terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Conhecendo as linhas: 502 – Geisel / Conhecendo as linhas: 108 – Alto do Mateus

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria / Texto: Kristofer Oliveira / Josivandro
Avelar
Fotos: Acervo Paraíba Bus Team


A linha 502 possui uma história um tanto curiosa, confusa e totalmente
diferente das demais existentes em João Pessoa. Nasceu de forma polêmica,
passou por diversas empresas, foi fundida, transformada e modificada.
Entretanto, a sua utilidade é inquestionável. Vamos conhecer um pouco da linha
502.

Surgimento
O
conjunto Ernesto Geisel foi fundado nos anos 70 e já era operada pela Etur e
Canaã, sendo a primeira via Cruz das Armas e a segunda via Rangel (atuais 106 e
202). Devido a proximidade do bairro com a UFPB e o então IPÊ (atual Unipê), em
meados de 1978 houve uma reclamação por parte dos estudantes universitários
oriundos deste bairro questionando a ausência de uma linha de ônibus que
passasse pelo bairro, ou, que partisse do bairro rumo aos dois importantes e
únicos campus universitários da época, pois ir até o centro e pegar outra linha
era uma tarefa complicada. O mesmo ocorria com os residentes do Jardim Veneza e
Costa e Silva.
Diante das reivindicações, a STP, órgão gestor do transporte à época, planejou
criar uma linha para atender a demanda, partindo do Jardim Veneza, passando
pelo Costa e Silva e Geisel, mas, ficou apenas na intenção. Porém, uma linha radial
acabou sendo criada partindo do Geisel e seguindo ao centro via Epitácio
Pessoa, mas ficou um impasse… Quem iria operá-la?
A
Canaã reivindicou a linha para si, alegando que já operada no Geisel e de a
linha transitaria por bairros do seu domínio; A RB Transportes reivindicava o
mesmo, alegando de que passaria no Castelo Branco e que a UFPB era o principal
destino dentro do bairro; E a São Judas Tadeu alegava que a linha iria passar
pela Epitácio Pessoa, que junto com a RB, eram operadoras do corredor. Uma das
soluções é que a linha só iria até a UFPB e retornaria, mas, ficaria inviável e
não interessaria mais a nenhuma das empresas envolvidas, pois estudante apenas
pagava meia passagem. A outra foi a linha ser compartilhada pelas três
empresas, sendo que duas seguiriam ao centro via Epitácio Pessoa e a outra via
Pedro II (sendo a Geisel via Pedro II).

Enfim, a linha foi compartilhada entre as três, no atual formato da 502, mas a
Canaã pulou logo fora alegando baixa demanda, e que dentro da demanda quase que
sua totalidade era composta apenas por estudante. A SJT também desistiu da
operação motivada pelo desinteresse. Apenas restou a RB por fim.

Com a venda da RB Transportes e surgimento da Nossa Senhora das Neves, não
encontrei fontes que comprovassem a operação da 502 por ela (talvez não tivesse
interesse na linha e repassou a quem interessasse). O certo é que a Etur nos
anos 80 após a RB ser extinta passou a operar a linha.

Etur e Transurb

A operação pela Etur ocorreu por poucos anos, e foi a sua entrada na Epitácio
Pessoa, ampliando a sua área de operação. Também foi nesse período em que a
principal avenida da cidade aos poucos foi se tornando o grande diferencial,
com vários estabelecimentos comerciais, médicos, entretenimento, restaurantes,
além de ensino. Com isso, a demanda teve um crescimento.
Quanto
a frota operada, o que eu ouço de relatos é que a linha era composta por
Monobloco O-364.
Na primeira cisão da Etur no fim dos anos 80, a Transurb é criada e leva
consigo a 502, de modo que a Etur ficou fora da Epitácio Pessoa por quase três
anos. Na época a linha era operada por quatro ônibus, mas foi ampliada para
seis nos anos 90. E foi justamente nessa época até 1998 que a linha teve sua
melhor frota, composta principalmente por Vitória Scania F-113 e L-113.
A Etur só voltaria para a Epitácio Pessoa em 1991,
mas só no sentido Bairro-Centro, com a criação da linha 5110. Seria a última
tentativa da empresa de retornar ao maior corredor da cidade após começar a dar
sinais de fragilidade estrutural e administrativa, que ficou evidente
após a sua segunda cisão (a que deu origem à Boa Vista em 1991).

