sábado, 1 de janeiro de 2022

Orações coordenadas e subordinadas - Aline Gasperi

 ORAÇÕES COORDENADAS

As orações coordenadas são as que funcionam com um sentido completo, sem depender de um complemento.


Mesmo dentro de um grupo oracional ou período composto (período que contém múltiplas orações), as orações coordenadas não necessitam da interferência de outras orações para que ela carregue sentido. Alguns exemplos de orações coordenadas:


“Chegamos tarde. Não assistimos a todo o filme. Vimos o mais interessante dele.”

“Chegamos tarde e não assistimos a todo o filme, mas vimos o mais interessante dele.”


Quando o período tem apenas uma oração coordenada com sentido pleno, chamamos de período simples. Mas a oração coordenada pode vir acompanhada de outras orações, adicionando  detalhes a ela, mas não haverá interferência no sentido individual de cada oração. Por exemplo:


“Ontem choveu.” (período simples)

“Ontem choveu, mas não estava na previsão.” (período composto)


A frase poderia ser: “Ontem choveu. Não estava na previsão”. Consegue perceber a autonomia das duas orações?


As orações coordenadas podem ou não estar separadas por conjunções. Quando as orações não são regidas por conjunção, elas são chamadas de orações coordenadas assindéticas. Quando são regidas por conjunção, são chamadas de orações coordenadas sindéticas. Exemplos:


“Ela terminou o trabalho. Foi embora mais cedo.” (assindética)

“Ela terminou o trabalho e foi embora mais cedo.” (sindética)


As conjunções podem estabelecer 3 funções semânticas em uma oração coordenada: a função aditiva, a função adversativa e a função alternativa.


Coordenadas aditivas

A função aditiva é quando a conjunção acrescenta ou, como o nome sugere, adiciona detalhes a outra. As conjunções que marcam a função aditiva são “e”, “nem”, “mas também / mas ainda / como também” - depois de não só e “mais” - na matemática ou em linguagem regional. Exemplos:


“Ana estuda e trabalha.”

“Carlos não ajuda nem se empenha.”


Coordenadas adversativas

A função adversativa é quando a conjunção é usada para contrapor ou dar ideia de oposição ao conteúdo da oração anterior. É marcada pelas conjunções “mas”, “porém”, “todavia”, “contudo”, “entretanto”, “no entanto”, “senão”, “não obstante” e “inobstante” - usada nos cursos de Direito. Exemplos:


“Ela não brincava senão com os cachorros.”

“Junior fez um escândalo, mas não chamou tanta atenção.”


Coordenadas alternativas

A função alternativa é quando a conjunção expressa alternância, ou seja, que uma das alternativas irá excluir  ou anular a outra. É marcada pela conjunção “ou”, que pode vir repetida ou não. Exemplos:


“Ou eu estudo ou eu trabalho.” (as duas orações são sindéticas)

“É pegar ou largar.” (a primeira oração é assindética)


Funções não consensuais

Algumas funções são motivos de conflito entre teóricos, pois estão na intersecção entre as orações coordenadas e as subordinadas, já que aparentam estabelecer uma relação de dependência entre as orações.


A gramática tradicional incluiu as funções conclusiva e causal-explicativa entre as funções dos conectores coordenativos. No entanto, por extrapolarem as fronteiras das orações, afirma que não devem ser rigorosamente consideradas. Incluímos apenas por questões didáticas


Coordenadas conclusivas

A função conclusiva diz respeito às conjunções que introduzem uma conclusão ou consequência complementares à outra oração. É marcada pelas conjunções “pois”, “porque”, “por isso”, “portanto”, “então”, “logo”, “assim”, “por conseguinte”, entre outras. Exemplos:


“Você já me enganou antes, portanto estou atento.”

“Trabalhou como nunca. Conseguiu, pois, a promoção.”


Coordenadas causais-explicativas

A função causal-explicativa corresponde às conjunções que introduzem uma justificativa referente à oração anterior. É marcada pelas conjunções “que”, “porque”, “porquanto” e  também por “pois”.


“Vou encerrar, que estamos todos cansados.”

“Maria está triste porque foi mal no teste.”


A relação de dependência que elas aparentam ter é apenas semântica. Por isso elas se encaixam mais nas orações coordenadas do que nas subordinadas.


Há, ainda, as funções distributivas e disjuntivas, que são os períodos compostos cujos conectivos ligam unidades que reiteram, equilibradamente, a oração antecedente, para estabelecer um sentido de condição, alternativa, concessão ou temporalidade. Não há consenso sobre elas, pois também aparentam relação de dependência. Incluímos apenas por questão didática.


Coordenadas distributivas

As distributivas repetem, anaforicamente, uma determinada conjunção no início da primeira oração e na oração composta por coordenação. Como os conectores “ora […] ora”, “já […] já”, “quer […] quer”, “seja […] seja”, “talvez […] talvez”. Estes vêm sempre repetidos. Exemplos:


“Ora se fecha e não se sabe o que pensa, ora se expõe mais do que deveria.”

“Ela não se ilude, seja pelas suas próprias expectativas, seja pelas dos outros.”


Coordenadas disjuntivas

As disjuntivas têm a mesma disposição das distributivas, mas os termos usados no início da primeira oração e da composta por coordenação são diferentes, como “este […] aquele”, “um […] outro”.  Exemplos:


“Uns viciam em café, outros em álcool.”

“Este não dorme porque não quer, aquele se irrita se não o deixam dormir.”


Alguns gramáticos classificam as distributivas e as disjuntivas dentro da função alternativa, e não necessariamente deixam de ser, elas apenas se diferenciam daquelas por terem uma estrutura que parece criar uma certa dependência, mas não são dependentes por completo, pois também funcionam assindeticamente. Incluímos por questão didática.


ORAÇÕES SUBORDINADAS

As orações subordinadas, ao contrário das coordenadas, são orações que não possuem um sentido completo individualmente, portanto sempre serão constituídas de pelo menos duas orações, uma principal e uma subordinada à principal. Exemplo:


“Vou ao mercado sozinha [oração principal] se meu marido não acordar [oração subordinada].”


As conjunções que ligam uma oração principal (a que contém a informação ou o verbo principal do período) à oração subordinada (a que está servindo de complemento à principal) são chamadas de conjunções integrantes. São comuns, às orações subordinadas, as conjunções integrantes “se” e “que”.


É necessário, no mínimo, haver duas orações em um grupo oracional para configurar orações subordinadas, por isso elas sempre formarão períodos compostos.  As orações subordinadas são classificadas em 3 tipos: adjetivas, substantivas e adverbiais, cada uma com sua subdivisão.


Orações subordinadas adjetivas

As orações subordinadas adjetivas são divididas em 2 tipos: explicativas e restritivas. Como o nome sugere, elas têm função de adjetivo, ou seja, acrescentam características relacionadas ao verbo da oração principal. Elas não são ligadas por conjunções, mas por pronomes relativos (que, o qual - e variações, onde, quem, cujo - e variações, quanto - e variações, como, quando)


Adjetivas explicativas

As orações subordinadas adjetivas explicativas são as que se ligam à oração principal por pronomes relativos que indicam explicação. Exemplo:


“Os maratonistas, que chegaram antes do tumulto, foram dispensados.”


A oração principal não precisa, necessariamente, estar antes da subordinada, como o caso da frase acima, em que a oração principal é “os maratonistas foram dispensados”. A oração subordinada, neste caso, está no meio da oração principal.


O fato de a oração subordinada estar entre vírgulas, no exemplo acima, estabelece o sentido de que o pronome “que” é de explicação. Os maratonistas foram dispensados, o fato de eles terem chegado antes do tumulto foi uma explicação, um acessório, um detalhe geral, em relação a todos estes maratonistas mencionados.


Adjetivas restritivas

As orações subordinadas adjetivas restritivas se ligam à oração principal por um pronome que indica uma restrição. Exemplo:


“Os maratonistas que chegaram antes do tumulto foram dispensados.”


Parece ser a mesma frase, mas, neste caso, a ausência da vírgula deu outro sentido à frase, porque o pronome “que” da oração subordinada restringiu a dispensa apenas aos maratonistas que chegaram antes do tumulto, ou seja, nem todos foram dispensados, apenas os que chegaram antes do tumulto.


Em outras palavras: se tem vírgula, é adjetiva explicativa (explica, por isso diz respeito a um todo); se não tem vírgula, é adjetiva restritiva (restringe, por isso diz respeito a uma parcela). Portanto, dependendo do sentido que se quer estabelecer, a vírgula é determinante.


Dica: se surgir dúvidas se o conectivo “que” é um pronome relativo ou não,  procure substituí-lo por “o qual”/ “a qual” ou “os quais”/”as quais”. Se a substituição fizer sentido, é pronome relativo, ficando mais fácil identificar que é oração subordinada adjetiva. Exemplo:


“Esta é a casa que construí.”

“Esta é a casa a qual construí.”


Orações subordinadas substantivas

As orações subordinadas substantivas são classificadas em 6 tipos: subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais, predicativas e apositivas, tudo dependendo da função que o complemento carrega.


Substantivas subjetivas

As orações subordinadas substantivas subjetivas são aquelas em que a oração subordinada têm função de sujeito da principal. Exemplo:


“É óbvio [oração principal] que todos serão bonificados [oração subordinada].”


Repare que o primeiro verbo (é) não tem sujeito. Quem é óbvio? O que é óbvio? A resposta está na oração subordinada: “que todos serão bonificados”. A oração subordinada é, portanto, sujeito da principal, por isso o nome de substantiva subjetiva. Resumindo: não encontrou sujeito na oração principal? O sujeito é a oração subordinada.


Substantivas objetivas diretas

As orações subordinadas substantivas objetivas diretas são aquelas em que a oração principal termina com um verbo transitivo direto, ou seja, verbo que dispensa preposição antes do complemento, e a oração subordinada é complemento desse verbo. Exemplo:


“Elas deduzem [oração principal] que serão criticadas [oração subordinada].”


O verbo “deduzir” é transitivo direto, ou seja, quem deduz, não deduz de algo nem deduz em algo nem a algo, mas simplesmente deduz algo (o “algo” no exemplo acima é “que serão criticadas”). Quando o verbo não demanda preposição antes do complemento, é objeto direto, por isso a oração é chamada substantiva objetiva direta.


Substantivas objetivas indiretas

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas são aquelas em que a oração principal termina com um verbo transitivo indireto, ou seja, verbo que exige a preposição antes do complemento, e a oração subordinada é complemento desse verbo. Exemplo:


“O chefe gosta [oração principal] de que sejamos pontuais [oração subordinada]”.


A frase parece estranha, mas porque estamos acostumados a falar do jeito errado. O verbo “gostar” é transitivo indireto, ou seja, quem gosta não gosta algo, mas gosta de algo. Perceba como a preposição “de” é necessária. Por ter preposição antes do complemento (“algo”), é objeto indireto, por isso a oração é chamada de substantiva objetiva indireta.


Substantivas completivas nominais

As orações subordinadas substantivas completivas nominais são as que complementam um substantivo abstrato da oração principal e são sempre regidas por preposição, o que caracteriza um complemento nominal (se diferenciam das objetivas indiretas porque são complemento de substantivo, adjetivo ou advérbio, não de verbo). Exemplo:


“Eu tenho certeza [oração principal] de que serei aprovado [oração subordinada].”


O substantivo “certeza” é abstrato, porque não é palpável, e pede uma preposição, porque quem tem certeza, tem certeza de algo. O complemento “de que serei aprovado” está se referindo ao substantivo abstrato “certeza”. Logo, se o complemento é nominal, a oração é  substantiva completiva nominal.


Substantivas predicativas

As orações subordinadas substantivas predicativas são as que complementam o sujeito (não o verbo, nem o substantivo). A oração principal, nas predicativas, termina com um verbo de ligação, e a oração subordinada, seu complemento, se refere ao sujeito da oração principal. Exemplo:


“O fato é [oração principal] que brasileiro teima muito [oração subordinada].”


O sujeito da frase é “o fato”, e o complemento “que brasileiro teima muito” diz respeito ao sujeito. O verbo de ligação (neste caso: “é”) ajuda muito a identificar quando a oração é substantiva predicativa, pois está presente em todas elas.


Substantivas apositivas

As orações subordinadas substantivas apositivas, são as que têm função de aposto, servindo para explicar, esclarecer, desenvolver ou detalhar a oração principal. Exemplo:


“Um desejo predomina entre as mulheres: que não sejam assediadas ou abusadas.”


Neste caso é mais simples identificar, pois a substantiva apositiva sempre estará posicionada após dois pontos (:), e eventualmente, podem vir entre vírgulas ou travessões.

 

As substantivas também podem ser introduzidas por pronomes e advérbios interrogativos: Não sei - onde fica o teatro / como a máquina funciona / quanto custa o remédio / quando entra em vigor a nova lei / qual é o assunto da palestra


Orações subordinadas adverbiais

As orações subordinadas adverbiais funcionam como adjunto adverbial para a oração principal. Adjuntos adverbiais são termos que alteram o sentido de um verbo, acrescentando uma informação de circunstância a ele.


São 9 os tipos de subordinadas adverbiais: causais, consecutivas, condicionais, concessivas, conformativas, comparativas, finais, temporais e proporcionais.


Adverbiais causais

As orações subordinadas adverbiais causais são as que indicam a razão da oração principal e de seu verbo. São marcadas pelas conjunções “porque”, “como”, “uma vez que”, “já que”, “visto que” e “na medida em que”. Exemplo:


“Já que está chovendo [oração subordinada], não vamos ao estádio [oração principal].”


Você deve ter reparado que, no exemplo acima, a oração subordinada antecede a principal. Isso mostra que nem sempre a oração principal é a primeira. O fato principal é que eles não vão ao estádio, a oração subordinada é a causa, por isso, causal (tente trocar as orações de lugar e verá que elas carregam o mesmo sentido: “Não vamos ao estádio, já que está chovendo”).


Adverbiais consecutivas

As orações subordinadas adverbiais consecutivas indicam a consequência do verbo da oração principal. São marcadas pela conjunção “que”, quando usada nas locuções “tanto / tal / tão / tamanho que”, “de modo / maneira / forma / sorte que” ou expressando tamanho: “tão alto que”, “tão curto que”, entre outros casos. Exemplo:


Minha mãe gritou tanto [oração principal] que perdeu a voz [oração subordinada].”


Como pode ser observado, a oração subordinada tem um sentido de consequência do verbo “gritar” adicionado ao adjunto adverbial de intensidade “tanto”, por isso é uma adverbial consecutiva.


