Substantivos:
Conceito - palavra que expressa os nomes dos seres, entendendo-se como seres materiais, espirituais ou religiosos, mitológicos ou fictícios, qualidades, sentimentos, estados e ações.
Classificam-se, quanto à significação, em:
comuns - dão um nome comum a todos os seres da espécie
próprios - particularizam um ser da espécie, e nomeiam: pessoas, localidades, instituições financeiras, acidentes geográficos, planetas, programas de TV, filmes, novelas, animais domésticos
concretos - representam seres reais ou imaginários, de existência independente de outros seres
abstratos - indicam seres cuja existência depende de outros seres
coletivos - embora no singular, indicam uma multiplicidade de seres da espécie. Podem ser: específicos (refere-se a uma única espécie de ser), genéricos ou indeterminados (referem-se a várias espécies de seres, por isso são seguidos dos nomes dos seres que os formam), numéricos (expressam o número exato de seres)
Quanto à formação, podem ser:
primitivos - dão origem a outra palavra da língua
derivados - têm origem em outra palavra da língua
simples - são formados por apenas um radical
compostos - são formados por dois ou mais radicais
Flexão dos substantivos:
O substantivo é uma classe gramatical, ou seja, admite flexões, sofre variações em sua estrutura. Ocorrem para indicar flexões de gênero, número e grau.
Flexão de gênero:
O gênero é relativo à palavra, ou seja, uma classificação gramatical. Não há relação com a categoria biológica de sexo. Portanto, todos os substantivos possuem gênero, mesmo os que representam seres inanimados ou noçõses abstratas. Na língua portuguesa, há dois gêneros, o masculino e o feminino. A forma mais fácil de identificar o gênero dos substantivos é pela anteposição do artigo ou outro determinante.
São masculinos os substantivos que admitem o determinante do gênero masculino. São femininos os substantivos que admitem o determinante do gênero feminino.
São biformes os substantivos que possuem duas formas: uma que indica o gênero masculino e outra, o feminino.
O feminino pode ser formado:
a) pela substituição da vogal final -o por -a
b) pela substituição da vogal final -e por -a
c) pelo acréscimo de -a
d) pela mudança do -ão final para -ã, -ona ou -ã
e) pelo acréscimo de-esa, -essa, -ina, -isa ou -triz
f) de maneira irregular
g) de radicais diferentes (heterônimos ou desconexos)
São uniformes os substantivos que possuem uma única forma para indicar ambos os gêneros.
Há três tipos de substantivos uniformes:
comuns de dois gêneros - são substantivos que, apesar da forma única, variam em gênero. Essa variação ocorre através do artigo ou outro determinante.
sobrecomuns - são substantivos que representam seres de ambos os sexos através de uma única forma e um único gênero. A identificação do sexo é fornecida pelo contexto
epicenos ou promíscuos - são substantivos que possuem uma só forma e um só gênero para representar animais e plantas sexuados. A identificação do sexo ocorre através das palavras macho e fêmea.
Particularidades do gênero:
Mesmo na variedade culta, alguns substantivos, quanto ao gênero, costumam causar dúvidas. Por outro lado, há substantivos que possuem formas idênticas, cujos significados estão relacionados ao gênero.
Flexão de número:
O substantivo possui dois números - o singular (que indica um único ser ou um único grupo de seres) e o plural (que indica mais de um ser ou mais de um grupo de ser)
Formação do plural - substantivos simples:
Adiciona-se o -s aos substantivos terminados em vogal, ditongo oral e ditongo nasal -ãe
Adiciona-se -es aos substantivos terminados em -r e -z
Substitui-se o -m por -ns nos substantivos terminados em -m
Nos substantivos terminados em -n, adiciona-se -s ou -es
Nos substantivos terminados em -al, -el, -ol e -ul, substitui-se o -l por -is.
Nos substantivos terminados em -il, se forem oxítonos, substitui-se o -l por -s. Se forem paroxítonos, substitui-se por -is.
Nos substantivos terminados em -s, se forem monossílabos ou oxítonos, adiciona-se -es. Se forem paroxítonos ou proparoxítonos, ficam invariáveis.
Ficam invariáveis os substantivos terminados em x. A identificação do plural ocorre pela anteposição de um determinante.
Substantivos terminados em -ão fazem o plural em -ões, -ãos ou -ães. Alguns admitem mais de um plural.