Operação na São Jorge e as variantes da 502
Foi na São Jorge que a linha passou por suas mudanças mais significativas e
gerou outras variantes, até passar por uma fusão.
A frota da linha era reflexo da organização que a São Jorge era na época. De
1998 a 2002 os Torino, tanto o GV como o 1999 eram frequentes na linha. E foi a
única que não teve um impacto tão forte quando a empresa adquiriu de vez a Boa
Vista em 2002.
A
demanda tanto pelos universitários como por demais usuários de diferentes
perfis rumo aos campus universitários e o principal corredor da cidade crescia
a cada ano, ainda mais com a expansão populacional do Geisel. A linha passa a
atender o lado do bairro em que novas casas e residenciais foram construídos,
ampliando o seu trajeto. A mesma demanda ocorria no Alto do Mateus e Bairro das
Indústrias. Com isso a então STTrans (atual Semob) teve a idéia de
criar as linhas A502 e B502, atendendo os respectivos bairros. As variantes da
502 partiam normalmente do Geisel e seguiam via Cruz das Armas para os bairros
mencionados, retornando-os até o Geisel pelo caminho inverso. Com isso, três
tipos de 502 passaram a existir, lembrando que a antiga 502 continuava.

Com a inauguração do Terminal de Integração do Varadouro em abril de 2005, a
necessidade de deslocamento a Epitácio Pessoa, UFPB e Unipê por parte dos
residentes do Alto do Mateus e Bairro das Indústrias foram facilitadas, e com
isso, no mês de maio do corrente ano as A502 e B502 foram extintas, pois
perderam a razão de suas existências. Em 2007, a linha 502 deixa de passar na
Integração, fazendo o retorno via Lagoa e retornando para a Epitácio Pessoa, seguindo seu itinerário original pela Tito Silva, com o objetivo de economia de tempo das viagens.

Entretanto, no dia 16 de agosto de 2008, a A502 retorna com o prefixo 1502,
após a oficialização das fusões entre as linhas 108 e 502. As justificativas
para a fusão seria o retorno de uma ligação direta entre o Alto do Mateus a
Epitácio Pessoa, além da ampliação do número de viagens e ônibus disponíveis
entre os bairros envolvidos, na qual somaria onze (os 6 do 502 mais os 5 do
108). Contudo, a linha 108 continuaria a existir, apenas operando no bacurau. À
época, a STTrans justificou em avisos colados no Terminal de Integração que a
alteração seria experimental e que duraria por um tempo determinado, mas a
experiência foi longa até demais.
A
fusão não surtiu o efeito esperado, pois em ambos bairros as reclamações eram
constantes. A frota foi reduzida, o engarrafamento no itinerário era comum,
sobretudo no horário de pico, principalmente na Epitácio Pessoa e na entrada do
Geisel na BR-230, sem falar das quebras constantes da empresa. Após várias
campanhas em prol do “Volta 502!” e diversas reclamações, uma medida
paliativa foi tomada. No dia 17 de março de 2012 o trajeto e a estrutura da
linha passou por uma mudança. Cinco carros após saírem do Geisel seguiria ao
Alto do Mateus via Acesso Oeste sem passar pela Integração do Varadouro e
retornaria por Cruz das Armas, e a outra metade após sair do Geisel seguiria o
seu trajeto normal via Cruz das Armas e retornaria ao Geisel via Acesso Oeste.
Era a única linha da cidade a trafegar em 3 corredores – e 2 itinerários.
Apesar
dos paliativos não funcionarem e após diversas reclamações de usuários e
notícias a respeito saindo nas diferentes mídias, a Semob neste ano resolveu
finalmente atender o antigo desejo dos usuários, desmembrando a linha,
fato ocorrido no dia 19 de abril. A frota da 502 retornou aos seis carros,
igual a 2008, enquanto que a 108 passou por um revés, ficando apenas com três
carros em operação. Além disso, diferente da alteração de 2007, o 502 volta a
passar na Integração do Varadouro.
A frota do 502 é toda composta por Torino 2007 sob
o chassi OF-1721 Bluetec5, sendo até aqui a única linha da São Jorge nessas
condições: 0205, 0207, 0232, 0234, 0235 e 0255.

Fonte:
Portal Ônibus Paraibanos
Matéria
/ Texto: Kristofer Oliveira
Fotos:
Acervo Paraíba Bus Team

A linha 108 é uma das mais antigas da cidade, com mais de quarenta anos de
existência. Está na sua terceira empresa, já teve linha incorporada e
aglutinada e há pouco tempo só era visto de madrugada. Teve seu grande momento
nos anos 90. Vamos conhecer um pouco da sua trajetória.
Surgimento
do bairro e algumas informações

O bairro foi fundado oficialmente em 1973, sob decreto de lei nº 448, quando o
seu território foi incorporado oficialmente ao perímetro urbano municipal.
Antes, era uma propriedade agrícola pertencente ao Senhor Mateus Ribeiro.
Devido a sua localização elevada somado ao nome do Mateus, eis a origem da
nomenclatura do lugar.
Situa-se
na zona oeste da cidade e faz divisa com o município de Bayeux e o Bairro dos
Novaes. Tem parte do seu território cortado pelo Acesso Oeste, que liga o
Varadouro a BR-101/230. Possui cerca de 17 mil habitantes. Além das linhas de
ônibus, o bairro também é servido com o serviço de trem operada pela CBTU.