Adverbiais condicionais

As orações subordinadas adverbiais condicionais indicam uma situação de condição  para a oração principal. As conjunções mais usadas nessa subordinação são “caso”, “se” e, novamente, “que” quando usada em “desde que”, “contanto que”, “sem que”, “a menos que”, “a não ser que”, “uma vez que”,  entre outros casos.  Exemplo:


“Vai perder peso rápido [oração principal], se for disciplinado [oração subordinada].”


O fato de perder peso rápido está, portanto, condicionado à disciplina do sujeito, pois a conjunção “se” é adjunto adverbial de condição, por isso o nome de adverbial condicional.


Adverbiais concessivas

As orações subordinadas adverbiais concessivas são as que expressam que algo foi cedido, permitido ou, como o nome sugere, concedido para que a informação da oração principal acontecesse. As conjunções mais usadas nessa subordinada são “embora”, “conquanto” e “que”, quando usada em “mesmo que”, “ainda que”, “se bem que”, “nem que”, “posto que”, “apesar de que” entre outros que carreguem o mesmo sentido. Exemplo:


“Embora tenha sido constrangido [oração subordinada], continuei investigando [oração principal]”.


No caso acima, entende-se que o contrangimento deveria impedir que o sujeito continuasse investigando, mas por alguma razão não o fez. Foi, portanto, permitido ou concedido (ainda que não tenha sido, de fato, uma permissão. Por exemplo, se o sujeito contrariou ou ignorou o impedimento).


De alguma forma, a oração principal e a adverbial concessiva têm uma relação de oposição entre si, ou seja, há sempre um atrito entre elas, quebrado pela conjunção.


Adverbiais conformativas

As orações subordinadas adverbiais conformativas são as que apresentam sentido de condordância com a oração principal. As conjunções mais comuns nessas subordinadas são “conforme”, “consoante”, “como”, “segundo”, entre outras. Exemplo:


“O livro foi reeditado [oração principal] conforme o Novo Acordo Ortográfico [oração subordinada].”


Se a subordinada demonstrar, pela conjunção, que concorda com a oração principal, não tem erro, é adverbial conformativa.

 

Conforme, segundo e consoante, se introduzirem apenas adjuntos adverbiais de conformidade, são preposições.


Adverbiais comparativas

As orações subordinadas adverbiais comparativas, são as que têm função de comparação com a oração principal. As conjunções que expressam esse sentido são “como”, “assim como”, “mais/menos... (do) que” ou “tão/tanto... quanto/como”. Exemplo:


“Sou mais determinado [oração principal] do que meus pais [oração subordinada].”


Sempre que o sentido da oração subordinada expressar comparação, ainda que seja uma comparação que expressa igualdade, por exemplo: “sou determinado como meus pais”, será adverbial comparativa.


Adverbiais finais

As orações subordinadas adverbiais finais são as que trazem o objetivo, a intenção da oração principal. As principais conjunções que expressam tal sentido são “para que”, “porque”, “a fim de que”, “que”, entre outras. Exemplo:


“Fui à festa de Uber [oração principal], para que minha moto não sujasse o vestido [oração subordinada].”


Cuidado para não confundir estas com as coordenadas conclusivas ou causais explicativas, ou mesmo com as subordinadas adverbiais causais, porque têm conjunções praticamente iguais, mas o efeito de sentido de cada um, assim como sua relação de dependência/independência, são diferentes.


Adverbiais temporais

As orações subordinadas adverbiais temporais são as que expressam condição de tempo à oração principal. As conjunções que ajudam a identificar esse sentido são “quando”, “enquanto”, “às vezes”, “mal” e “que”, nas locuções “assim que”, “logo que”, “sempre que”, “antes que”, “depois que”, “até que”, “desde que” entre outros casos. Exemplo:


“Sempre que ela passa [oração subordinada], meu coração dispara [oração principal].”


Não se esqueça de que a conjunção que determina o sentido não pode ser contrariada ou causar ambiguidade. Por exemplo, o período “Sempre que ela passa, às vezes ignoro” é estranho porque o advérbio “sempre” entra em conflito com “às vezes”, então o mais apropriado seria substituir “sempre” por “quando”.


Adverbiais proporcionais

Por fim, as orações subordinadas adverbiais proporcionais são as que adicionam  condição de medida ou proporção à oração principal. As conjunções que identificam essa subordinação são “quanto mais”, “quanto menos”, “tanto mais”, “tanto menos”, “à medida que”, “à proporção que”, “ao passo que”, “enquanto”, entre outras. Exemplo:


“Quanto mais o tempo passa [oração subordinada], eu fico mais desanimado [oração principal]”.

Novo Acordo Ortográfico - Aline Gasperi

 TREMA

Não se usa. O U continua sendo pronunciado em palavras como cinquenta e pinguim. Agora ele só é usado em palavras estrangeiras e suas derivadas, como “Müller” e “mülleriano”. 


ALFABETO

Foram acrescentadas as consoantes “K”, “W” e “Y”, que já usávamos “clandestinamente” há muito tempo, em abreviaturas como “Kg”, “Km”, nomes próprios e palavras estrangeiras, como show, marketing, na sequência de enumeração e grafia em assinaturas e firmas. Trata-se de uma oficialização.


REGRAS DE ACENTUAÇÃO

As palavras em que há ditongos (encontro de duas vogais em uma mesma sílaba) “éi”, “ói” e “éu” na penúltima sílaba, perderam o acento. É o caso de: ideia, estreia, plateia, assembleia, joia, boia, heroico, paranoia, etc.


Não se usa mais acento nas palavras “para”, “pelo”, e “pera”, e só pelo contexto será possível identificar quando são substantivo, verbo ou preposição. As palavras com letras dobradas em “ee” e “oo” também perderam o acento, como “voo”, “veem”, “leem”, “perdoo”, “abençoo”, etc.


Há muito tempo já não é utilizado o acento na palavra “coco”, fruto do coqueiro. O acento só existe na palavra “cocô”, e você não vai querer confundir.


REGRAS DE HIFENIZAÇÃO

Onde se usa hífen?

Continua sendo obrigatório o uso do hífen em palavras com prefixo “pró”, “pré” e “pós” (quando estão acentuadas) e em “ex”, “vice”, “sota”, “soto”, “vizo” e em compostos que iniciam com “para” e “manda”. Sendo assim, se escreve “ex-prefeito”, “vice-governador”, “vizo-rei”, “sota-piloto”, “soto-mestre”, “pós-escrito”, “pré-natal”, “pró-reitoria”, “para-brisas”, “manda-lua”, etc. As exceções são as palavras “mandachuva” e “paraquedas” e suas variáveis.


Mantém-se o hífen nas palavras compostas de origem indígena ou que designam espécies botânicas ou zoológicas, como “bem-te-vi”, “bem-me-quer”, andorinha-do-mar”, “joão-de-barro”, “erva-doce”, “couve-flor”, “dente-de-leão”, anajá-mirim, andá-açu, capim-açu, etc.


O hífen continua sendo exigido nas palavras que começam com a letra “h” que acompanham prefixos. É o caso de “anti-horário”, “super-homem”, “proto-história”, “sobre-humano”, etc.


Em palavras compostas por termos repetidos ou sonoridades semelhantes, ainda se usa o hífen, como em “reco-reco”, “lenga-lenga”, “blá-blá-blá”, “tique-taque”, “pingue-pongue”, etc.


As palavras com prefixo “circum” e “pan”, exigem prefixo apenas quando a palavra seguinte iniciar com “h”, “m” ou “n” ou vogal. Sendo assim, se escreve “pan-hispânico”, “pan-americano”, “circum-navegação”, “circum-escolar”, etc.


Em locuções substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, prepositivas, adverbiais e conjuntivas, que geralmente possuem elementos de ligação, não se usa mais hífen, como em “dia a dia”, “ponto e vírgula” e “fim de semana”, com exceção de locuções com significado próprio, como “arco-da-velha”, “ao deus-dará” e “mais-que-perfeito”.


Quando o prefixo termina com a mesma letra com que inicia a próxima palavra, o hífen é obrigatório. É o caso de “tele-entrega”, “anti-inflamatório”, “contra-argumento”, “micro-ônibus”, “arqui-inimigo”, “sub-bibliotecário”, “inter-relação”, “hiper-realismo”, “super-revista”, etc.


O hífen também continua sendo usado em adjetivos gentílicos ou palavras compostas que iniciam com um termo de função substantiva, adjetiva, numeral ou verbal, e não tem elemento de ligação. É o caso de “sul-americano”, “norte-coreano”, “afro-brasileiro”, “social-democrata”, “mato-grossense”, “recém-nascido”, “além-mar”, “bem-vindo”, “bem-humorado”, “médico-cirurgião”, “verbo-nominal”, “abaixo-assinado”, etc. Mas existem exceções (continue lendo).


Onde não se usa mais o hífen?

Quando os prefixos “afro”, “anglo”, “euro”, “franco”, “indo”, “luso”, “sino” e semelhantes forem empregados em palavras que não se referem a uma etnia específica, mas a um aspecto mais geral de uma etnia, ela é escrita sem hífen, como em “afrodescendente”, “anglofalante”, “eurocêntrico”, “lusofonia”, “sinologia”, etc.


Os prefixos “co”, “pro” e “re” dispensam uso do hífen. É o caso de: “coordenação”, “proótico” ou “reenviar”. E quando tais prefixos acompanham uma palavra que iniciaria com a letra “h”, a letra é suprimida, como em: “reidratar”, “reabilitar”, “coenzima”.


Outras palavras que seguem essa regra (de suprimir o “h”) são os compostos que iniciam com os prefixos “IN”, “AN” e “DES”. É o caso de “inábil”, “anistórico”, “desumidificar” ou nos compostos que designam da aglutinação (mistura) de duas palavras, como em “exaurir”.


Quando a última letra do prefixo e a primeira da próxima palavra forem diferentes, esta, agora, se escreve junto. É o caso de: “maldormido”, “antifascismo”, “micropigmentação”, “subcelebridade”, “microempreendedor”, etc. A exceção é apenas se a palavra após o prefixo começar com “h” ou “r”, como em “sub-região” ou “sub-humano”.


Em prefixos que terminam com vogal, se a palavra seguinte iniciar com “r” ou com “s”, dobra-se as consoantes, unindo a palavra. É o caso de: “contrarreforma”, “ultrassonografia”, “suprarrenal”, etc. A exceção é se os prefixos forem “SUB”, “MAL” ou “IN”, que dispensam a repetição da consoante, como em “subsecretário”, “subservente”, etc.

Uso da crase - Aline Gasperi

 O que é crase?

Se engana quem acha que é simplesmente o caractere “à”. Os gramáticos chamam de crase a fusão de um ou mais sons em um único (BECHARA, 2009). Sendo assim, ocorre crase, por exemplo, quando, ao invés de “de a”, falamos “da” (fundindo o som do “e” e do “a” em “a”).


Costumamos associar o termo “crase” à vogal com acento grave “à” porque ela é o tipo mais conhecido de crase, embora as pessoas saibam muito pouco sobre como usá-la. Os gramáticos vão me fuzilar por isso, mas para facilitar, sempre que eu mencionar o termo “crase” aqui, vou estar me referindo à vogal com acento grave “à”.


Preposição, artigo e pronomes

A crase ocorre pela fusão sonora do “a” preposição e do “a” artigo feminino ou “a” de alguns pronomes. O fato de terem o mesmo som pode dificultar a identificação de cada um, o que resulta em equívocos no uso da crase. Tentarei defini-los de um jeito simples.


O “a” é preposição quando determina um sentido específico entre duas palavras, podendo ligar um verbo a um substantivo, um substantivo a um adjetivo ou um substantivo a outro. Normalmente indicam que houve um deslocamento ou caracterizam o modo ou condição em que algo foi feito.


Não se pode tirar a preposição do contexto, ou a frase fica incompleta. Em geral, pode ser substituido por “para”, “por”, “até” ou “pelo(a)”, entre outros. Exemplos:


“Dei minha juventude a você” / “Dei minha juventude para você”

“Seu segredo está guardado a sete chaves” / “Seu segredo está guardado por sete chaves”

“Ela queria que a notícia chegasse a você” / “Ela queria que a notícia chegasse até você”


O “a” é artigo quando simplesmente indica/rege/antecede um substantivo feminino. Em alguns casos, o artigo pode ser retirado da frase sem comprometer o seu sentido. Pode ser substituído por “uma” ou “esta”. Exemplos:


“Uso a chapinha” / “Uso uma chapinha” / “Uso chapinha”

“Lavei a calça essa semana” / “Lavei esta calça essa semana” / “Lavei calça essa semana”


Exemplo de exceção: “Paguei a construção da casa” / “Paguei pela construção da casa” (apesar de ser substituível por “para”, aqui a função do “a” foi de introduzir o objeto direto: o substantivo feminino “construção”).


Pronomes são termos que substituem outros em uma sentença. Eles evitam repetições excessivas e melhoram a estética e a coesão de um texto.


Alguns pronomes relativos, chamados assim porque são relacionados a um termo mencionado anteriormente em uma frase, estão sujeitos a levar acento grave. São eles: “a qual” e “as quais”.


Também há certos pronomes demonstrativos, que têm a função de apontar a localização de um objeto ou de uma palavra em um texto, sujeitos a levar acento grave. São eles: “tal”, “tais”, “mesma(s)” “aquele(s)”, “aquela(s)” e “aquilo”.


Quando ocorre a crase?

Nem sempre é tão óbvio identificar quais as ocasiões em que há o encontro da preposição com o artigo ou o pronome. Por isso, vou dar algumas dicas que podem ser úteis nessa identificação.


1. Quando o “a” preposição encontra o “a” artigo feminino

A regra mais básica é essa. Sempre que houver o encontro do “a” preposição com o “a” que antecede um substantivo feminino, as vogais se fundirão e levarão acento grave. Exemplos:


“Devido a a intervenção na piscina, não haverá natação amanhã” / “Devido à intervenção na piscina, não haverá natação amanhã”

“Eles foram a a farmácia” / “Eles foram à farmácia”


Normalmente não há dúvidas sobre um substantivo ser feminino ou masculino, mas as dúvidas mais comuns são sobre a presença ou não de artigo ou preposição em uma oração. Uma dica de Bezerra (2015) é substituir o substantivo feminino por um masculino correspondente.


