) e depoimento.

Tema - é o radical acrescido da vogal temática, já pronto para receber outros morfemas.

Desinência - morfema que indica flexões gramaticais: gênero e número dos nomes e pessoa, número, tempo e modo dos verbos. Há, portanto, dois tipos de desinência:

Nominais - A e S, que indicam o feminino e o plural dos substantivos, adjetivos, numerais e pronomes

Verbais - desinências modo-temporais e número-pessoais, que indicam o número, a pessoa, o tempo e modo dos verbos.

Observações:

1) A vogal O átona de palavras que possuem dois gêneros pode não ser tomada como desinência de masculino, mas como vogal temática. Nessa concepção, 'aluno', 'menino' e 'gato' possuem desinência zero de gênero, tratando-se o masculino de uma forma neutra ou não marcada.

2) Também o singular pode ser tomado como uma forma neutra, com desinência zero de número, pela ausência do S, que é a desinência de plural.

3) A vogal final átona A dos nomes é desinência de gênero na oposição masculino/feminino. Caso contrário, trata-se de vogal temática.

Afixo - morfema adicionado ao radical para a formação de novas palavras, alterando seu sentido e, eventualmente, sua classe gramatical. Podem ser prefixos (quando colocados antes do radical) ou sufixos (quando colocados antes do radical)

Vogal e consoante de ligação - são morfemas usados por questão eufônica, para facilitar a pronúncia de certas palavras

A formação das palavras da Língua Portuguesa obedece, basicamente, a dois processos: a composição e a derivação.

Derivação é o processo pelo qual palavras novas são criadas a partir de outras já existentes na língua, seja pelo acréscimo ou supressão de afixos ou pela mudança de sentido. As palavras novas são denominadas derivadas e as que lhes dão origem, primitivas.

Derivação prefixal ou prefixação - ocorre com acréscimo de prefixo à palavra primitiva

Derivação sufixal ou sufixação - ocorre com acréscimo de sufixo à palavra primitiva

Derivação prefixal e sufixal ou prefixação e sufixação - ocorre com acréscimo não simultâneo de prefixo e sufixo, e, se um deles for retirado, a palavra não perde o sentido

Dica: Para saber se há derivação prefixal e sufixal ou parassintética, retire o prefixo ou o sufixo e verifique se há uma palavra existente ou inexistente na língua. Se o que sobrar formar uma palavra existente, haverá derivação prefixal e sufixal. Caso contrário, haverá derivação parassintética.

infelizmente = infeliz, felizmente: formas existentes

anoitecer = *anoite, *noitecer: formas inexistentes

Derivação parassintética, circunfixação ou parassíntese - ocorre com acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo e, se um deles for retirado, a palavra perde o sentido

Derivação regressiva ou regressão - ocorre com redução da palavra primitiva, pela retirada de sua parte final.

Para verificar se há derivação regressiva ou sufixal, observe-se o seguinte critério: se o substantivo indicar ação, ele será a palavra derivada. Se denotar algum objeto ou substância, será palavra primitiva. Venda é derivado de vender, porque indica uma ação. Telefone é primitivo em relação a telefonar, porque denota um objeto. Fumo é primitivo em relação a fumar, porque denota uma substância.

Observações:

1) Percebe-se que este processo é muito usado para formar substantivos abstratos derivados de verbos em sua forma infinitiva: são os substantivos deverbais.

2) Embora seja a forma mais comum, na linguagem popular, e até por escritores de renome, é muito comum a formação de substantivos a partir de outros substantivos. Preferimos considerar como abreviação, e não como derivação regressiva, porque não há troca de classe gramatical.

3) No caso de substantivos concretos, e de seus respectivos verbos, há derivação sufixal: os verbos são derivados dos substantivos.

Derivação imprópria ou conversão - ocorre quando se emprega uma palavra com valor de uma classe gramatical que não é propriamente a sua, mudando seu sentido, sem alterar a forma.

Composição é o processo pelo qual palavras novas são formadas pela junção de dois ou mais radicais. Essas palavras são denominadas compostas, em oposição às simples, que possuem um só radical.

Composição por justaposição - os radicais não sofrem alteração fonética

Composição por aglutinação - os radicais sofrem alteração fonética

Casos especiais de composição - há palavras compostas que não são formadas a partir de outras palavras da língua portuguesa, mas de radicais pertencentes a outras línguas. São dois os tipos de composição com esses radicais:

Compostos eruditos - são palavras compostas de radicais apenas latinos ou apenas gregos

Hibridismos - são palavras compostas de radicais de idiomas diferentes

Além dos dois processos básicos de formação das palavras - derivação e composição - há palavras formadas por outros meios.

Onomatopeia - trata-se da imitação dos sons e ruídos dos animais, da natureza, dos objetos e do homem

Abreviação vocabular - trata-se da redução de uma palavra até o limite que não prejudique a compreensão do significado. 

Siglonimização - trata-se da formação de uma sigla, que é a representação reduzida do nome de uma organização, empresa, entidade, instituição, partido político, tratado, imposto, ministério etc. Algumas já são dicionarizadas e são consideradas palavras.

Palavra-valise ou amálgama - trata-se de um morfema resultante da fusão de duas palavras, uma perdendo a parte final e outra perdendo a parte inicial

Neologismo - trata-se da criação de uma palavra ou expressão ou da atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente. Deixa de ser quando é registrado em dicionários consagrados.

Estrangeirismo - trata-se do uso de uma palavra ou expressão de outros idiomas na língua portuguesa, muitas vezes adaptada ao nosso vocabulário

Decalque - trata-se da tradução literal de uma palavra ou expressão estrangeira

Intensificação - trata-se do alargamento do sufixo de uma palavra já existente. Principalmente, ocorre no uso do sufixo verbal -izar.

Flexão das palavras:

Uma palavra é variável quando sofre flexão. A rigor, sofre flexão a palavra que admite alteração em sua forma pela presença das desinências nominais, de gênero e número, ou das desinências verbais, de tempo, modo, número e pessoa. Grau não é flexão, mas sim derivação, pois o elemento que o forma não é desinência, mas sim sufixo. As flexões de voz e aspecto verbal não são marcadas por desinências, o critério para se estabelecer as vozes e aspectos verbais é semântico, sintático ou estilístico.

As classes gramaticais que recebem as desinências nominais são o substantivo e as que também são tomadas como nomes porque ao substantivo se relacionam: artigo, numeral, pronome e adjetivo. As desinências verbais (modo-temporais e número-pessoais) são próprias do verbo.

São invariáveis as palavras que não sofrem flexão.

Dessa forma, as classes gramaticais podem ser variáveis e invariáveis:

gênero, número e grau - substantivos e adjetivos

gênero e número - artigos e numerais

gênero, número e pessoa - pronomes

número, pessoa, tempo, modo, voz e aspecto - verbos

invariáveis - advérbio, preposição, conjunção e interjeição

As palavras denotativas ficam excluídas de quaisquer classificações. Formam uma classe independente.

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