O começo do transporte no bairro e os tempos na Etur
Apesar
da linha férrea cruzar o bairro há décadas, apenas em 2008 é que passou a
funcionar uma estação de trem. Por ônibus, a linha Alto do Mateus existe desde
a fundação oficial do bairro, sendo operada pela Etur. Não encontramos fontes
que ressaltasse o transporte no período anterior.
Na
época da Etur nos anos 70 a linha era a mais extensa da empresa e tinha um
trajeto penoso após o Bairro dos Novaes, a partir da rua Mateus Ribeiro, só
sendo amenizado quando as principais ruas do bairro passaram a contar com
calçamento. O Caio Gabriela e o Monobloco O-364 nos anos 80 foram os carros
mais presentes na linha.
Nos
anos 80 a linha Bairro dos Novaes foi incorporada a do Alto do Mateus, pois
ambas praticamente faziam o mesmo trajeto. A partir de 1986 a linha recebe o
prefixo 108.
Após
a primeira cisão da Etur, no fim dos anos 80, que culminou na fundação da
Transurb, a 108 foi repassada para a mesma.
Tempos
na Transurb
Sem
dúvidas essa foi a melhor época da linha. Chegou a contar com dez carros, sendo
a maior da Transurb e uma das principais do corredor 1. Chegou a contar com
Torino 1989 F-113 HL e K-112 CL, sendo o primeiro o “carro-chefe” da linha. O
Amélia e o Gabriela também estavam presentes.
Após
a construção do Acesso Oeste, o bairro passou a contar com uma nova linha, a
701, na qual era mais perto chegar ao centro. Com isso a 108 teve um certo
fôlego, mas com um tempo foi culminando na sua redução da frota e na queda de
demanda no seu bairro de origem (para a felicidade dos usuários do Bairro dos
Novaes).
Porém,
a 108 ganhou um grande impulso com a implantação do “Projeto Verão”, que tinha
o objetivo de facilitar o transporte dos usuários de bairros distantes até a
orla no verão, e em grandes eventos, estendendo o percurso de determinadas linhas até
esses locais. A extensão da 108 foi denominada de P-003.
Com
o retorno do serviço opcional no fim de 1997, a 108 era uma das que passariam a
contar com o serviço diferenciado. Contou com os Torino GV OF-1620, cujos prefixos
foram: 02201 e 02202. Essa 'diferentona' foi extinta em 2004, após a criação da linha 5204-Cristo/Shopping e o Terminal de Integração do Varadouro ser inaugurado.
Em
1998 a Transurb foi negociada com o Grupo A Cândido e a empresa passou a ser a
São Jorge.
Período
na São Jorge – Transformações, mudanças e atualidade
Pode-se
dizer que na operacionalização a linha mudou da água para o vinho. A priori a
estrutura da época da Transurb foi mantida, mas com o passar dos anos a frota
foi reduzida e deixada em segundo plano, chegando a operar com micros. No
período de dez anos a frota foi reduzida em 50%, mesmo com a população do
bairro aumentando e a 701 já saturada.
No
horário de pico era um desafio andar na 108, especialmente para os usuários do
Bairro dos Novaes. Com a incorporação da Boa Vista efetivada em 2002, a
situação piorou, pois a quebra dos veículos era constante, sem falar na conservação
e higienização.
Após
bastante reclamação, uma das medidas foi retirar os Senior 2000 da frota e
substituí-los por veículos maiores. Porém, a linha já estava condenada a
dupla-função do motorista ao receber Apache Vip zero na configuração “micrão”, embora
carros com cobrador continuasse a rodar esporadicamente.
Para
aliviar a demanda da 108, foi criada a A502, uma extensão da 502 até o Alto do
Mateus, e que foi desativada em maio de 2005 após a construção do Terminal de
Integração do Varadouro. Mas, no dia 16 de agosto de 2008 a A502 retornou com
um novo prefixo, a 1502, culminando na fusão das linhas 108 e 502.
Se bem que não foi 100% uma fusão, pois a 108 não deixou de existir, embora só
rodasse no bacurau. E assim permaneceu até o dia 18 de abril do corrente ano,
último dia de operação da 1502. Após bastante reclamação dos usuários de ambos
bairros (Alto do Mateus e Geisel) a linha foi desmembrada e passaria a voltar
como era antes, no dia subsequente.
Atualmente
a linha conta com três veículos, sendo Apache Vip II OF-1722 com cobrador o
modelo efetivo na linha, todos com três portas e contando com elevador para
cadeirante. Também, passou a atender a comunidade Juracy Palhano nos Novaes.

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