Se o elemento que o anteceder for “o” ou “os”, quer dizer que não há preposição, por isso não vai acento grave. Se, ao contrário, o elemento regente for “ao” ou “aos”, quer dizer que há preposição, por isso a crase é necessária. Exemplos:


“Ele vai ao rio todos os dias” / “Ele vai à praia todos os dias”

“Sempre visito o local encantado” / “Sempre visito a cidade encantada”

“Nunca obedeci aos mandamentos dela” / “Nunca obedeci às ordens dela”


2. Antes de alguns pronomes relativos e demonstrativos

Sempre que houver preposição “a” antes de “tal”, “tais”, “mesma(s)“, “aquele(s)“, “aquela(s)“, “aquilo“, “a qual” ou “as quais“, vai haver crase. Exemplos:


“Me submeti a as mesmas provas que você” / “Me submeti às mesmas provas que você”

“Comunicaram a as tais moças sobre isso” / “Comunicaram às tais moças sobre isso”

“Entreguei umas moedas para aquele mendigo” / “Entreguei umas moedas a aquele mendigo” / “Entreguei umas moedas àquele mendigo”

“Morreu a policial para a qual fizemos a denúncia” / “Morreu a policial a a qual fizemos a denúncia” / “Morreu a policial à qual fizemos a denúncia”


Um jeito simples de descobrir se há preposição ou não antes desses pronomes é reescrevendo a sentença usando os demonstrativos “esta(s)”, “este(s) ou isto e verificar se a preposição “a” é exigida. Se for possível, substituir por “naquele” ou “naquela”, também é sinal de que a crase é necessária. Exemplos:


“Me submeti a estas mesmas provas” / “Me submeti às mesmas provas”

“Nunca iria a esta festa” / “Nunca iria naquela festa” / “Nunca iria àquela festa”

“Todos compraram estas frutas famintos” / “Todos compraram aquelas frutas famintos”


3. Quando forma uma locução adverbial de substantivo feminino

Quando uma preposição e um substantivo dão característica de tempo, modo, lugar ou quantidade a um verbo, faz parte de uma locução adverbial. Se o substantivo dessa locução for feminino, quando precedido da preposição “a”, use crase. Exemplos:


“Vovó está à beira da morte”

“Ele viajou às pressas”

“Às vezes, vou muito cedo ao escritório”

“Estou à toa essa semana”


Observação: as expressões “dormir a sesta” e “levar a breca” não contém crase.


Exceção: Bezerra (2015) defende que, nos adjuntos adverbiais de instrumento (à faca, à espada, à mão, à foice, etc.) só se deve usar a crase se sua ausência gerar ambiguidade. Outros aceitam seu uso em qualquer circunstância. Verifique exemplos na regra a seguir.


4. Quando se quer evitar ambiguidades

É consensual entre os gramáticos que a ausência da crase pode comprometer a clareza interpretativa em alguns casos, dando duplo sentido a uma sentença. Para estes casos, a maioria dos gramáticos permite usar a crase para estabelecer clareza, de acordo com o sentido que se quer estabelecer. Exemplos:


“Ele colocou a venda” [ele foi vendado]

“Ele colocou à venda” [ele colocou algo para ser vendido]


“Vou lavar a mão” [vai lavar as mãos]

“Vou lavar à mão” [vai lavar algo com as mãos]


“Fizeram um discurso a Fidel Castro” [Fidel Castro recebeu um discurso]

“Fizeram um discurso à Fidel Castro” [imitando Fidel Castro]


Observação: Alguns gramáticos, como Luft (2005) e Bezerra (2015), por exemplo, defendem que, para fins de evitar ambiguidades, se deve usar a crase na locução adverbial “à distância”. Não é consensual entre os linguistas, mas, se há autores consagrados que o defendem, há justificativa e fundamento (particularmente, prefiro usar). Exemplos:


“O policial observou a distância” [ele observou o espaço entre um objeto e outro]

“O policial observou à distância” [ele ficou observando de longe]


“Eu namoro a distância” [a pessoa tem um relacionamento com a distância]

“Eu namoro à distância” [a pessoa namora alguém que mora longe]


5. Quando se quer diferenciar um substantivo qualquer de um determinado

Normalmente, a função dos artigos e pronomes demonstrativos é de definir o substantivo. Quando se quer falar de um substantivo qualquer, genérico, abstrato, não use crase, mas quando se quer determiná-lo ou especificá-lo, a crase ajuda nessa interpretação. Exemplos:


“Ela é boa funcionária, mas nunca vai a reunião” [não vai a qualquer reunião]

“Ela é boa funcionária, mas nunca vai à reunião” [é uma reunião específica]


“Ele nunca foi a escola” [nunca foi a qualquer escola]

“Ele nunca foi à escola” [nunca foi a uma escola específica]


Observação: essa regra explica porque muitos gramáticos defendem que não se deve usar crase na expressão “a distância”, muito usada em “ensino a distância”, 'curso a distância' e 'graduação a distância', por exemplo. Eles alegam que a crase só deve ser usada quando essa distância for determinada, específica. Exemplo:


“Nossos corações estão à distância de um telefonema”

“Minha faculdade fica à distância de 500 metros daqui“


6. Quando for possível reger o substantivo com “da”, “na”, “pela”

Se estiver em dúvida se há artigo ou não em um topônimo, reescreva a frase de maneira que dê para regê-la com “da”, “na” ou “pela”. Se a regência for possível, quer dizer que o acento grave é obrigatório, mas se a regência só for possível com “de”, “em” e “por”, quer dizer que não há artigo nessa oração. Exemplo:


Fui à Gávea [Vim da Gávea / Moro na Gávea / Passei pela Gávea]

Fui a Copacabana [Vim de Copacabana / Moro em Copacabana / Passei por Copacabana]


Observação: concordando com a regra anterior, se o mesmo substantivo vier acrescido de algum adjetivo ou locução adjetiva, ou seja, se houver elementos com uma relação de dependência com função de especificar esse substantivo ou caracterizar o verbo da oração, a crase vai ocorrer. Exemplo:


Voltei à Copacabana de minha infância [Vim da Copacabana de minha infância / Moro na Copacabana de minha infância / Passei pela Copacabana de minha infância]


7. Antes de horas específicas

Em numerais que expressam horas exatas, deverá haver acento grave, pois nesse caso as horas assumem função de substantivo feminino. Exemplos:


“Combinamos de nos encontrar às 20h”

“A partida terá início às 21:15h“


Exceção: se a hora mencionada não for especificada, o que cabe aos casos em que o artigo não é exigido, não se usa o acento grave. Exemplos:


“Meu filho saiu após as 23h”

“Chegarei daqui a uma hora”

“São 2h a 3h de voo”


Observação: Se atente para os casos em que a crase pode determinar o sentido de uma oração. Exemplos:


“Partiremos daqui a uma hora” [a hora não está definida, apenas aproximada]

“Partiremos daqui à uma hora” [há hora definida para a partida]


8. Após verbos transitivos indiretos com preposição “a”

Os verbos transitivos indiretos são verbos que exigem um complemento para dar sentido a uma sentença. Esse complemento precisa ser regido/antecedido por preposição, o que caracteriza um objeto indireto. Se a preposição for “a” e o objeto indireto for um substantivo feminino, a regra é clara: use crase. Exemplos:


“Minha coordenadora compareceu à banca” (aqui, quem compareceu, compareceu a algum lugar, e não compareceu algum lugar. A preposição é necessária para não causar estranhamento, por isso é transitivo indireto)

“Entreguei minha dissertação à orientadora hoje” (aqui, quem entregou, entregou a alguém, e não simplesmente entregou alguém. A preposição é necessária para não causar comprometimento no sentido, por isso é transitivo indireto).


Observação: um mesmo verbo pode ser transitivo direto em uma frase, transitivo indireto em outra e intransitivo em outra. Em geral, os verbos não estão condenados a ser apenas de uma categoria, mas eles podem mudar de categoria dependendo da sua condição na sentença. Por exemplo, eu poderia dizer “Entregaram a orientadora para a polícia”, e no sentido de entregar alguém, o verbo “entregar” se torna transitivo direto, pois não pede preposição. Sendo assim, é necessário analisar cada caso.


Quando não ocorre a crase?

Também é comum colocar crase a rodo na frente de substantivos femininos, sem nem fazer o exercício de verificar se há preposição “a” + artigo feminino na oração, por isso trouxe algumas dicas de quando não usar a crase.


1. Antes de pronomes com sentido vago ou indefinido

Termos ou pronomes com sentido vago ou indefinido dispensam o uso de artigo feminino e, consequentemente, dispensam crase. Alguns deles são: “uma”, “nenhuma”, “certa”, “qualquer”, “cada”, “toda”. Exemplos:


“Eu não me dirijo a certas pessoas”

“Querem meu dinheiro a qualquer custo”


Exceções: Diante dos pronomes indefinidos “outra” ou “outras” pode haver crase se forem regidos por preposição “a”, como em “elas abraçaram umas às outras”.


Quando “uma” for um numeral escrito por extenso, está sujeito às mesmas regras do craseamento, sendo assim, há crase em “combinamos de nos ver à uma hora”, mas não há em “combinamos de nos ver daqui a vinte minutos”. Ver explicação na próxima regra.


2. Antes de numerais que antecedem um substantivo

Quando um numeral antecede um substantivo, mesmo um feminino, ele dispensa o uso do artigo, por isso não há crase, mesmo porque não ocorre a fusão de dois sons iguais. Exemplos:


“Seu segredo está guardado a sete chaves”

“Ele está a duas milhas da superfície”

“Daqui a dez quadras chegaremos ao destino”


3. Antes dos pronomes relativos “quem”, “cuja” e “que”

Quando a preposição “a” estiver antecedendo os pronomes relativos “quem”, “cuja” e “que”, não se usa artigo, por isso não há crase. Exemplos:


“O artista a cuja obra falaram mal, está mundialmente famoso”

“A imagem a que mencionamos foi premiada”

“A mulher a quem fizeram a denúncia foi morta”


Exceção: quando “a que” ou “as que” forem equivalentes a “aquela que” ou “aquelas que”, se vierem regidas pela preposição “a”, podem ser craseadas. Exemplos:


“Os prêmios foram entreguem somente a aquelas que discursaram” / “Os prêmios foram entregues somente às que discursaram”


4. Antes de verbos

É muito comum o uso da preposição “a” em verbos no infinitivo, que é o verbo que está no seu estado puro, sem sofrer qualquer tipo de flexão. Quando a preposição “a” anteceder verbos sem flexão, não ocorre a crase, pois não há artigo quando se trata de verbos, só de substantivos. Exemplos:


“Fiquei a ver navios”

“Ela compôs versos a chorar“


Também é possível encontrar “a” antes de verbos flexionados, mas nesse caso, não se trata de uma preposição, mas de um pronome oblíquo. Exemplos:


“Eles a sentenciaram ao celibato” [eles sentenciaram ela ao celibato]

“O chefe as demitiu por irresponsabilidade” [ele demitiu elas por irresponsabilidade]


5. Antes de pronomes pessoais e expressões de tratamento

Não se usa crase antes dos pronomes pessoais “eu”, “tu”, “ele”, “nós”, “vós”, “eles”, dos pronomes pessoais oblíquos “me”, “te”, “o”, “a”, “se”, “lhe”, “nos”, “vos”, “os”, “as”, “se”, “lhes” ou dos pronomes de tratamento “Vossa Excelência”, “Vossa Senhoria” ou simplesmente “você” (sim, lembra que é uma abreviação de “Vossa Mercê”? Mas também vale como substituto para “tu”). Exemplos:


“Não disseram toda verdade a ela”

“Me dirijo a Vossa Ex.ª com muita reverência”

“Eles demoraram a se explicar”


Exceção: as expressões “dona”, “senhora”, “senhorita” e “madame” não se aplicam a essa regra.


6. Após outras preposições

Não se usa duas preposições juntas e para a crase acontecer é necessário que a preposição que antecede o artigo seja “a”. Sendo assim, diante de preposições como “ante”, “após”, “com”, “conforme”, “contra”, “desde”, “durante”, “entre”, “mediante”, “para”, “perante”, “sob”, “sobre” e “segundo” não se usa crase, pois o “a” que aparece depois delas é apenas artigo. Exemplos:


“O juiz anulou a acusação mediante a apresentação de provas”

“O deputado é contra a legalização da maconha”

“Todos se calaram perante a manifestação daquela criança”


7. Em expressões com repetição em que há preposição “a”

Algumas expressões populares que fazem uso da repetição de substantivos usam a preposição “a” antes de substantivos femininos, mas a crase, nelas, é inexistente. Exemplos:


“Me encontrei cara a cara com meu ex”

“O médico contava gota a gota“


8. Após verbos transitivos diretos

Os verbos transitivos diretos são aqueles que exigem complemento para que a frase esteja completa, e esse complemento não é regido/antecedido por uma preposição (exceto em casos especiais, como o objeto direto preposicionado), o que caracteriza um objeto direto, e se não há preposição, não há crase. Se houver um “a” após esses verbos, ele é apenas artigo. Exemplos:


“Ontem, ela disse a palavra certa” (aqui, quem disse, disse algo, e não disse a algo. Foi direto para o substantivo, sem preposição, por isso é transitivo direto)

“Semana passada eu fiz a proposta” (aqui, quem fez, fez algo, e não fez a algo. Foi direto para o substantivo, sem preposição, por isso é transitivo direto)

“Quem me dera eu tivesse a garra dele” (aqui, quem tem, tem algo, e não tem a algo. Foi direto para o substantivo, sem preposição, por isso é transitivo direto)


Observação: Nada impede que um verbo intransitivo seja, em outra frase, transitivo, ou seja, apesar de “choveu” ter sentido completo, também posso dizer “choveu à meia-noite”, conferindo uma locução adverbial para caracterizar a chuva, e aí a crase é necessária. Resumindo, nenhum verbo está condenado a ser apenas transitivo ou apenas intransitivo, é necessario estudar sua condição em cada caso.


Quando o uso da crase é facultativo?

Em algumas ocasiões, usar ou não a crase não irá alterar ou comprometer o sentido da frase, por isso seu uso é facultativo. Na verdade, o que é facultativo é o uso do ARTIGO ou o uso da PREPOSIÇÃO. Na sequência, veja alguns desses casos.


1. Antes de pronomes possessivos que antecedem substantivos femininos precisos

Se o pronome possessivo servir para definir claramente a quem pertence o substantivo feminino, é facultativo usar a crase, pois nesse caso o emprego do artigo é uma questão apenas estética. Exemplo:


“Ela foi a minha casa” / “Ela foi à minha casa”

“Desistiu da viagem devido a sua doença” / “Desistiu da viagem devido à sua doença”

“Julia invejou a minha piscina” / “Julia invejou à minha piscina“


Exceções: se o pronome possessivo estiver no plural, significa obrigatóriamente que há artigo, por isso já não é facultativo o uso da crase, mas obrigatório ou proibido. Exemplo:


“Ninguém ofendeu a vossas irmãs” [não tem artigo]

“Ninguém ofendeu às vossas irmãs” [tem artigo]


Se o pronome possessivo estiver se referindo a um substantivo em elipse, é obrigatório o uso da crase. Exemplo:


“Ele não atendeu sua proposta, mas à minha” [à minha proposta]


2. Antes de nomes próprios femininos

Os nomes próprios femininos dispensam necessidade obrigatória de crase, deixando seu uso facultativo, sendo questão de preferência. Exemplos:


“Chamaram a Maria” / “Chamaram à Maria”

“Respondi a Ângela sobre a tarefa” / “Respondi à Ângela sobre a tarefa”


3. Após a preposição “até”

Apesar de não se usar duas preposições juntas, há uma flexibilidade quando se trata de “até a”, pois a expressão é uma locução prepositiva, ou seja, são dois elementos que têm função de uma única preposição.