Plural dos compostos:
Não ligados por hífen - fazem o plural como os substantivos simples
Ligados por hífen:
Ambos vão para o plural - se representados por substantivo + substantivo, substantivo + adjetivo, adjetivo + substantivo, numeral + substantivo ou substantivo + pronome
Apenas o primeiro elemento vai para o plural - se o segundo elemento indicar finalidade ou semelhança do primeiro e se os elementos forem ligados por preposição. No primeiro caso, é correto o plural dos dois elementos.
Apenas o segundo elemento vai para o plural - se o primeiro elemento for verbo ou palavra invariável (advérbio, preposição, prefixo ou interjeição), forma reduzida como (grão, grã, bel), palavra repetida ou onomatopeia
Nenhum dos elementos vai para o plural - se o primeiro elemento for verbo e o segundo, palavra invariável ou se forem verbos antônimos
Observações:
1) A palavra 'guarda' pode aparecer como substantivo, caso em que varia
2) Alguns substantivos formados de verbos repetidos admitem a variação dos dois elementos.
3) O plural dos substantivos bem-te-vi e bem-me-quer é bem-te-vis e bem-me-queres, por se tratar, respectivamente, da tentativa de substantivação da onomatopeia.
Particularidades de número:
Se o plural de pai e mãe é pais, de tio e tia é tios, de irmão e irmã é irmãos, a forma avôs corresponde a avô + avô, enquanto a forma avós pode corresponder a avó + avó ou a avô + avó, seja maternos ou paternos.
No plural de caráter (caracteres), júnior (juniores), sênior (seniores), ocorre o deslocamento da sílaba tônica. Em português, só existe acentuação tônica na última, na penúltima ou na antepenúltima tônica. Entretanto, no espanhol pode existir acentuação antes da antepenúltima sílaba.
A forma plural -ens não tem acento gráfico: hífen / hifens. Sua forma variante tem acento gráfico: hífenes.
O substantivo cânon admite uma só forma plural: cânones.
Pelos mecanismos de nossa língua, o plural de gol seria gois ou goles, mas o uso consagrou a forma gols. A pronúncia se manteve fechada dada a imitação do som da palavra original em inglês, diferentemente do português, todas as palavras terminadas em -ol são pronunciadas com a vogal o aberta.
O plural de mal é males e de cônsul é cônsules. O plural de real pode ser réis (moeda antiga) ou reais (moeda em vigor no Brasil).
Os substantivos réptil e projétil, embora sejam mais comuns as formas paroxítonas (répteis e projéteis), possuem também a forma oxítona no singular e no plural: reptil/reptis, projetil/projetis.
O substantivo cálice possui também a forma variante cálix, cujo plural é cálices.
O substantivo fax pode-se manter invariável ou fazer o plural em faxes.
O plural dos substantivos próprios segue as mesmas regras do plural dos substantivos comuns.
O o tônico fechado de certos substantivos, no singular, sofre mudança de timbre. Ou seja, muda para o o aberto quando a palavra passa para o plural. A essa mudança de som dá-se o nome de plural metafônico ou metafonia. Porém, não é com todos esses substantivos que essa alteração de timbre ocorre. Em alguns, a vogal o fechada do singular mantém-se fechada também no plural.
Há substantivos que, por convenção, são usados sempre no plural, o que se chama de 'pluralia tantum'. Os determinantes que se referem a esses substantivos devem concordar com eles. Outros, por convenção do idioma, são usados somente no singular por razões semânticas.
Alguns substantivos têm um significado para o singular e outro para o plural.
Flexão de grau:
Os graus do substantivo são dois: o aumentativo (que intensifica sua significação, pelo aumento das proporções do ser) e o diminutivo (que atenua sua significação, pela redução das proporções do ser).
Ambos possuem duas formas de representação: a sintética (cujo aumento e redução das proporções é obtido através de sufixos) e a analítica (cujo aumento ou redução das proporções é obtido através da inclusão de adjetivos)
Observações:
1) Nos textos, as formas sintéticas nem sempre visam expressar as dimensões do ser que representam. Muitas vezes, expressam carinho, admiração, ou grosseria, brutalidade, desprezo ou ironia. A flexão de grau é mais evidente quando se faz uso da forma analítica.
2) Muitas formas sintéticas, com o tempo, perdem seu sentido de tamanho aumentado ou reduzido e adquirem significações próprias, como fogão, caldeirão, cartilha etc.
3) Registram-se aumentativos ou diminutivos formados pelo emprego de prefixos, como supermercado, hipermercado, megaevento, minidicionário, microempresário etc.
Plural dos diminutivos com sufixo -zinho e, eventualmente -zito:
1) Flexiona-se o substantivo em seu grau normal.
2) Suprime-se o -s do plural e adiciona-se o sufixo no plural.
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