“Andei devagar até a porta” / “Andei devagar até à porta”


Observação: Não se esqueça de verificar se a ausência ou uso da crase implicam em ambiguidade na frase. Exemplo:


“Fui até as autoridades me defender” [a pessoa se dirigiu para as autoridades]

“Fui até às autoridades me defender” [a pessoa recorreu inclusive às autoridades]


4. Após verbos que podem ser transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo

Alguns verbos têm a flexibilidade de serem transitivo direto e indireto ao mesmo tempo, ou seja, com ou sem a preposição, eles não comprometem o sentido. Nesses casos, o uso da crase é a critério do escritor. Exemplo:


“Minha dissertação obedece as normas da ABNT” (obedece algo)

“Minha dissertação obedece às normas da ABNT” (obedece a algo)

Manual da concordância nominal - Aline Gasperi

 CONCORDÂNCIA NOMINAL

A concordância nominal é a flexão, em gênero e número, do adjetivo, artigo, particípio, pronome ou numeral da oração de acordo com o substantivo (que também pode ser um pronome ou numeral substantivo ou o sujeito). Exemplos de flexão:


“A MENINA É CURIOSA”. (O ADJETIVO “CURIOSA” FLEXIONOU DE ACORDO COM O SUBSTANTIVO FEMININO “MENINA”)

O MENINO É CURIOSO. (O ADJETIVO “CURIOSO” FLEXIONOU DE ACORDO COM O SUBSTANTIVO MASCULINO “MENINO”)

MEUS FILHOS SÃO CURIOSOS. (O ADJETIVO “CURIOSOS” FLEXIONOU DE ACORDO COM O SUBSTANTIVO PLURAL “FILHOS”)

CONCORDÂNCIA DE PALAVRA PARA PALAVRA

A concordância de palavra para palavra ocorre quando a flexão segue a forma da palavra. Veja algumas regras.


1) A concordância pode ocorrer com a totalidade do sujeito composto (chamada de concordância total) ou, por atração, com o elemento mais próximo do sujeito composto (também chamada de concordância parcial). Exemplos:


“VIU-SE PINTADO O CAOS E A MISÉRIA.” (O SUJEITO COMPOSTO É “O CAOS E A MISÉRIA”. O PARTICÍPIO “PINTADO” ESTÁ NO SINGULAR POIS CONCORDOU COM A DETERMINADA MAIS PRÓXIMA DO SUJEITO: O CAOS. PORTANTO, A CONCORDÂNCIA AQUI É PARCIAL)

“ELE TEM O PRIMEIRO E O SEGUNDO BIMESTRE COMPUTADOS.” (O SUJEITO COMPOSTO É “O PRIMEIRO E O SEGUNDO BIMESTRE”. O PARTICÍPIO “COMPUTADOS” ESTÁ NO PLURAL PORQUE CONCORDA COM A TOTALIDADE DO SUJEITO COMPOSTO, QUE É MAIS DE UM ELEMENTO. PORTANTO, A CONCORDÂNCIA É TOTAL)

2) Nas orações em que houver uma única palavra determinada (termo especificado/ substantivo) as palavras determinantes (termos que especificam/adjetivos) terão que concordar em gênero e número com a determinada. Exemplo:


“EU AMO AS MANHÃS FRIAS E SILENCIOSAS.” (“MANHÃS”: PALAVRA DETERMINADA. “FRIAS E SILENCIOSAS”: PALAVRAS DETERMINANTES)

3) Nas orações em que houver mais de uma palavra determinada pertencentes ao mesmo gênero (masculino ou feminino), as palavras determinantes têm a opção de ir para o plural ou concordar com a determinada mais próxima. Exemplos:


“AMO ESTUDAR A LÍNGUA E A LITERATURA PORTUGUESAS.” (CONCORDOU COM AS DUAS)

“AMO ESTUDAR A LÍNGUA E A LITERATURA PORTUGUESA.” (CONCORDOU COM A MAIS PRÓXIMA)

OBS: 1) Se as palavras determinadas se referirem a uma só pessoa, as determinantes obrigatoriamente ficam no singular. 2) Se forem precedidas por um título ou prenome (que indica laço familiar) as determinantes obrigatoriamente ficam no plural. Exemplos:


“DE SEU PREFERIDO AMIGO E MENTOR.” (O “AMIGO E MENTOR” É UMA SÓ PESSOA. SINGULAR)

“OS APÓSTOLOS PEDRO E JOÃO.” (“APÓSTOLO” É DETERMINANTE E HÁ DUAS DETERMINADAS. PLURAL)

“AS IRMÃS MARTA E MARIA.” (“IRMÃS” É PRENOME E HÁ DUAS DETERMINADAS. PLURAL)

4) Nas orações em que houver mais de uma palavra determinada pertencentes a diferentes gêneros (masculino e feminino), as determinantes poderão flexionar no plural e assumir gênero masculino ou concordar com a determinada mais próxima. Exemplos:


“ERAM LOUCOS O RÉU, A VÍTIMA E O MAGISTRADO.” (“LOUCOS” FLEXIONOU NO PLURAL E ASSUMIU GÊNERO MASCULINO)

“PERMANECE CALADA A NATUREZA, O DIVINO E OS HUMANOS.” (“CALADA” CONCORDOU, POR ATRAÇÃO, COM A DETERMINADA MAIS PRÓXIMA: “NATUREZA”)

OBS: 1) Por uma questão estética, em casos em que há uma série de substantivos de gêneros diferentes e na sequência há um adjetivo de gênero masculino, é preferível que a(s) determinada(s) masculina(s) seja(m) posicionada(s) por último.  2) Será obrigatório o uso de plural se as determinadas sugerirem reciprocidade. Exemplo:


“SAUDARAM-NOS COM ALEGRIA, CURIOSIDADE E TEMOR SIGNIFICATIVOS.” (USAR AS DETERMINADAS FEMININAS POR ÚLTIMO SOARIA ESTRANHO, JÁ QUE O ADJETIVO ASSUMIU GÊNERO MASCULINO)

“PAI E FILHO, ENGAJADOS, SE MANIFESTARAM.” (OS DOIS, RECIPROCAMENTE, SE MANIFESTARAM)

5) Quando houver um único substantivo e mais de um adjetivo, é optativo  colocar a determinada no plural ou no singular, assim como é facultativo repetir o artigo. Exemplos:


“AMO A LITERATURA BRASILEIRA E PORTUGUESA.” (OPTOU-SE POR DEIXAR NO SINGULAR)

“AMO AS LITERATURAS BRASILEIRA E PORTUGUESA.” (OPTOU-SE POR FLEXIONAR NO PLURAL)

“AMO A LITERATURA BRASILEIRA E A PORTUGUESA.” (OPTOU-SE POR REPETIR O ARTIGO “A”)

Esta última construção não é aceita por todos os gramáticos

CONCORDÂNCIA DE PALAVRA PARA SENTIDO

Também pode acontecer a concordância de palavra para sentido (mais conhecida como silepse), que nada mais é do que o respeito pelo sentido da determinada em detrimento da sua forma. Alguns casos em que isso acontece:


1) Com substantivos que estão no singular, mas se referem a um coletivo. Exemplo:


“A MULHERADA RESPONDEU COM TANTA FORÇA QUE FORAM TEMIDAS.” (APESAR DE “A MULHERADA” ESTAR SE REFERINDO A MAIS DE UMA MULHER, O VERBO “RESPONDEU” SE SUBMETEU À SUA FORMA, JÁ A LOCUÇÃO “FORAM TEMIDAS” CONCORDOU COM O SENTIDO DE SER MAIS DE UMA MULHER)

2) Em pronomes e expressões de tratamento femininas (Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Sua Majestade, etc.), quando se referem a alguém do sexo masculino (contanto que o adjetivo não esteja logo na sequência do pronome, como em “Sua Majestade atenciosa”). Exemplo:


“VOSSA EXCELÊNCIA É MUITO OBSERVADOR” (NA CONCORDÂNCIA DE PALAVRA PARA PALAVRA, O ADJETIVO “OBSERVADOR” DEVERIA ESTAR NO FEMININO, MAS SE A PESSOA EM QUESTÃO É UM HOMEM, ESSA CONSTRUÇÃO É PERMITIDA)

3) Quando o substantivo está sendo usado no singular para generalizar, e quer se referir a “qualquer deles“. Exemplo:


“NÃO JULGUEM MULHER POR CAUSA DE ROUPA, POIS ESTAS DIZEM POUCO SOBRE O INTERIOR DAQUELAS.” (OS SUBSTANTIVOS “MULHER” E “ROUPA” FORAM EMPREGADOS NO SINGULAR PARA UMA AFIRMAÇÃO GENERALIZADA SOBRE ELES, OU SEJA, ESTÃO SE REFERINDO A “QUALQUER MULHER” E “QUALQUER ROUPA”, LOGO, OS PRONOMES “ESTAS” E “DAQUELAS” E O VERBO “DIZEM” ACOMPANHARAM O SENTIDO DE SER MAIS DE UMA MULHER E MAIS DE UMA ROUPA)

OUTROS CASOS

Existem algumas situações que se diferenciam das acima apresentadas, que falaremos a seguir:


1) Na expressão “um e outro“, quando está se referindo ao sujeito da oração, orienta-se a deixar o substantivo ligado à expressão no singular e flexionar o verbo ligado ao sujeito. Nas expressões “nem um, nem outro” e “um ou outro“, substantivo e verbo devem estar no singular. Exemplos:


“QUANDO A MAGISTRADA FALOU EM DESIGUALDADE ENTRE HOMEM E MULHER, DEIXOU CLARO QUE NÃO ACHA QUE UM E OUTRO GÊNERO SEJAM IGUAIS EM TUDO, MAS QUE NENHUM DELES É MELHOR OU PIOR QUE O OUTRO.” (AQUI, “GÊNERO” É UM SUBSTANTIVO LIGADO À EXPRESSÃO “UM E OUTRO”, QUE FICA NO SINGULAR, ENQUANTO O VERBO E OS DEMAIS ELEMENTOS QUE SE REFEREM AO SUJEITO “HOMEM E MULHER” SE FLEXIONAM NO PLURAL)

“NEM UM NEM OUTRO LIVRO PRECISA SER DESCARTADO.” (O SUBSTANTIVO “LIVRO” LIGADO À EXPRESSÃO “NEM UM NEM OUTRO”, APARECE NO SINGULAR, E COM ELE CONCORDAM OS DEMAIS ELEMENTOS).

“UM OU OUTRO CASAL ANDAVA DE BARCO DE GRAÇA EM DIAS COMEMORATIVOS.” (APESAR DE “CASAL” SE REFERIR A DUAS PESSOAS, QUANDO O SUBSTANTIVO ESTÁ LIGADO À EXPRESSÃO “UM OU OUTRO”, JUNTAMENTE COM O VERBO, O SINGULAR É A REGRA)

2) A palavra “menos” é invariável. Pode ter função de preposição, advérbio, pronome ou substantivo, mas em nenhuma ocasião ela flexiona em gênero, ou seja, não existe “menas”. Exemplo:


“HOJE TEM MENOS MULHERES DO QUE ONTEM.”

3) A palavra “anexo“, quando é adjetivo (assim como “apenso” e “incluso”), flexiona em número e gênero, de acordo com o substantivo em questão (aquilo que está sendo falado ou enviado). É muito comum o erro de não flexioná-los. Já quando tem função de substantivo, não flexiona em gênero, mas pode flexionar em número. Exemplos:


“SEGUE, ANEXO (APENSO/INCLUSO), AS CAPAS.” (ERRADO, POIS “AS CAPAS” É PLURAL E FEMININO)

“SEGUEM, ANEXAS (APENSAS/INCLUSAS), AS CAPAS.” (CORRETO)

“ESTOU FALANDO DOS ANEXOS QUE ME ENVIOU ONTEM.” (CORRETO)

A expressão “em anexo” recebe muita resistência por parte de alguns gramáticos. Apesar de usual e permitida, é preferível usar o termo sem a preposição. Exemplo:


“SEGUE VÍDEO EM ANEXO.” (NÃO É PROIBIDO, MAS ENCONTRA RESISTÊNCIA EM MUITOS AUTORES)

“SEGUE VÍDEO ANEXO.” (NENHUM AUTOR DISCORDA DESSE USO, PORTANTO ELE É PREFERÍVEL)

4) A palavra “meio“, quando significa “um pouco” ou “um tanto”, é advérbio e não flexiona nem em gênero nem em número, mesmo se referindo a um substantivo feminino ou plural. Quando significa “metade”, é numeral e pode flexionar em gênero e, inclusive, em número (embora pouco usual, é correto). Exemplos:


“AS GÊMEAS ESTÃO MEIO CONFUSAS.”

“ESTOU ESPERANDO VOCÊ HÁ MEIA HORA.”

“UMA HORA EQUIVALE A DUAS MEIAS HORAS.”

5) Os falsos prefixos “pseudo” e “todo“, quando em palavras compostas, são invariáveis (vale lembrar que “pseudo” só leva hífen em palavras cujo segundo elemento inicia com H ou O). Exemplos:


“AQUELA MANÍACA É MAIS UMA PSEUDO-HEROÍNA.”

“SUSTENTO UMA FÉ TODO-PODEROSA.”

6) A palavra “possível“, quando estiver nas expressões “o mais possível”, “o menos possível”, “o melhor possível”, “o pior possível”, etc., é invariável, não concordando em gênero ou número. Já quando antecedida por \”os(as) mais”, “os(as) menos”, “os(as) melhores”, “os(as) piores”, etc., flexiona. Exemplos:


“QUERO AS DUAS SE ARRUMANDO O MAIS LINDAS POSSÍVEL.”

“COLECIONO AS FOTOGRAFIAS MAIS BELAS POSSÍVEIS.”

7) Nas expressões “é necessário“, “é bom“, “é proibido“, “é permitido“, “é vedado“, etc. (este último quando tem sentido de “proibido”), o adjetivo só flexiona quando o sujeito ou substantivo ao qual ele se refere é regido por artigo ou pronomes que configuram gênero. Exemplos:


“É NECESSÁRIO PACIÊNCIA.”

“SÃO NECESSÁRIAS REFORMAS.”

“É PROIBIDA A ENTRADA DE ANIMAIS.”

“È PROIBIDO VENDER MATERIAL CLANDESTINO AQUI.”

OBS: Normalmente, a não flexão da determinante dá um sentido de generalização à determinada. É diferente, por exemplo, dizer “limonada é bom” e “a limonada é boa”, pois um quer dizer que é bom beber qualquer limonada e o outro que uma limonada específica é boa.


8) O pronome indefinido “bastante” é váriavel quando tem sentido de “muitos” ou “vários”, portanto, se estiver ligado a um substantivo plural, ele também vai para o plural. Exemplo:


“ESTAMOS TENDO BASTANTES MOTIVOS PARA DESCONFIAR DESSA DECISÃO.”

9) O pronome determinante, quando se referir a mais de uma palavra determinada, necessariamente concorda em número e gênero com elas, não existindo a opção de concordar só com a última palavra determinada. Exemplo:


“PERCEBI A VAIDADE, A GANÂNCIA E A INDIFERENÇA, SEMPRE ENOJANDO-AS.” (AQUI O PRONOME OBLÍQUO ÁTONO “AS” ESTÁ SE REFERINDO A TRÊS SUBSTANTIVOS FEMININOS, POR ISSO ESTÁ NO PLURAL E, OBVIAMENTE, NO FEMININO)

10) A palavra “alerta“, enquanto advérbio, não deve ser flexionada, apenas quando for usada como substantivo. Exemplos:


“TODOS NÓS ESTAMOS ALERTA.”

“ELA EMITIU UMA SÉRIE DE ALERTAS SOBRE O PROBLEMA AMBIENTAL.”

11) As expressões “exceto“, “salvo“, “mediante“, “não obstante“, “tirante“, entre outras que passaram da função de particípio para as funções de preposição, não devem sofrer flexão. Apesar de ser uma colocação permitida, é considerada ultrapassada pela maioria dos escritores. Exemplos:


“O TRIBUNAL, SALVAS EXCEÇÕES POLÍTICAS, INTERFERIA NOS CASOS MAIS POPULARES.” (EM DESUSO)

“ELA AINDA REGAVA, SALVO HIPÓTESE DE CHUVA OU NEVE, AS FLORES DA PRAÇA.” (PREFERÍVEL)

'Salvo' quando é particípio, varia normalmente.

Também não variam as conjunções consecutivas 'de maneira que', 'de modo que', 'de forma que' e 'de sorte que'.

12) Em nomes de cores compostos, a preferência é por deixar o primeiro adjetivo invariável e fazer a concordância com a palavra determinada apenas no segundo (ou terceiro, dependendo de quantas cores houver). Exemplos:


“AMO SEUS OLHOS VERDE-AZULADOS.”

“A TINTA APARENTAVA TER PIGMENTAÇÃO MARROM-VERMELHO-ALARANJADA.”

13) Em adjetivos compostos pátrios ou gentílicos (que indicam naturalidade/nacionalidade), é somente o último elemento que concorda com a determinada, e o primeiro (ou os primeiros, pois pode haver mais de dois elementos) fica invariável. Exemplos:


“O ACORDO LUSO-BRASILEIRO INCOMODOU MUITA GENTE.”

“ELA É UMA CRIANÇA FRANCO-AFRO-BRASILEIRA.”

14) A palavra “grama”, quando se refere à unidade de medida, é um substantivo masculino, por isso o numeral que o acompanhar deve concordar com ele no masculino. Exemplo:


“PEDI TREZENTOS GRAMAS DE MORTADELA PARA ESSA QUANTIDADE DE PÃES.”

Manual da concordância verbal - Aline Gasperi

 CONCORDÂNCIA VERBAL

A concordância verbal é a flexão, em número e pessoa, do verbo (ou do predicativo) em relação ao sujeito da oração. Exemplo de flexão:


“A MULHER OLHOU PARA MIM.” (O VERBO “OLHOU” CONCORDOU COM O SUJEITO SINGULAR “MULHER”)

“AS MULHERES OLHARAM PARA MIM.” (O VERBO “OLHARAM” CONCORDOU COM O SUJEITO PLURAL “MULHERES”)

O sujeito pode ser simples ou composto. Ele é sujeito simples quando é um único elemento que identifica o sujeito (um substantivo, um nome próprio, entre outros). Ele é sujeito composto quando são dois ou mais elementos que identificam um único sujeito. Exemplos:


“MARIA CHEGA À CIDADE AMANHÃ.” (SUJEITO SIMPLES: MARIA)

“DINHEIRO E FAMA ERAM ROTINEIROS PARA MIM.” (SUJEITO COMPOSTO: DINHEIRO E FAMA)

CONCORDÂNCIA DE PALAVRA PARA PALAVRA

Ocorre a concordância de palavra para palavra quando a flexão segue regras que obedecem à forma da palavra ou à função de cada elemento. A concordância pode ser total (considerando a totalidade de sujeitos, mesmo que no singular) ou parcial (concordando, por atração, com o sujeito mais próximo). Veja alguns casos a seguir.


1) O verbo sempre vai concordar com o sujeito. Mesmo se o sujeito for um coletivo, se ele for simples e estiver no singular, o verbo vai permanecer no singular. Se for simples e plural, o verbo vai para o plural. Exemplos:


“POVO QUE NÃO COBRA GOVERNO, PERDE O QUE JÁ TINHA E O QUE PODIA TER.” (“POVO” SE REFERE A MAIS DE UMA PESSOA, MAS A PALAVRA ESTÁ NO SINGULAR, POR ISSO O VERBO “PERDE” CONCORDA COM A PALAVRA)

“OS LEIGOS, ACHANDO QUE SABEM TUDO, CONVENCEM OS SÁBIOS QUE ACHAM QUE NÃO SABEM NADA.” (SUJEITO NO PLURAL = VERBO NO PLURAL)

2) Se o sujeito for composto, havendo mais de um sujeito (ainda que sejam descritos no singular), o verbo fica no plural, mas também pode acontecer a concordância em relação à determinada mais próxima, principalmente se ela estiver após o verbo.


Vale ressaltar que, se o sujeito for composto por dois singulares, mas um dos singulares for um adjunto adverbial de companhia, isolado entre vírgulas, é opcional flexionar ou não o verbo no plural. Exemplos:


“A POESIA, ASSIM COMO A MÚSICA, ENCANTAM PELA ESTÉTICA MAIS DO QUE PELA MENSAGEM.” (O VERBO “ENCANTAM” CONCORDOU COM A TOTALIDADE DOS SUJEITOS, QUE SÃO DOIS SINGULARES: “POESIA E MÚSICA”)

“A POESIA, ASSIM COMO A MÚSICA, ENCANTA PELA ESTÉTICA MAIS DO QUE PELA MENSAGEM.” (AQUI HÁ UM SUJEITO COMPOSTO: “A POESIA, ASSIM COMO A MÚSICA”, MAS O SEGUNDO SUBSTANTIVO NO SINGULAR ESTÁ DENTRO DE UM ADJUNTO ADVERBIAL DE COMPANHIA, ISOLADO ENTRE VÍRGULAS, O QUE PERMITE QUE O VERBO PERMANEÇA NO SINGULAR, CONSIDERANDO, COMO SUJEITO, APENAS “A POESIA”. SE INVERTERMOS A FRASE, FICA MAIS CLARO: “ASSIM COMO A MÚSICA, A POESIA ENCANTA MAIS PELA ESTÉTICA DO QUE PELA MENSAGEM”)

“AO REI RESPEITA O POVO E TAMBÉM OS SÚDITOS.” (O VERBO “RESPEITA” CONCORDOU POR ATRAÇÃO COM O SUJEITO MAIS PRÓXIMO: “POVO”)

OBS: Se o segundo substantivo for consequência do primeiro ou se os dois substantivos juntos tiverem função de um único elemento, o verbo pode ficar no singular. Exemplos:


“A DOENÇA E MORTE DE MINHA AVÓ ME DEIXOU ABALADA.”

“O ENTRA E SAI DOS ALUNOS IRRITA OS PROFESSORES.”

CONCORDÂNCIA DE PALAVRA PARA SENTIDO

A corcordância de palavra para sentido acontece quando a função do elemento é colocada em segundo plano para respeitar o seu sentido, ainda que fuja às normas tradicionais. Veja alguns casos.


1) O verbo pode ir ao plural mesmo com um sujeito no singular, se esse sujeito representar uma coletividade. Essa flexão, no entanto, está condicionada à pertinência estética, já que soa desagradável construções como “a gente vamos” ou “o povo trabalham”. É preferível que o verbo flexione apenas se tiver distância suficiente desse sujeito, diminuindo, assim, a estranheza. Exemplos:


“O POVO SE ACOSTUMA COM O DECLÍNIO POLÍTICO QUE OS DESTRÓI, SEM AO MENOS CONTESTAREM.” (O PRIMEIRO VERBO CONCORDOU COM A PALAVRA, PERMANECENDO NO SINGULAR. O SEGUNDO VERBO, CONCORDOU COM O SENTIDO, FLEXIONANDO NO PLURAL, MAS PORQUE JÁ TINHA CERTA DISTÂNCIA DO SUBSTANTIVO “POVO”)

“A GENTE VAI HOJE AO JURI E CERTAMENTE SEREMOS OUVIDOS.” (O SUJEITO “A GENTE” É SINGULAR, POR ISSO O VERBO “VAI” ESTÁ CONCORDANDO COM ELE, NO SINGULAR. JÁ O VERBO “SEREMOS”, ASSIM COMO O PARTICÍPIO “OUVIDOS”, ESTÃO NO PLURAL PORQUE ACOMPANHAM O SENTIDO QUE O SUJEITO CARREGA, DE SE REFERIR A MAIS DE UMA PESSOA. NORMALMENTE, OS VERBOS OU ADJETIVOS QUE APARECEM IMEDIATAMENTE NA SEQUÊNCIA OU ANTECEDENTO O SUBSTANTIVO CONCORDAM COM A FORMA DELE)

2) Se o sujeito composto for constituido de mais de um pronome pessoal no singular, o verbo precisa concordar com o conjunto. Exemplos:


“À RAINHA REVERENCIAMOS ELA, ELE E EU.” (O VERBO FOI PARA A PRIMEIRA PESSOA DO PLURAL PORQUE OS SUJEITOS TÊM O MESMO SENTIDO DE “NÓS”)

“TU E OS OUTROS PALHAÇOS AMEDRONTAIS NOSSA COMUNIDADE ATÉ HOJE.” (O VERBO FOI PARA A SEGUNDA PESSOA DO PLURAL PORQUE O SUJEITO COMPOSTO TEM SENTIDO DE “VÓS”)

Contudo, aceita-se o uso da 3ª pessoa do plural: Tu e ele trabalham juntas.

OUTROS CASOS

Seguem algumas outras situações que se diferenciam das acima mencionadas.


1) Sempre que o sujeito composto tiver dois sujeitos singulares ligados por elementos que dão a ideia de adição (“e”, “tanto quanto”, “assim como”, “nem”, “com”, entre outros), o verbo tem a opção de concordar no plural ou concordar com o sujeito mais próximo, mas sempre obedecendo ao critério estético. Exemplos:


“TANTO MARQUESINE COMO ANITTA JÁ BEIJARAM NEYMAR.”

“MARQUESINE, ASSIM COMO ANITTA, JÁ BEIJOU NEYMAR.”

“VOCÊ, COM SUA FAMÍLIA, EMBARCARÃO NA PRÓXIMA TERÇA.”

“NEM EU NEM ELA VIMOS UM AO OUTRO ANTES DA CERIMÔNIA.”

OBS: Quando a expressão que usa “nem” estiver acompanhando os pronomes indefinidos “um” e “outro”, o verbo fica no singular. Exemplo:


“NEM UM NEM OUTRO COMPARECEU AO JULGAMENTO.”

2) Quando os sujeitos forem ligados por “ou”, o verbo só vai ficar no singular ou concordar com o sujeito mais próximo em três ocasiões: quando a preposição “ou” indicar exclusão (uma opção exclui a outra), quando indicar retificação (é usada uma palavra, mas dependendo de algum fator pode ser outra) ou quando indicar equivalência (substitui “em outras palavras”, com intenção de mostrar que significam a mesma coisa). Exemplos:


“OU O NAMORADO OU O IRMÃO VAI PODER VIAJAR COM ELA DESSA VEZ.” (EXCLUSÃO)

“ESPERO QUE SEU FILHO OU FILHA NASÇA SAUDÁVEL.” (RETIFICAÇÃO)

“NOSSO PAI, OU NOSSO HERÓI, É SEMPRE ATENCIOSO E GENEROSO.” (EQUIVALÊNCIA)

OBS: Já quando a conjunção “ou” entre dois sujeitos se referir a uma totalidade ou der ideia de adição, assim como falado no tópico anterior (2), o verbo preferencialmente vai para o plural, mas pode aparecer no singular. Exemplo:


“O DESCUMPRIMENTO OU ABUSO DO CONTRATO ANULARÃO SUA VALIDADE.” (AMBOS ANULARÃO)

3) É opcional flexionar ou não o verbo quando em seu sujeito vierem as expressões “a maioria de“, “a maior parte de“, “parte de“, “grande parte de“, entre outras no singular, seguidas de um elemento no plural. Exemplos:


“A MAIORIA DOS HOMENS GOSTA DE BEBER CERVEJA.”

“A MAIOR PARTE DOS HOMENS GOSTAM DE BEBER CERVEJA.”

4) Se o sujeito carrega a expressão “cada um de“, o verbo fica sempre no singular. Exemplos:


“CADA UM DELES PEDIU DESCULPAS.”

“CADA UM DE NÓS CARREGA BAGAGENS.”

5) Na expressão “mais de um“, normalmente o verbo deve ficar no singular, mas é permitido ir para o plural concordando com o sentido, quando houver reciprocidade ou repetição, embora seja pouco usual e também permitido. Exemplos:


“MAIS DE UM HOMEM BEBEU NESTA CASA.”

“GARANTO QUE HÁ MAIS DE UM QUE NÃO ENTREGARAM SUA HONRA POR DINHEIRO.”

6) Na expressão “que de“, quando significam “quanto de”, seguida de um substantivo no plural, o verbo deverá ir para o plural. Exemplo:


“QUE DE FORÇAS EXISTEM NO CORAÇÃO MATERNO.”

7) Nas expressões “quais de“, “quais dentre“, “quantos entre” ou outras equivalentes, o verbo deverá ir para o plural para concordar com o pronome. Mas em “qual entre vós“, fica no singular, também respeitando a concordância com o pronome. Exemplos:


“QUAIS DE VOCÊS SE IDENTIFICAM COM O QUE EU DISSE?”

“QUANTOS ENTRE ELES VÃO ACEITAR A PENA E CONTINUAR VIVOS?”

“QUAL DENTRE VÓS É O MAIS CORAJOSO?”

8) Se o que antecede o pronome relativo “que” for um predicativo, ou seja, se complementa a oração principal ou é adjetivo dela, é optativo concordar o verbo da oração adjetiva com o sujeito da oração principal, mas só se não fizer questão de estabelecer uma relação de intimidade clara entre predicativo e sujeito. Exemplos:


“EU FUI A PRIMEIRA QUE CONSEGUI DECIFRAR ESSE CÓDIGO.”

“EU FUI A PRIMEIRA QUE CONSEGUIU DECIFRAR ESSE CÓDIGO.”

9) Com o pronome “quem”, o verbo da oração subordinada pode ir para a 3ª pessoa do singular, independentemente do que o antecedeu, ou pode concordar com esse antecedente, dependendo da intenção de quem está enunciando. Exemplos:


“ERAM AS PESSOAS E OS ANIMAIS QUEM FAZIA ELE SE APAIXONAR CADA VEZ MAIS PELO LUGAR.”

“ERAM AS PESSOAS E OS ANIMAIS QUEM FAZIAM ELE SE APAIXONAR CADA VEZ MAIS PELO LUGAR.”

“QUEM FAZIA ELE SE APAIXONAR CADA VEZ MAIS PELO LUGAR ERAM AS PESSOAS E OS ANIMAIS.”

10) Na expressão “um dos que”, é optativo concordar o verbo com o seletivo “um” ou com o termo sujeito no plural, a não ser que o verbo só se aplique a aquele sujeito singular específico. Exemplos:


“ELE ERA UM DOS QUE MAIS RECLAMAVAM NO QUARTEL.”

“UM DOS SOLDADOS QUE MAIS RECLAMAVA NO QUARTEL ERA ELE.”

“FOI UM DOS SEUS SOLDADOS QUE RECLAMOU DE MIM ANONIMAMENTE ONTEM, SÓ NÃO SEI QUEM”. (NÃO FORAM VÁRIOS QUE RECLAMARAM, APENAS UM, E COMO ESSE SUJEITO É ESPECÍFICO, O VERBO VAI CONCORDAR COM ELE OBRIGATORIAMENTE)

11) Nas orações em que o verbo é impessoal, ou seja, que não é nenhum sujeito que realiza ou sofre a ação, o verbo assume a forma da terceira pessoa do singular (essa é a regra, embora haja alguns casos poéticos em que o plural ocorre). Isso acontece, por exemplo, com os verbos “poder“, “ter”, “haver” ou “dever“.


Mas quando o verbo é parte de uma locução verbal na condição de verbo auxiliar de um verbo pessoal, ele deve flexionar. Já se o verbo principal for impessoal, ou seja, não for uma ação realizada por algo ou alguém, o verbo auxiliar não flexiona. Exemplos:


“DEVE TER DELATORES ENTRE NÓS.” (AQUI TEMOS O VERBO “DEVER” EM UMA LOCUÇÃO VERBAL NA CONDIÇÃO DE VERBO AUXILIAR, PORÉM O VERBO PRINCIPAL “TER” É IMPESSOAL, POIS NÃO É ALGUÉM OU ALGO QUE TEM ALGUMA COISA. NÃO HÁ UM SUJEITO QUE TEM. NESSE CASO, O VERBO AUXILIAR NÃO FLEXIONA)

“SE NÃO HOUVESSEM NOMEADO GOVERNADORES AUTORITÁRIOS, SERIAMOS LIVRES.” (AQUI O VERBO “HOUVESSEM” FLEXIONOU PORQUE ESTÁ CUMPRINDO PAPEL DE VERBO AUXILIAR DE UM VERBO PESSOAL, QUE ESTÁ SE REFERINDO A UM SUJEITO OCULTO — O PRONOME “ELES” — EM UMA LOCUÇÃO VERBAL)

“HÁ VÁRIOS COVARDES NESSA ASSEMBLEIA.” (AQUI O VERBO “HAVER” É IMPESSOAL, POIS TEM O MESMO SENTIDO DO VERBO “EXISTIR” OU “TER”, PORTANTO NÃO FLEXIONOU MESMO COM O SUJEITO NO PLURAL)

OBS: uma dica para saber se o verbo principal é pessoal ou impessoal é ignorar o verbo auxiliar e observar se o verbo principal flexiona. Exemplo (usando os mesmos verbos acima):


“SE NÃO NOMEASSEM GOVERNADORES AUTORITÁRIOS, SERÍAMOS LIVRES.” (OBSERVE QUE O VERBO “NOMEAR” FLEXIONOU, POR ISSO O VERBO AUXILIAR PODE FLEXIONAR, ENTÃO É CORRETO USAR “HOUVESSEM NOMEADO”)

“TEM DELATORES ENTRE NÓS” (OBSERVE QUE NÃO FOI POSSÍVEL COLOCAR O VERBO “TER” NO PLURAL, QUE SERIA “TÊM”, POIS NÃO É UM SUJEITO QUE TEM ALGUMA COISA. O VERBO TEM O MESMO SENTIDO DE “HÁ”, PORTANTO “TEM”, AQUI, É VERBO IMPESSOAL, POR ISSO, NA LOCUÇÃO “DEVE TER”, O VERBO AUXILIAR NÃO VAI PARA O PLURAL MESMO COM UM SUJEITO NO PLURAL)

12) Quando o verbo está na passiva nominal, a norma é que ele concorde com o substantivo que a gramática compreende como sujeito. O mesmo vale para o verbo no infinitivo com sujeito explícito. Porém os verbos “poder” e “dever” apresentam a possibilidade de ficar no singular mesmo com o sujeito no plural, se a intenção for de enfatizar. Exemplos:


“ALUGAM-SE CARROS.”

“ALUGA-SE CASA”

“CORRE O RISCO DE SE PERDEREM AS ARGUMENTAÇÕES.”

“DEVE-SE OBEDECER ÀS LEIS.”

13) Quando houver locução verbal (dois verbos que têm função de apenas um), somente o verbo auxiliar (que especifica o verbo principal) concorda com o sujeito. Porém, os verbos “querer“, “poder” e “dever“, quando acompanhados do pronome apassivador “se“, podem ficar no singular mesmo com sujeito no plural, principalmente para determinar um sujeito ou fugir da confusão entre pronome reflexivo/recíproco/passivo. Exemplos:


“VOCÊS PODEM VOLTAR QUANDO QUISEREM.”

“ELES PUDERAM VOLTAR MAIS CEDO.”

“DEVE-SE CELEBRAR OS SUCESSOS”.

“QUER-SE INVERTER OS AGENTES.” (NA FRASE “QUEREM-SE INVERTER OS AGENTES”, PODE PARECER QUE SÃO OS AGENTES QUE QUEREM SE ALTERAR SOZINHOS, QUE FICARIA ESTRANHO SE A INTENÇÃO É DIZER QUE ALGUÉM DE FORA QUER FAZER ISSO, MESMO QUE SEJA UM ALGUÉM COLETIVO)

14) Na expressão “não/nunca/ninguém… senão” ou “não/nunca… mais/menos que” em que o sujeito é indeterminado ou o verbo é acompanhado do pronome “se”, o verbo entre a expressão sempre vai concordar com o sujeito, a não ser que o sujeito/pronome esteja na primeira ou segunda pessoa, distanciados de “senão”. Exemplos:


“NÃO SE ENXERGAVAM SENÃO CADÁVERES.”

“NUNCA SE TOLERAVAM MENOS QUE FAMOSOS.”

15) Em títulos no plural, normalmente se flexiona o verbo relacionado a ele no plural, mas com o verbo “ser” e com predicativo no singular, o singular é permitido. Exemplos:


“OBSERVO QUE AS CARTAS PERSAS TÊM O ESPÍRITO DAS LEIS.”

“CONCLUÍ QUE AS CARTAS PERSAS É UM LIVRO FANTÁSTICO.”

16) Quando um sujeito composto é seguido de expressões de valor distributivo como “cada qual” ou “cada um“, o verbo vai concordar com a expressão, ou seja, fica no singular. Mas se o verbo estiver logo após o sujeito e antes da expressão, concorda normalmente com o sujeito. Exemplos:


“MÃE E FILHA, CADA UMA SEGUIU SEU CAMINHO.”

“MÃE E FILHA SEGUIRAM, CADA UMA, SEU CAMINHO.”

17)  Se o sujeito de um verbo for uma oração subordinada substantiva subjetiva (também chamado de sujeito oracional) que tem um função de um substantivo no singular, esse verbo fica no singular. O singular também é regra para o verbo que tem duas ou mais orações coordenadas como sujeito. Exemplos:


“AQUI NÃO SE USA AS NOIVAS ENTRAREM SEM VÉU.” (UMA DICA PARA SABER QUANDO O SUJEITO É UMA ORAÇÃO É SE PERGUNTAR DE ACORDO COM O VERBO: QUEM OU O QUE “NÃO SE USA”? NÃO PODERIA SER SOMENTE “AS NOIVAS”, PORQUE NÃO SÃO AS NOIVAS QUE SÃO USADAS, ENTÃO O SUJEITO É A ORAÇÃO INTEIRA: “AS NOIVAS ENTRAREM SEM VÉU NÃO SE USA”)

“QUE ELA ESTAVA VULNERÁVEL E ELE EXPÔS A VULNERABILIDADE DELA É SABIDO.” (O QUE É SABIDO? QUE ELA ESTAVA VULNERÁVEL)

18) Nas expressões em porcentagem, o verbo concorda com a preposição que especifica a referência numérica. Exemplos:


“37% DAS MULHERES BRASILEIRAS ASSISTIRAM À COPA FEMININA.”

“99% DA CLIENTELA ELOGIOU O NOVO PETISCO.”

19) Os pronomes de tratamento, incluindo “você”, são considerados indiretos, portanto, apesar de indicarem a segunda pessoa do singular (tu), sempre o verbo que se refere ao pronome de tratamento vai conjugar na terceira pessoa do singular (ele). Exemplos:


“VOSSA ALTEZA PODERÁS SEGUIR COM O PLANO EM BREVE.” (ERRADO)

“VOSSA ALTEZA PODERÁ SEGUIR COM O PLANO EM BREVE.” (CERTO)

20) O verbo “fazer”, quando tem sentido de tempo transcorrido, assume um caráter impessoal, portanto não flexiona. Exemplo:


“FAZ TRÊS NOITES QUE EU NÃO DURMO.”

CONCORDÂNCIA DO VERBO “SER”

O verbo “ser” é um caso especial, por isso merece uma seção à parte. Isso porque, apesar de normalmente concordar em número com o sujeito, há ocasiões em que ele pode concordar com o predicativo do sujeito, ou seja, com o termo que confere característica ao sujeito da oração. As ocasiões em que isso pode ocorrer são:


1) Quando o sujeito do verbo “ser” são as expressões “o resto“, “o mais“, ou um desses pronomes: “o que“, “quem“, “que“, “tudo“, “nada“, “nenhum“, “ninguém“, “isso“, “isto“, “aquilo“. Exemplos:


“NEM TUDO ERAM FLORES.” (PERCEBA QUE, NESSA CONSTRUÇÃO, O SUJEITO DA ORAÇÃO É O PRONOME “TUDO” MAS O VERBO ESTÁ CONCORDANDO COM O PREDICATIVO “FLORES”, QUE É QUEM ADICIONA INFORMAÇÃO/CARACTERÍSTICA AO SUJEITO)

“UMA INICIATIVA DEU CERTO, O RESTO FORAM TENTATIVAS.” (O SUJEITO DA ORAÇÃO EM DESTAQUE É A EXPRESSÃO “O RESTO”, MAS O VERBO CONCORDA COM O PREDICATIVO “TENTATIVAS”, QUE ADICIONA INFORMAÇÃO/CARACTERÍSTICA AO SUJEITO)

“O QUE EU MAIS GOSTO EM VOCÊ SÃO SEUS OLHOS.” (UMA DICA QUE NÃO FUNCIONA COM TODAS AS ORAÇÕES, MAS PODE ESCLARECER MELHOR, É INVERTER A ORDEM. SE A FRASE FOSSE “SEUS OLHOS SÃO O QUE EU MAIS GOSTO EM VOCÊ”, O SUJEITO DA FRASE SERIA “SEUS OLHOS”, O QUE JUSTIFICA O VERBO NO PLURAL)

OBS: O verbo pode até ficar no singular nesses casos, concordando com o sujeito, mas, embora permitido, esse é um uso mais raro e em alguns casos soa deselegante.


2) Quando o verbo “ser” carrega o sentido de “ser constituído por“. Exemplos:


“O PÚBLICO-ALVO ERAM OS HOMENS JOVENS.”

“A PREVISÃO ERAM PACOTES DE MACARRÃO E ARROZ.”

3) Quando o verbo “ser” é empregado impessoalmente, ou seja, sem sujeito, quando estiver designando horas, datas e medidas. Exemplos:


“SÃO DUAS HORAS.”

“SÃO DOIS QUILÔMETROS ATÉ A ESTAÇÃO.”

OBS: o verbo pode (mas não é obrigado a) ficar no singular se o predicativo estiver precedido de “perto de” ou “quase“. Exemplos:


“ERA PERTO DE DUAS HORAS.”

“É QUASE DOIS QUILÔMETROS ATÉ A ESTAÇÃO.”

4) Quando o verbo “ser” está nas expressões “é muito(a)“, “é pouco(a)“, “é tanto“, “é mais de“, especificando peso, medida, preço, tempo, valor ou quantidade. Exemplos:


“QUINZE HOMENS É MUITA GENTE PARA ESSE CÔMODO.”

“DEZ REAIS É POUCO PARA ESSA CAMISETA.”

5) Nas expressões equativas (que expressam identidade) em que o verbo está entre dois substantivos de números diferentes (um no singular e outro no plural), o verbo poderá concordar com o que está no plural, mas pode permanecer no singular se for esteticamente melhor, como em frases que usam anáfora (repetições). Exemplos:


“JUSTIÇA NÃO É LIMITE, JUSTIÇA SÃO PORTAS ABERTAS PARA UM FUTURO MELHOR.” (CONCORDA COM PREDICATIVO)

“JUSTIÇA NÃO É LIMITE, JUSTIÇA É PORTAS ABERTAS PARA UM FUTURO MELHOR.” (CONCORDA COM SUJEITO)

OBS: pode ser que, ao invés de “ser” apareça o verbo “parecer”, que tem o mesmo valor de sugerir identidade nesse caso. Exemplo:


“ESSA ENORME PAPELADA PARECEM CAIXAS DE PAPELÃO DE LONGE.” (CONCORDA COM PREDICATIVO)

“ESSA ENORME PAPELADA PARECE CAIXAS DE PAPELÃO DE LONGE.” (CONCORDA COM SUJEITO)

6) Se o sujeito for um pronome pessoal, o verbo vai necessariamente concordar com ele, independentemente do predicativo estar no singular ou plural. Exemplos:


“ELE ERA AS DORES DELA.”

“ELA ERA AS VANTAGENS DA CASA.”

7) Nas expressões “era um” ou “era uma“, em que o verbo “ser” é sinônimo de “existir“, típicas de início de narrações, o verbo concorda com o substantivo seguinte. Mas em “Era uma vez“, o verbo ficará sempre no singular. Exemplos:


“ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA.”

“ERAM SETE ANÕES EM UMA CASA NA FLORESTA.”

“ERA UMA VEZ SETE ANÕES EM UMA CASA.”

8) Quando o verbo “ser” aparece na expressão “é que”, ele é impessoal, portanto não vai flexionar de acordo com o sujeito, mas se o verbo “ser” estiver afastado do “que”, a flexão é permitida. Exemplos:


“NÓS É QUE SOMOS AVANÇADOS.”

“ESTES MÓVEIS É QUE EU NÃO COMPRO.”

“SÃO DE MÓVEIS ASSIM QUE EU NÃO SINTO NECESSIDADE DE COMPRAR.”

9) Quando o verbo “ser” indica resultado de cálculos como “um mais um” ou de medidas como “uma dezena”, entre outros, o verbo vai concordar com o número do resultado. Exemplos:


“UMA QUINZENA SÃO QUINZE DIAS.”

“UM MAIS UM SÃO DOIS.”

“DOIS MENOS UM É UM.”

10) Com a expressão “mais de um“, que sugere sujeito no plural, o verbo pode ser empregado no singular, inclusive é a forma mais comum, sendo o emprego no plural mais raro, porém correto. Exemplos:


“MAIS DE UMA MULHER ESTÁ RECLAMANDO DE ASSÉDIO VERBAL NA EMPRESA.”

“ESTOU CERTA DE QUE MAIS DE UMA PESSOA NÃO SE INTIMIDAM COM O CHEFE.”

domingo, 19 de dezembro de 2021

Verbo - formação dos tempos verbais

 O que você deve saber sobre

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

Os tempos verbais são recortes indicadores da duração ou do momento relativo em que ocorrem a enunciação, o fato, o estado ou o processo verbal. Os tempos básicos são presente, pretérito e futuro, e podem aparecer na forma simples ou composta.


2  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do presente do indicativo

Presente do subjuntivo

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

3  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do presente do indicativo

Imperativo afirmativo

Professor: as segundas pessoas do discurso (singular e plural) têm sua forma do imperativo afirmativo retirada diretamente do presente do indicativo, sem o -s final, exceto o verbo ser que faz: sê tu e sede vós. As demais pessoas, inclusive as do imperativo negativo, são retiradas diretamente do presente do subjuntivo, sem alterações.

Os verbos dizer, fazer e trazer admitem duas formas na 2ª pessoa do singular do imperativo afirmativo: dize e diz, faze e faz, traze e traz. Isso se explica pelo fato de as formas oficiais estarem em desuso no Brasil.

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

4  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo

Pretérito mais-que-perfeito do indicativo

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

5  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo

Imperfeito do subjuntivo

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

6  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do pretérito perfeito do indicativo

Futuro do subjuntivo

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

7  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do infinitivo pessoal

Pretérito imperfeito do indicativo

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

8  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do infinitivo impessoal

Futuro do presente do indicativo

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

9  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do infinitivo impessoal

Futuro do pretérito do indicativo

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

10  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do infinitivo impessoal

Infinitivo pessoal

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

10 

11  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do infinitivo impessoal

Gerúndio

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

11 

12  Formação dos tempos verbais

Tempos derivados do infinitivo impessoal

Particípio

VERBO: FORMAÇÃO DOS TEMPOS VERBAIS

12 

Período composto por subordinação - o que você deve saber sobre

 PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO:

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS

As orações subordinadas adjetivas desempenham o papel de adjunto adnominal da oração principal. Sua função é caracterizar o antecedente, atribuindo-lhe uma característica genérica ou restrita.

As orações subordinadas adverbiais desempenham o papel de adjunto adverbial da oração principal. Sua função é estabelecer uma relação de circunstância com a oração principal.


2  I. Classificação das orações subordinadas adjetivas

Explicativas - generalizam, universalizam - são separadas por vírgula

Os funcionários, que não fizeram os exames, devem comparecer ao ambulatório.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


3  I. Classificação das orações subordinadas adjetivas

Restritivas - restringem, delimitam, particularizam - não são separadas por vírgula

Os funcionários que não fizeram os exames devem comparecer ao ambulatório.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


4  Orações reduzidas Infinitivo

Na piscina, havia um rapaz a nadar muito bem. (que nadava)

Gerúndio

Na piscina, havia um rapaz nadando muito bem. (que nadava)

Particípio

Esses são os livros selecionados para o exame. (que foram selecionados)

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


5  II. As orações subordinadas adjetivas e os conectivos

Pronomes relativos variáveis: o qual, quanto e cujo

O prédio cujas janelas pintei está pronto.

O prédio cujo portão pintei está pronto.

Essa é a cidade na qual moro.

Esse é o município no qual nasci.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


6  II. As orações subordinadas adjetivas e os conectivos

Pronomes relativos invariáveis: que, quem, quando, como e onde

Essa é a cidade onde moro.

Esse é o município onde moro.

Os rapazes que perderam os empregos andam bastante chateados.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


7  II. As orações subordinadas adjetivas e os conectivos

Os pronomes relativos e as preposições

Essa é a cidade em que moro.

Essa é a cidade a que me refiro.

Essa é a cidade de que gosto.

Essa é uma cidade em cuja prefeitura confio.

Esse é o prefeito no qual confio.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


8  II. As orações subordinadas adjetivas e os conectivos

A crase antes do pronome relativo

Essa é a cidade a que me refiro. (Não há crase, pois há apenas a preposição “a”.)

Essa é a cidade à qual me refiro. (Há crase, pois há o encontro da preposição “a” com o artigo “a”.)

Professor: explique aos alunos que ocorre crase antes do pronome relativo quando o artigo de “a qual” se junta à preposição exigida pelo verbo que segue o pronome (como o verbo referir do 2o exemplo).

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


9  II. As orações subordinadas adjetivas e os conectivos

Função sintática do pronome relativo

Sujeito

O aluno que está doente faltou.

Objeto direto

Onde está o caderno que emprestei a você.

Objeto indireto

Esse é o livro de que falei.

Predicativo

Esse é o louco que sou.

Complemento nominal

Os quadros a que tive acesso são muitos caros.

Professor: explique aos alunos que o pronome relativo assume a função sintática que o termo retomado assumiria na oração subordinada.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


10  II. As orações subordinadas adjetivas e os conectivos

Função sintática do pronome relativo

Adjunto adnominal - função exercida somente pelo pronome relativo 'cujo' e flexões

O livro de cujas matérias gosto é esse.

Adjunto adverbial

Aquela é a rua onde moro.

Agente da passiva

A professora por quem fomos educados aposentou-se.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


11  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Causais - não confundir com as explicativas

Como estive doente, faltei.

Faltei, uma vez que estava doente.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


12  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Consecutivas

Ele correu tanto que ficou completamente exausto.

Ela é tão linda que incomoda as outras mulheres.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


13  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Comparativas

Nossa escola é tão forte como aquela outra.

Você vai mais sorrir do que chorar.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


14  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Condicionais

Iremos ao clube desde que faça sol.

Torcerei pelo seu time caso o meu não se classifique.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


15  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Conformativas

Fizemos o trabalho conforme o professor solicitou.

Como já era previsto, entregamos o trabalho atrasados.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


16  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Concessivas - não confundir com as adversativas

Ainda que chova, iremos ao clube.

Entregamos o trabalho, embora não estivéssemos no prazo.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


17  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Proporcionais

À medida que o tempo passa, ficamos mais experientes.

A minha preocupação aumentava ao passo que os exames se aproximavam.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


18  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Finais

Ronaldo emagreceu para que pudesse jogar o campeonato sem lesões.

O técnico escalou Ronaldo a fim de que vencesse o jogo.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


19  III. Classificação das orações subordinadas adverbiais

Temporais

A chuva tornou-se mais forte assim que chegamos ao litoral.

Quando todos estavam tensos, procurei acalmá-los.

Apesar de a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) não registrar, existem orações subordinadas adverbiais que expressam ideia de modo e lugar: modal e locativa.

O funcionário saiu sem ser visto.

Moro onde não mora ninguém.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


20  Orações reduzidas Infinitivo Ao sair, feche a porta. (quando sair)

Gerúndio

Saindo, feche a porta. (quando sair ou se sair)

Particípio

Combinadas as tarefas, todos teremos de fazê-las. (quando combinarmos)

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS


21  IV. A diversidade de orações adverbiais reduzidas

Tenho certeza de que todos podem mudar a própria vida apenas tomando as medidas certas. (reduzida de gerúndio)

Tenho certeza de que todos podem mudar a própria vida apenas porque tomam as medidas certas. (causal)

Tenho certeza de que todos podem mudar a própria vida apenas quando tomarem as medidas certas. (temporal)

Tenho certeza de que todos podem mudar a própria vida apenas se tomarem as medidas certas. (condicional)

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO: ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS E ADVERBIAIS

O que você deve saber sobre

PERÍODO COMPOSTO

O período composto estrutura-se, no mínimo, por duas orações ou dois núcleos verbais. Ele se forma de três maneiras distintas: coordenação, subordinação e misto.


2  I. Período composto por coordenação

Penso, logo existo.

Orações coordenadas: uma não exerce nenhuma função sintática em relação a outra.

PERÍODO COMPOSTO


3  I. Período composto por coordenação

Orações coordenadas assindéticas

Não são iniciadas por conjunção. Estão apenas justapostas, separadas por vírgula

Pedro estudou inglês na juventude,

Maria trabalhou com vendas

ultimamente estuda francês.

; agora, trabalha como agente de viagens.

PERÍODO COMPOSTO


4  I. Período composto por coordenação

Orações coordenadas sindéticas

Aditivas =

valor semântico de adição ou acréscimo

Os turistas compraram o bilhete e visitaram o museu.

Patrícia não preparou o projeto nem executou a obra.

Ele não é só meu conselheiro, mas é também meu melhor amigo.

PERÍODO COMPOSTO


5  I. Período composto por coordenação

Orações coordenadas sindéticas

Adversativas

= valor semântico de oposição e adversidade

Nós estudamos, mas não obtivemos sucesso nas avaliações.

O Brasil fez uma bela eliminatória, contudo fracassou na Copa do Mundo.

PERÍODO COMPOSTO


6  I. Período composto por coordenação

Orações coordenadas sindéticas

Alternativas

Ora chora, ora sorri.

= valor semântico de alternância

Trabalhe em silêncio, ou saia da sala de leitura.

PERÍODO COMPOSTO


7  I. Período composto por coordenação

Orações coordenadas sindéticas

Explicativas

= valor semântico de explicação

Eu só peço a Deus um pouco de malandragem, pois sou criança e não conheço a verdade. (Cazuza e Frejat)

Corra, porque estamos muito atrasados.

PERÍODO COMPOSTO


8  I. Período composto por coordenação

Orações coordenadas sindéticas

Conclusivas

= valor semântico de conclusão

Penso, logo existo. (René Descartes)

Estudou muito, portanto fará uma boa prova.

PERÍODO COMPOSTO


9  I. Período composto por coordenação

Orações coordenadas sindéticas

PERÍODO COMPOSTO


10  II. Período composto por subordinação

Depois que a reunião terminou, os funcionários falaram que os diretores estavam felizes.

Oração subordinada adverbial: funciona como adjunto adverbial da oração principal.

Oração principal: traz os funcionários como sujeito, a oração que os diretores estavam felizes como objeto e a oração depois que a reunião terminou como adjunto adverbial.

Oração subordinada substantiva: funciona como objeto direto de falar, o verbo da oração principal.

PERÍODO COMPOSTO


11  II. Período composto por subordinação

Orações subordinadas substantivas

Subjetivas

= função sintática de sujeito

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã.

(Renato Russo e Flávio Venturini)

Foi decidido que todos terão nova oportunidade.

Sabe-se que tudo não foi em vão.

PERÍODO COMPOSTO


12  II. Período composto por subordinação

Orações subordinadas substantivas

Objetivas diretas

= função sintática de objeto direto

Espero que ela volte.

Achamos que ela voltaria.

Queria saber quem vai ser o vencedor.

PERÍODO COMPOSTO


13  II. Período composto por subordinação

Orações subordinadas substantivas

Objetivas indiretas

= função sintática de objeto indireto

Eu duvido de que ela volte amanhã.

Esqueci-me de que amanhã não haverá aula.

PERÍODO COMPOSTO


14  II. Período composto por subordinação

Orações subordinadas substantivas

Completivas nominais

= função sintática de complemento nominal

Eu tenho dúvida de que o prazo será prorrogado.

Estou esperançoso de que o Brasil ganhe.

Torço favoravelmente a que nosso candidato vença as eleições.

PERÍODO COMPOSTO


15  II. Período composto por subordinação

Orações subordinadas substantivas

Predicativas

= função sintática de predicativo

Meu sonho era que houvesse mais solidariedade no mundo.

O problema foi que não houve prazo para a entrega dos formulários.

PERÍODO COMPOSTO


16  II. Período composto por subordinação

Orações subordinadas substantivas

Apositivas

= função sintática de aposto

Meu sonho era apenas este: que houvesse mais solidariedade no mundo.

Dei-lhe um bom conselho: que se afastasse de problemas.

PERÍODO COMPOSTO


17  II. Período composto por subordinação

Orações subordinadas substantivas

Agentes da passiva

= função sintática de agente da passiva

Os jogadores foram recebidos por quem os apoiava.

Não registrada pela NGB, mas existe.

PERÍODO COMPOSTO


18  II. Período composto por subordinação

Oração subordinada substantiva introduzida por que:

Ela sabia que haveria prova na próxima semana.

É provável que haja prova na próxima semana.

Oração subordinada substantiva introduzida por se:

Não sabemos se os convidados chegarão cedo.

O jornalista perguntou ao político se ele voltaria a ser candidato.

Professor: destaque a diferença semântica no uso das conjunções que ou se em períodos compostos por subordinação.

PERÍODO COMPOSTO


19  III. Período misto

Não adianta ter beleza física e não ter inteligência.

Orações coordenadas entre si (uma não exerce função sintática em relação a outra), mas sintaticamente subordinadas à oração com o verbo adiantar.

PERÍODO COMPOSTO


substantivas - iniciadas por conjunção integrante, pronome ou advérbio interrogativo

adjetivas - iniciadas por pronome relativo

adverbiais - iniciadas por qualquer conjunção subordinativa, exceto as integrantes

Concordância nominal e verbal

 CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL

A concordância nominal estuda a solidariedade que existe entre o substantivo e seus determinantes, e sua variação em gênero e número. A concordância verbal estuda a solidariedade que existe entre o verbo e o sujeito, e sua variação em número e pessoa. 

São termos determinados os substantivos e pronomes, e determinantes os artigos, pronomes, numerais, adjetivos e particípios.


2  I. Concordância nominal

Ocorre entre o núcleo e o predicativo ou adjunto adnominal.

Os alunos estavam empolgados com o projeto.

A clara manhã se elevara no horizonte.

Adjetivo posposto a dois (ou mais) substantivos com gêneros diferentes

Concorda com o mais próximo ou no masculino plural.

Comprei sapato e camisas novas.

Comprei sapato e camisas novos.

Professor: é preciso ressaltar aos alunos que as diferentes ações de concordância do adjetivo posposto a mais de um substantivo de gêneros diferentes acarretam diferentes significados, como ocorre nos dois exemplos apresentados. Note que o mesmo ocorre com os dois exemplos apresentados no item b do eslaide seguinte.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


3  I. Concordância nominal

Adjetivo anteposto a dois (ou mais) substantivos com gêneros diferentes

a) Concorda com o termo mais próximo quando desempenha

o papel de adjunto adnominal.

Você percebeu tamanha injustiça e desconforto?

b) Concorda com o mais próximo ou no plural quando desempenha o papel de predicativo.

Adquirimos arruinados garagem e quintal.

Adquirimos arruinada garagem e quintal.

Há casos em que o adjetivo deve concordar com o termo mais próximo por causa do sentido.

Ganhou de presente um relógio e um frango saboroso.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


4  I. Concordância nominal

Palavras específicas

Obrigado

Concorda com o substantivo a que se refere. Emprega-se a mesma regra para: mesmo (pronome), próprio, incluso, anexo, leso e quite.

Muito obrigado, disse o diretor.

Muito obrigadas, responderam as secretárias.

Menos

É sempre invariável.

Nessa classe há menos mulheres do que homens.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


5  I. Concordância nominal

Palavras específicas

Mesmo

a) Invariável quando desempenha o papel de advérbio ou conjunção.

Elas fizeram isso tudo sozinhas mesmo?

Mesmo sem ter estudado, passaram de ano.

b) Variável quando desempenha o papel de pronome demonstrativo.

Elas mesmas fizeram o trabalho.

Meio

a) Variável quando desempenha o papel de numeral.

Meu irmão comeu meia melancia.

b) Variável quando desempenha o papel de substantivo.

Ônibus, trem e avião são meios de transporte.

c) Invariável quando desempenha o papel de advérbio.

As portas estão meio fechadas apenas.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


6  I. Concordância nominal

Palavras específicas

Bastante

a) Variável quando desempenha o papel de pronome indefinido ou adjetivo.

Fiz bastantes concursos.

Há motivos bastantes para a demissão.

b) Invariável quando desempenha o papel de advérbio.

Somos bastante esforçados.

É proibido, é necessário, é bom, é permitido, é vedado

As expressões são invariáveis quando apresentam sentido genérico, e variáveis quando apresentam sentido específico.

É proibido entrada. É proibida a entrada.

Manteiga é bom. A manteiga é boa.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


7  I. Concordância nominal

Palavras específicas

Só, alerta e longe

a) Variáveis quando desempenham o papel de adjetivo.

As testemunhas ficaram sós.

Andei por longes lugares.

b) Invariáveis quando desempenham o papel de advérbio.

Só as testemunhas sabem a verdade.

Há lugares longe daqui.

Pseudo

É um prefixo, portanto invariável.

Exceto, tirante, salvo, mediante e não obstante

São preposições, portanto invariáveis.

De forma que, de modo que, de sorte que e de maneira que

São locuções conjuntivas, portanto invariáveis.

Alerta - só varia quando for substantivo. Como advérbio, é invariável.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


8  I. Concordância nominal

Adjetivos formados por dois ou mais adjetivos

Varia apenas o último elemento (com poucas exceções).

Houve conflitos franco-germânicos.

Exceção. O homem surdo-mudo. Os homens surdos-mudos.

Adjetivos compostos

formados por cor + substantivo

Os dois elementos são invariáveis.

As blusas vermelho-sangue. (sangue = substantivo)

formados por cor + adjetivo

Somente o segundo elemento é variável.

Suas camisetas verde-claras. (clara = adjetivo)

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


9  II. Concordância verbal

Sujeito simples

Coletivo

O verbo concorda no singular.

O cardume foi pescado ilegalmente.

Coletivo acompanhado de determinante

O verbo concorda com o coletivo ou com o determinante.

Um cardume de sardinhas foi pescado ilegalmente.

Um cardume de sardinhas foram pescadas ilegalmente.

Formado por nome próprio no plural (Amazonas, Patos, Alagoas, Santos)

a) Com artigo, o verbo ficará no plural.

Os Estados Unidos invadiram o Iraque.

b) Sem artigo, o verbo ficará no singular.

Minas Gerais possui grandes fazendas de café.

c) Com títulos de obras, admitem-se as duas concordâncias.

Os Sertões conta a saga de Canudos.

Os Sertões contam a saga de Canudos.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


10  II. Concordância verbal

Formado pelos pronomes relativos que ou quem

a) Em que, o verbo concorda com o antecedente.

Sou eu que fiscalizo esses pedidos.

b) Em quem, o verbo concorda com o antecedente (para fazer uma concordância enfática) ou fica na 3a pessoa do singular.

Sou eu quem fiscalizo esses pedidos.

Sou eu quem fiscaliza esses pedidos.

Pronome indefinido e interrogativo

a) Com pronome no singular, o verbo concorda no singular.

Qual de nós comprará o carro?

b) Com pronome no plural, o verbo concorda na 3a pessoa do plural ou com o pronome pessoal.

Quais de nós viajarão (viajaremos)?

Quais de vós são (sois) capacitados para realizar esta tarefa?

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


11  II. Concordância verbal

Sujeito composto por diferentes pessoas gramaticais

Anteposto

O verbo irá para o plural.

O dólar e o euro inflacionaram o real.

Posposto

O verbo concorda no plural ou com o núcleo do sujeito mais próximo.

Chegaram o diretor e o professor.

Chegou o diretor e o professor.

Com ideia de reciprocidade, o verbo concorda sempre no plural.

Ofenderam-se o vendedor e o cliente.

Núcleos sinônimos

O verbo pode concordar no singular ou no plural.

Medo e terror é (são) frequente(s) em cidades grandes.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


12  II. Concordância verbal

Sujeito composto por diferentes pessoas gramaticais

Núcleos resumidos por pronome indefinido e dispostos em gradação

a) Com sujeito resumido por um pronome indefinido, o verbo ficará no singular.

Sapato, calça, camisa e meia tudo estava no lugar.

É o único caso em que o verbo deixa de concordar com o sujeito para concordar com o aposto.

b) Com sujeito em gradação, o verbo concorda no singular ou no plural.

Um sussurro, uma fala, um grito teria (teriam) resolvido tudo.

Gradação é uma figura de estilo ou semântica que consiste em uma sequência de ideias, em ordem crescente ou decrescente.

Sujeito composto por diferentes pessoas gramaticais

O verbo vai para o plural na pessoa que prevalecer. A 1ª pessoa prevalece sobre as demais, e a 2ª pessoa prevalece sobre a terceira.

Eu, tu e ele compramos o livro.

Tu e ele fizestes (fizeram) a lição.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


13  II. Concordância verbal

Núcleo ligado por ou, nem

O verbo fica no singular se há ideia de exclusão ou sinonímia, ou no plural, se há ideia de inclusão, concorda com o núcleo mais próximo se há ideia de retificação.

João ou Jonas será o presidente do clube. (exclusão = o clube terá somente um presidente)

Laranja ou maçã fazem bem à saúde. (inclusão = as duas frutas são saudáveis)

O candidato ou os candidatos  que fizerem parte de uma coligação devem informar essa situação à justiça eleitoral. (retificação = 'ou melhor')

O complemento verbal ou o objeto é um termo integrante da oração. (sinonímia)

Um e outro, nem um nem outro

O verbo fica no singular.

Nem um nem outro atendeu o meu pedido.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


14  II. Concordância verbal

Verbos impessoais

Sempre na 3a pessoa do singular

Faz cinco anos que estive aqui.

Havia muitas mulheres e crianças na fila.

Se como pronome apassivador e índice de indeterminação do sujeito

a) Como pronome apassivador, o verbo concorda normalmente com o sujeito da oração. Aparece com verbos transitivos diretos e transitivos diretos e indiretos.

Intimem-se as partes. (As partes sejam intimadas)

Enviou-se o telegrama a Beatriz. (O telegrama foi enviado a Beatriz)

b) Como índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica na 3a pessoa do singular. Aparece com verbos transitivos indiretos, intransitivos e de ligação.

Precisa-se de empregados. (“de empregados” é objeto indireto)

Vive-se bem no interior. ('bem' e 'no interior' são adjuntos adverbiais)

Era-se mais feliz antigamente. ('feliz' é predicativo do sujeito e 'antigamente' é adjunto adverbial)

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


15  II. Concordância verbal

Verbo ser

a) Em predicados nominais, quando o sujeito for representado por um dos pronomes tudo, nada, isto, isso, aquilo, o verbo concorda com o predicativo.

Tudo são flores.

b) A concordância com o sujeito pode ocorrer quando se quer enfatizá-lo.

Aquilo é sonhos vãos.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


16  II. Concordância verbal

Verbo ser

c) Concorda com a expressão numérica em: horas, datas, distâncias.

São duas horas.

É uma hora.

São trinta quilômetros até o cartório.

É um quilômetro até o cartório.

Atenção. Podem ocorrer as duas concordâncias em datas; quando a palavra “dia” está subentendida, o verbo fica no singular.

Hoje são 24 de outubro. / Hoje é (dia) 24 de outubro.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL


17  II. Concordância verbal

Verbo ser

d) Concorda tanto com o sujeito quanto com o predicativo.

O problema é as pesquisas de opinião pública.

O problema são as pesquisas de opinião pública.

Atenção. A concordância se torna obrigatória com o termo que designa pessoa.

A coisa mais importante da minha vida são meus amigos.

e) Expressões de quantidade: peso, medida, preço, tempo, valor.

O verbo concorda sempre no singular.

Um é pouco, dois é bom, três é demais.

f) Era uma vez: invariável, mesmo seguida de substantivo plural.

Era uma vez um lugarzinho no meio do nada. (Sandy & Junior / Toquinho)

Era uma vez três porquinhos.

g) Pronomes interrogativos que e quem: concorda com o predicativo.

Quem são os interessados?

Que são gametas?

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

Verbos - classificação e conjugação

 O que você deve saber sobre

VERBO: CLASSIFICAÇÃO E CONJUGAÇÃO

Quando conjugados, os verbos apresentam variações de formas que determinam sua classificação.


2  Classificação dos verbos segundo a prosódia

Formas verbais

Rizotônicas

Apresentam o acento tônico no radical.

Ele sempre pede ajuda ao professor quando não consegue resolver os exercícios.

Arrizotônicas

Apresentam o acento tônico na terminação.

Maria Clara partirá no próximo voo rumo à Itália.

VERBO: CLASSIFICAÇÃO E CONJUGAÇÃO

3  Classificação e conjugação dos verbos

Verbos regulares - o radical permanece o mesmo na conjugação

Eu trabalho em comércio exterior.

Muitas pessoas trabalhavam em bancos públicos.

Minha irmã trabalhará como executiva em uma grande empresa.

Verbos irregulares - os radicais se alteram e/ou as terminações não seguem o modelo de conjugação

Aquele aluno sabia tudo sobre a matéria da prova.

Os funcionários souberam da greve pelos jornais.

VERBO: CLASSIFICAÇÃO E CONJUGAÇÃO


4  Classificação e conjugação dos verbos

Verbos anômalos - sofrem profundas alterações no radical

Ser e ir

Eu fui uma criança muito brincalhona.

Eu sou, hoje, um trabalhador metódico.

VERBO: CLASSIFICAÇÃO E CONJUGAÇÃO


5  Classificação e conjugação dos verbos

Verbos defectivos - apresentam conjugação incompleta

Adequar, falir, doer, reaver, abolir, banir, colorir, explodir, demolir, extorquir, ressarcir, computar, viger, soer (costumar) etc.

aturdir = atordoar

brandir = acenar

delir = apagar, deletar

exaurir = esgotar, ressecar

excelir = destacar-se

fremir = gemer

haurir = beber, sorver

puir = desgastar

ruir = desaparecer, desabar

retorquir = retrucar, contestar, argumentar contrariamente

urgir = ser urgente

tinir = soar

pascer = pastar

aguerrir = tornar valoroso

combalir = tornar debilitado

comedir = controlar, moderar

descomedir-se = exceder-se

embair = enganar

empedernir = petrificar, endurecer

esbaforir-se = estar ofegante

espavorir = assustar-se

remir = adquirir de novo, libertar, resgatar, indenizar, reparar, isentar, recuperar-se

renhir = disputar

transir = trespassar, penetrar

VERBO: CLASSIFICAÇÃO E CONJUGAÇÃO


6  Classificação e conjugação dos verbos

Verbos abundantes - possuem duas ou mais formas equivalentes. Normalmente a abundância ocorre no particípio.

Nós hemos (ou havemos) de vencer a batalha.

O particípio regular é empregado com os auxiliares ter e haver. O sujeito é sempre o agente da ação.

Eu tinha aceitado o emprego.

O particípio irregular é empregado com os auxiliares ser e estar. O sujeito é sempre o paciente da ação.

O emprego foi aceito por mim.

Os verbos abrir, cobrir, dizer, escrever, fazer, ver e vir só possuem a forma irregular: aberto, coberto, dito, escrito, feito, visto e vindo - que também é gerúndio

Os verbos pagar, pegar, ganhar e gastar hoje são usados apenas na forma irregular: pago, pego, ganho e gasto, que substituíram as antigas pagado, pegado, ganhado e gastado.

VERBO: CLASSIFICAÇÃO E CONJUGAÇÃO